{"id":16789,"date":"2018-08-13T09:41:40","date_gmt":"2018-08-13T12:41:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=16789"},"modified":"2018-08-13T09:42:24","modified_gmt":"2018-08-13T12:42:24","slug":"grafia-familia-acima-de-tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/grafia-familia-acima-de-tudo\/","title":{"rendered":"Grafia: a fam\u00edlia acima de tudo"},"content":{"rendered":"<p>Com x ou ch? S ou z? As d\u00favidas s\u00e3o muitas. As respostas, escassas. H\u00e1 poucas regras de grafia. A escrita correta do voc\u00e1bulo \u00e9 fruto muito mais de fixa\u00e7\u00e3o da forma que de memoriza\u00e7\u00e3o de regras. Escrevemos hospital com h n\u00e3o por conhecer a etimologia da palavra ou por termos estudado norma especial. Mas por a vermos grafada dessa maneira.<\/p>\n<p>Por isso, quem l\u00ea regularmente escreve os voc\u00e1bulos do jeitinho que o dicion\u00e1rio manda. Na d\u00favida, o pai de todos n\u00f3s socorre. Bem-vindo, Aur\u00e9lio. Bem-vindo, Houaiss. Bem-vindo Michaelis. \u00c0s vezes, por\u00e9m, a d\u00favida bate. Mas n\u00e3o h\u00e1 dicion\u00e1rio por perto. O que fazer? O jeito \u00e9 rezar para que as poucas regras existentes quebrem o galho.<\/p>\n<p>Uma delas, pra l\u00e1 de produtiva, vale ouro. Trata-se da todo-poderosa fam\u00edlia. \u201cTal pai, tal filho\u201d, prega ela. Em bom portugu\u00eas: <strong>as palavras derivadas seguem a primitiva<\/strong>. Umas e outras mant\u00eam a grafia original sem tossir nem mugir:<\/p>\n<p><strong>tr\u00e1s<\/strong>, atr\u00e1s, traseiro, atraso, atrasar, atrasado<\/p>\n<p><strong>casa<\/strong>, casinha, casebre, casar\u00e3o, caseiro, casamento, acasalar<\/p>\n<p><strong>g\u00e1s<\/strong>, gasolina, gasoduto, gasoso, gaseificado<\/p>\n<p><strong>cruz<\/strong>, cruzar, cruzinha, cruzada, cruzeiro<\/p>\n<p><strong>exame<\/strong>, examinho, examinador, examinar, examinado<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Origem<\/strong><\/p>\n<p>As palavras, como as pessoas, n\u00e3o s\u00e3o todas santas. Entre elas, existem as que pulam o muro. Formam, ent\u00e3o, duas fam\u00edlias. Uma erudita, vinda l\u00e1 do latim. Outra popular, nascida depois que a l\u00edngua-m\u00e3e se transformou em portugu\u00eas. Sobram exemplos de useiros e vezeiros da pr\u00e1tica da duplicidade.<\/p>\n<p>Num caso e noutro, a fam\u00edlia canta de galo. Se o nobre faz filhos, a crian\u00e7a ter\u00e1 sangue azul. Se o plebeu gerar meninos e meninas, a mo\u00e7ada n\u00e3o negar\u00e1 a ra\u00e7a. Sangue vermelho lhe correr\u00e1 pelas veias. Veja o exemplo do cl\u00e3 adocicado. Doce, docinho, docemente, adocicar, adocicado, d\u00f3cil, docilidade s\u00e3o gente como a gente. Dulcificar, dulcifica\u00e7\u00e3o, dulcificante, dulc\u00edfico, dulc\u00edssimo, dulc\u00edssono exibem cetros e coroas.<\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria: na l\u00edngua impera a democracia. A lei da fam\u00edlia vale pra todos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com x ou ch? S ou z? As d\u00favidas s\u00e3o muitas. As respostas, escassas. H\u00e1 poucas regras de grafia. A escrita correta do voc\u00e1bulo \u00e9 fruto muito mais de fixa\u00e7\u00e3o da forma que de memoriza\u00e7\u00e3o de regras. Escrevemos hospital com h n\u00e3o por conhecer a etimologia da palavra ou por termos estudado norma especial. Mas por a vermos grafada dessa maneira. 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