{"id":16718,"date":"2018-08-08T09:35:57","date_gmt":"2018-08-08T12:35:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=16718"},"modified":"2018-08-08T10:14:34","modified_gmt":"2018-08-08T13:14:34","slug":"com-virgula-ou-sem-virgula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/com-virgula-ou-sem-virgula\/","title":{"rendered":"Eu Leitor: com v\u00edrgula ou sem v\u00edrgula?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-content\/uploads\/sites\/8\/2018\/08\/EuLeitor.jpg\" rel=\"attachment wp-att-16719\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-16719 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-content\/uploads\/sites\/8\/2018\/08\/EuLeitor.jpg\" alt=\"EuLeitor\" width=\"225\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-content\/uploads\/sites\/8\/2018\/08\/EuLeitor.jpg 225w, https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-content\/uploads\/sites\/8\/2018\/08\/EuLeitor-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 uma festa. A Biblioteca Nacional de Bras\u00edlia recebe uma exposi\u00e7\u00e3o pra l\u00e1 de contempor\u00e2nea. Sobram atra\u00e7\u00f5es e atividades para ensinar a hist\u00f3ria da escrita e a import\u00e2ncia da leitura. L\u00e1 est\u00e3o proje\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos, imagens em 3D, obras para ler deitado em rede com vista para a Esplanada dos Minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>Brasilienses prestigiam a mostra. Circulam, brincam, interagem. Mas um pormenor lhes chama a aten\u00e7\u00e3o. Trata-se do nome do evento \u2014 \u201cEu Leitor\u201d. A quest\u00e3o levantada: falta uma v\u00edrgula? Uns afirmam que sim. Outros dizem que n\u00e3o. E da\u00ed?<\/p>\n<p><strong>Restritivo <\/strong><\/p>\n<p>A v\u00edrgula desempenha v\u00e1rios pap\u00e9is. Um deles \u00e9 separar termos explicativos. Pra entender a hist\u00f3ria, vale seguir o conselho do esquartejador. \u201cVamos por partes\u201d, diz ele. Comecemos pelos termos restritivos. Eles limitam o sentido do nome. Tornam-no menos abrangente. Veja:<\/p>\n<p><em>Os alunos tiram boas notas.<\/em><\/p>\n<p>A frase diz que todos os alunos tiram boas notas. Mas sabemos que h\u00e1 alunos e alunos. Alguns brilham. Outros trope\u00e7am. Para fazer as pazes com a verdade, convocamos um termo restritivo:<\/p>\n<p><em>Os alunos <strong>estudiosos<\/strong> tiram boas notas. \u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Viu? O adjetivo d\u00e1 um recado claro: diz que n\u00e3o s\u00e3o todos os alunos que tiram boas notas. S\u00f3 os estudiosos chegam l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>Explicativo<\/strong><\/p>\n<p><em>O homem tem alma imortal.<\/em><\/p>\n<p>A frase diz que todos os seres humanos t\u00eam alma imortal. Certo? Certo. Se acrescentarmos o adjetivo <em>mortal<\/em>, ele n\u00e3o restringir\u00e1 o sentido do nome. Apenas o refor\u00e7ar\u00e1:<\/p>\n<p><em>O homem, <strong>mortal<\/strong>, tem alma imortal.<\/em><\/p>\n<p>Deu pra entender? A presen\u00e7a do termo n\u00e3o acrescenta nada a <em>homem<\/em>. Apenas refor\u00e7a o que sabemos.<\/p>\n<p><strong>Compare<\/strong><\/p>\n<p><em>O presidente da Rep\u00fablica, <strong>Michel Temer<\/strong>, mora no Pal\u00e1cio Jaburu.<\/em><\/p>\n<p>(O Brasil s\u00f3 tem um presidente da Rep\u00fablica. Se n\u00e3o sabemos quem \u00e9, o Google nos diz. <em>Michel Temer<\/em> \u00e9 termo explicativo. Pode ser retirado sem preju\u00edzo da informa\u00e7\u00e3o. Da\u00ed estar separado por v\u00edrgulas.)<\/p>\n<p><em>O ex-presidente da Rep\u00fablica <strong>Jos\u00e9 Sarney<\/strong> viajou ontem.<\/em><\/p>\n<p>(Quantos ex-presidentes o Brasil tem? V\u00e1rios. Se n\u00e3o dizemos a quem nos referimos, deixamos o leitor numa baita enrascada. <em>Jos\u00e9 Sarney<\/em> \u00e9 termo restritivo. N\u00e3o pode ser cortado. Nem separado por v\u00edrgulas.)<\/p>\n<p><strong>Mais exemplos<\/strong><\/p>\n<p><em>Machado de Assis, <strong>escritor brasileiro<\/strong>, escreveu Dom Casmurro.<\/em><\/p>\n<p><em>O escritor brasileiro <strong>Machado de Assis<\/strong> viveu no s\u00e9culo 19.<\/em><\/p>\n<p><em>A capital do Brasil, <strong>Bras\u00edlia<\/strong>, fica no Planalto Central.<\/em><\/p>\n<p><em>A ex-capital do Brasil <strong>Salvador <\/strong>atrai muitos turistas no carnaval.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O problema levantado pela exposi\u00e7\u00e3o leva \u00e0 pergunta: <strong>leitor<\/strong> \u00e9 restritivo ou explicativo? Pra responder, precisamos pensar no termo a que ele se refere \u2014 eu. S\u00f3 h\u00e1 um eu. Da\u00ed nos requerimentos aparecer esta forma:<\/p>\n<p><em>Eu, Jo\u00e3o da Silva, brasileiro, casado, funcion\u00e1rio p\u00fablico, venho requerer&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Eu, brasileiro, casado, funcion\u00e1rio p\u00fablico&#8230;<\/em><\/p>\n<p><em>Eu, leitor, sou rato de biblioteca.<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Licen\u00e7a, minha l\u00edngua?<\/strong><\/p>\n<p>Voltemos \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o. \u201cEu leitor\u201d d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 mostra. O artista apresentou as duas palavras de forma diferente. <em>Leitor<\/em> aparece em negrito. <em>Eu<\/em> n\u00e3o tem o refor\u00e7o. H\u00e1 um espa\u00e7o maior entre os dois voc\u00e1bulos. O vazio no lugar da v\u00edrgula proporciona um efeito visual de uni\u00e3o entre o pronome e o substantivo. A l\u00edngua d\u00e1 nome ao recurso. \u00c9 licen\u00e7a po\u00e9tica. A mesma licen\u00e7a a que Drummond recorreu ao escrever \u201cCacilda Becker morreram\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 uma festa. A Biblioteca Nacional de Bras\u00edlia recebe uma exposi\u00e7\u00e3o pra l\u00e1 de contempor\u00e2nea. Sobram atra\u00e7\u00f5es e atividades para ensinar a hist\u00f3ria da escrita e a import\u00e2ncia da leitura. L\u00e1 est\u00e3o proje\u00e7\u00f5es, v\u00eddeos, imagens em 3D, obras para ler deitado em rede com vista para a Esplanada dos Minist\u00e9rios. Brasilienses prestigiam a mostra. Circulam, brincam, interagem. Mas um pormenor lhes chama a aten\u00e7\u00e3o. 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