{"id":1678,"date":"2008-05-30T00:05:00","date_gmt":"2008-05-30T03:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mim_nao_faz_nem_acontece\/"},"modified":"2008-05-30T00:05:00","modified_gmt":"2008-05-30T03:05:00","slug":"mim_nao_faz_nem_acontece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mim_nao_faz_nem_acontece\/","title":{"rendered":"Mim n\u00e3o faz nem acontece"},"content":{"rendered":"<p><B><\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA conversa rolava solta. Grupinho de estudantes comentava quest\u00f5es do simulado aplicado no fim de semana. Uma delas referia-se ao emprego dos pronomes <I>eu<\/I> e <I>mim<\/I>. Apesar de simples, o assunto ainda pega a mo\u00e7ada pelo p\u00e9. A prova apresentou duas frases quase iguais. Qual delas merece nota mil?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\na. Depois da reuni\u00e3o, fiquei na sala. O professor deixou um texto para eu ler.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nb. Depois da reuni\u00e3o, fiquei na sala. O professor deixou um texto para mim ler.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA grande vil\u00e3 \u00e9 a preposi\u00e7\u00e3o <I>para<\/I>. Ela adora armar ciladas. N\u00f3s, desatentos, entramos na dela como patinhos rec\u00e9m-sa\u00eddos da casca do ovo. Depois, na hora de conferir o gabarito, a ficha cai. Adeus, preciosos pontinhos! O rem\u00e9dio? Nada melhor que a preven\u00e7\u00e3o. No caso, refrescar a mem\u00f3ria.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; Mim ou eu?, provocava o professor brincalh\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nE completava:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; Lembrem-se: mim n\u00e3o faz nem acontece.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA explica\u00e7\u00e3o n\u00e3o deixava d\u00favidas:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; O pronome <I>mim<\/I> tem fobia ao isolamento. Anda sempre \u2013 sempre mesmo \u2013 acompanhado de preposi\u00e7\u00e3o. Pouco seletivo, aceita qualquer uma de bra\u00e7os abertos e cora\u00e7\u00e3o em festa: <I>Dirigiu-se <B>a<\/B> mim. Jurou inoc\u00eancia <B>ante<\/B> mim e os demais amigos. Paulo dep\u00f4s <B>contra<\/B> mim. Revelou o segredo s\u00f3 <B>para<\/B> mim. Confirmou tudo <B>perante<\/B> mim. N\u00e3o h\u00e1 nada entre mim e o diretor.<\/I><br \/>\n<I>&nbsp;<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO <I>eu<\/I> joga em outro time. Pertence \u00e0 equipe dos auto-suficientes. Todo-poderoso, escolheu para si a fun\u00e7\u00e3o de sujeito. Para n\u00e3o deixar d\u00favida, registrou a posse em cart\u00f3rio. Veja exemplos: <I>O diretor deixar\u00e1 o relat\u00f3rio para eu redigir (<\/I>quem redige? Eu, sujeito).<I> Pediu para eu responder \u00e0 carta <\/I>(quem responde? Eu, sujeito). <I>Deixou os filhos para eu cuidar <\/I>(quem cuida? Eu, sujeito).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nViu?&nbsp; Diante da preposi\u00e7\u00e3o <I>para<\/I>, abra os olhos e afine os ouvidos. Ela introduz uma ora\u00e7\u00e3o reduzida de infinitivo? Se a resposta for sim, o pronome&nbsp; vem seguido de verbo (no infinitivo, claro). \u00c9 o caso da quest\u00e3o do simulado: <I>O professor deixou um texto para <B>eu ler<\/B>.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<I><\/I>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Olho vivo<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nN\u00e3o caia em ciladas.&nbsp;O para mim pode merecer nota 10. No caso, n\u00e3o tem a menor inten\u00e7\u00e3o de usurpar o lugar do sujeito. Compare:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nFalar ingl\u00eas \u00e9 f\u00e1cil para mim.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPara mim falar ingl\u00eas \u00e9 f\u00e1cil.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; A conversa rolava solta. Grupinho de estudantes comentava quest\u00f5es do simulado aplicado no fim de semana. 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