{"id":17232,"date":"2018-09-11T16:04:56","date_gmt":"2018-09-11T19:04:56","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=17232"},"modified":"2018-09-11T16:04:56","modified_gmt":"2018-09-11T19:04:56","slug":"cujo-emprego-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/cujo-emprego-2\/","title":{"rendered":"Cujo: emprego"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\">Vamos combinar? O <i>cujo<\/i> \u00e9 pra l\u00e1 de sofisticado. Pronome relativo, pertence \u00e0 fam\u00edlia de <i>que, o qual, onde<\/i>. Requintado, imp\u00f5e tr\u00eas regras pra ser empregado. Pra atend\u00ea-las, basta manter as antenas ligadas e a pregui\u00e7a adormecida em ber\u00e7o espl\u00eandido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><b>Primeira exig\u00eancia<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\">Tenha cuidado com a separa\u00e7\u00e3o das s\u00edlabas: ele morre de vergonha de ficar com um peda\u00e7o l\u00e1 e outro c\u00e1. \u00c9 justo. A primeira s\u00edlaba, no fim da linha, vira palavr\u00e3o (cu-jo). Feito o estrago, o constrangido s\u00f3 encontra uma sa\u00edda. Consola-se com federal (fede-ral). Os dois se abra\u00e7am e choram. Depois se vingam. Cobrem o autor de vexames.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><b>Segunda exig\u00eancia<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\">Deixe o artigo pra l\u00e1. <i>Cujo<\/i> tem avers\u00e3o a <i>o, a, os, as<\/i>. Nunca escreva <i>cujo o, cuja a<\/i>. O casamento pega mal como bater em mulher, cuspir no ch\u00e3o ou passar a crian\u00e7a pra tr\u00e1s na fila. Melhor manter o elitista sozinho, sem companhia: <i>O governo sancionou a lei cujo objetivo \u00e9 aumentar o controle de atos il\u00edcitos.<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><b>Terceira exig\u00eancia<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\">D\u00ea aten\u00e7\u00e3o \u00e0 posse. O cujo, como todo pronome relativo, tem uma fun\u00e7\u00e3o: junta frases. No caso, uma delas tem de indicar posse. A presen\u00e7a do diss\u00edlabo evita a repeti\u00e7\u00e3o de palavras. O enunciado fica chique como p\u00e9rolas negras. Veja:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>O governo sancionou a lei.<\/i> <i>O objetivo da lei<\/i> <i>\u00e9 aumentar o controle de atos il\u00edcitos<\/i>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\">Feio, n\u00e3o? A repeti\u00e7\u00e3o torna o enunciado mon\u00f3tono. O jeito? Recorrer \u00e0 bondade do relativo. Pra dar ideia de posse, o glorioso <i>cujo<\/i> pede passagem:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>O governo sancionou a lei cujo objetivo \u00e9 aumentar o controle de atos il\u00edcitos.<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><b>Outros exemplos<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>A m\u00e3e pediu indeniza\u00e7\u00e3o ao Estado. O filho da m\u00e3e (= dela) morreu em confronto com a pol\u00edcia. <\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>A m\u00e3e cujo filho morreu em confronto com a pol\u00edtica pediu indeniza\u00e7\u00e3o ao Estado. <\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>*<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>O escritor conversou com os estudantes. O livro do escritor (= dele) foi adotado.<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>O escritor cujo livro foi adotado conversou com os estudantes.<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\">*<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>O jornalista chama-se Jo\u00e3o da Silva. A reportagem de Jo\u00e3o da Silva (= dele) foi premiada.<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>O jornalista cuja reportagem foi premiada chama-se Jo\u00e3o da Silva. <\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><b>Trope\u00e7os comuns<\/b><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\">O brasileiro morre de medo do cujo. Mas, orgulhoso, esconde a verdade. Alega feiura do coitadinho. Mentira tem perna curta. Volta e meia, aparecem mostrengos como estes:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>A mulher que o filho morreu vai deixar a cidade.<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\"><i>Paulo Coelho, que os livros fazem sucesso no mundo, \u00e9 imortal da ABL.<\/i><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-family: Arial, sans-serif\">Vamos \u00e0 corre\u00e7\u00e3o: Assim: <i>A mulher cujo filho morreu vai deixar a cidade. Paulo Coelho, cujos livros fazem sucesso no mundo, \u00e9 imortal da ABL.<\/i><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos combinar? O cujo \u00e9 pra l\u00e1 de sofisticado. Pronome relativo, pertence \u00e0 fam\u00edlia de que, o qual, onde. Requintado, imp\u00f5e tr\u00eas regras pra ser empregado. Pra atend\u00ea-las, basta manter as antenas ligadas e a pregui\u00e7a adormecida em ber\u00e7o espl\u00eandido. 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