{"id":1714,"date":"2008-06-04T00:00:00","date_gmt":"2008-06-04T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ta_tudo_dominado\/"},"modified":"2008-06-04T00:00:00","modified_gmt":"2008-06-04T03:00:00","slug":"ta_tudo_dominado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ta_tudo_dominado\/","title":{"rendered":"T\u00e1 tudo dominado"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\nNo Rio, mil\u00edcias mandam, desmandam, prendem, torturam, cobram impostos, controlam o transporte, o sinal de tev\u00ea, a venda de g\u00e1s, fazem censo da popula\u00e7\u00e3o para obrigar os moradores a votar na bancada bandida. S\u00e3o donos e senhores do peda\u00e7o. No morro, pol\u00edcia n\u00e3o entra.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNa Amaz\u00f4nia, a motosserra faz a festa. \u00c1rvores caem como folhas sacudidas ao vento. Em abril, desmataram-se nada menos que 1.123km\u00b2. \u00c9 \u00e1rea similar \u00e0 do munic\u00edpio do Rio de janeiro. &#8220;Tremei, devastadores&#8221;, amea\u00e7ou Carlos Minc ao assumir o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente. Quem treme somos n\u00f3s.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDe norte a sul do Brasil, o tr\u00e2nsito mutila e mata. Motoristas de porre pisam o acelerador. Percorrem estradas, avenidas e ruas sem ligar pra leis e c\u00f3digos. Ignoram os sem\u00e1foros. N\u00e3o enxergam os pedestres. Roubam vidas e destroem fam\u00edlias. Acionar os freios? Nem pensar.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOs desmandos t\u00eam um denominador comum. \u00c9 o verbo faltar. O complemento tamb\u00e9m \u00e9 comum. Falta Estado. A fiscaliza\u00e7\u00e3o fecha os olhos aos abusos. A pol\u00edcia age em conluio com os bandidos. A sociedade esperneia, cutuca os parlamentares e aguarda solu\u00e7\u00e3o. Enquanto a resposta n\u00e3o vem, presta aten\u00e7\u00e3o \u00e0s agress\u00f5es \u00e0 l\u00edngua. <B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nToma, verbo<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA primeira pancada atinge o verbo em cartaz. O danado \u00e9 especialista em pegar o falante pelo p\u00e9. Ele se aproveita da posi\u00e7\u00e3o que ocupa na frase. Quando vem depois do sujeito, tem pequena faixa de manobra. Mas, quando vem antes, deita e rola. O falante esquece que est\u00e1 diante do sujeito. E pisa a bola. \u00c9 comum, por isso, ouvir p\u00e9rolas como esta:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Falta, no Brasil inteiro, pol\u00edticas capazes de conter os abusos na floresta, no asfalto e nos morros.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nViu? O sujeito (pol\u00edticas) aparece depois do verbo. Deu no que deu. O orador nem se deu conta de que o verbo concorda com o sujeito esteja ele onde estiver. Bobeou. Pra escapar da cilada, bastava reestruturar o per\u00edodo com o sujeito na frente:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Pol\u00edticas capazes de conter os abusos na floresta, no asfalto e nos morros faltam no Brasil inteiro.<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSabia?<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA maior parte dos trope\u00e7os na concord\u00e2ncia respondem por dois nomes. Um: o deslocamento. O outro: a dist\u00e2ncia. Em outras palavras: a gente erra n\u00e3o por ignorar a lei, mas porque o sujeito est\u00e1 fora do lugar ou longe do verbo. A sa\u00edda? \u00c9 f\u00e1cil como andar pra frente. Basta localizar o sujeito e lembrar-se de que o verbo \u00e9 vaquinha de pres\u00e9pio. Aonde o sujeito vai, o verbo vai atr\u00e1s:<I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nFalta, apesar do empenho dos defensores do meio ambiente, medidas eficazes contra o desmatamento<\/I>.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCruz-credo! O sujeito \u00e9 <I>medidas<\/I>. Ele est\u00e1 lonnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnge do verbo. O coitado se distraiu e \u2026 se esqueceu de obedecer \u00e0 regra. Melhor entrar na linha:<I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nFaltam, apesar do empenho dos defensores do meio ambiente, medidas eficazes contra o desmatamento. <\/I><B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<\/B><I>. <A name=\"Save1\"><\/A><\/I><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; No Rio, mil\u00edcias mandam, desmandam, prendem, torturam, cobram impostos, controlam o transporte, o sinal de tev\u00ea, a venda de g\u00e1s, fazem censo da popula\u00e7\u00e3o para obrigar os moradores a votar na bancada bandida. S\u00e3o donos e senhores do peda\u00e7o. No morro, pol\u00edcia n\u00e3o entra. &nbsp; Na Amaz\u00f4nia, a motosserra faz a festa. \u00c1rvores caem como folhas sacudidas ao vento. 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