{"id":1773,"date":"2008-06-13T00:00:00","date_gmt":"2008-06-13T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/palavras_que_confundem\/"},"modified":"2008-06-13T00:00:00","modified_gmt":"2008-06-13T03:00:00","slug":"palavras_que_confundem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/palavras_que_confundem\/","title":{"rendered":"Palavras que confundem"},"content":{"rendered":"<p><BR>Lembra-se da tomada e do focinho de porco? Ambos s\u00e3o salientes e<BR>t\u00eam dois buracos. Mas um d\u00e1 choque. O outro cheira. Confundi-los acarreta problemas. Melhor estar atento \u00e0s diferen\u00e7as.<BR>Na l\u00edngua tamb\u00e9m h\u00e1 tomadas e focinhos de porco. Trata-se de palavras que, na apar\u00eancia ou na pron\u00fancia, s\u00e3o quase iguais. Mas uma n\u00e3o conhece a outra nem de elevador. \u00c9 o caso de hora e ora, oh! e \u00f3, mas e mais, mal e mau.<BR>Ora x hora<BR>A pron\u00fancia de hora e ora \u00e9 a mesma. Mas o sentido n\u00e3o tem nenhum parentesco. Veja como n\u00e3o cair na esparrela de tomar uma pela outra:<BR>Hora significa 60 minutos:<BR>A velocidade na ponte \u00e9 de 60km por hora. <BR>Ganho R$ 50,00 por hora de trabalho. <BR>Quando divertir-se? a qualquer hora. Afinal, como diz o outro,<BR>toda hora \u00e9 hora.<BR>Ora quer dizer por enquanto, por agora:<BR>Por ora, a velocidade na ponte \u00e9 de 60km por hora. <BR>O governo n\u00e3o pretende, por ora, privatizar as universidades<BR>federais.<BR>Lamento, mas, por ora, nada posso fazer.<BR>Oh! e s\u00f3<BR>Oh! ou \u00f3? A pron\u00fancia de uma \u00e9 g\u00eamea univitelina da outra. Por isso, na hora de escrever, pinta a confus\u00e3o. S\u00e3o duas grafias. E dois sentidos. Quando usar uma palavra ou outra?<BR>O \u00f3 aparece no vocativo, quando gente chama algu\u00e9m:<BR>Deus, \u00f3 Deus, onde est\u00e1s que n\u00e3o me escutas? <BR>At\u00e9 tu, \u00f3 Brutus, meu filho? <BR>Seu pai morreu? Morreu pra voc\u00ea, \u00f3 filho ingrato.<BR>O oh! \u00e9 interjei\u00e7\u00e3o. Tem vez quando a gente fica de boca aberta de<BR>Admira\u00e7\u00e3o ou espanto:<BR>Oh! Que linda voz! <BR>Oh! Que trapaceiro! Quem diria, hem? <BR>Oh! Que surpresa! <BR>\u00d3 Paulo, n\u00e3o entendi seu oh! de espanto. Pode me explicar?<BR>Mas e mais<BR>Mais \u00e9 o contr\u00e1rio de menos:<BR>Trabalho mais (menos) que ele. <BR>Se pudesse, viajaria mais (menos). <BR>Um mais um \u00e9 igual a dois. <BR>\u00c9 isso: sem mais nem menos.<BR>Mas<BR>quer dizer por\u00e9m, todavia, contudo, no entanto, entretanto:<BR>Tirei boas notas, mas (por\u00e9m) n\u00e3o consegui me classificar entre os dez primeiros. <BR>Lula viaja muito, mas (no entanto) n\u00e3o se cansa. <BR>Ele trabalha pouco, mas (contudo) ganha muito.<BR>&nbsp;<BR>Mau e mal<BR>Com u ou com l? Os professores n\u00e3o se cansam de explicar: <BR>Mau \u00e9 adjetivo: homem mau, lobo mau, mau funcion\u00e1rio, mau humor.<BR>Mal<BR>tem dois pap\u00e9is: <BR>Pode ser substantivo: nos filmes, o mal n\u00e3o tem vez. A viol\u00eancia<BR>\u00e9 o mal da atualidade. A tuberculose foi o mal do s\u00e9culo 19.<BR>Pode ser adv\u00e9rbio: Dormi mal. Trabalha mal. Anda mal das<BR>pernas. N\u00e3o tenho paci\u00eancia com mal-humorados.<br \/>\nNa d\u00favida, recorra ao macete. Mau \u00e9 o contr\u00e1rio de bom. Reescreva a frase. Deu bom? O u pede passagem: homem mau (homem bom), lobo mau (lobo bom), mau funcion\u00e1rio (bom funcion\u00e1rio), mau humor (bom humor).<BR>Mal op\u00f5e-se a bem: Nos filmes, o bem n\u00e3o tem vez. A tuberculose foi o bem do s\u00e9culo 19. Dormi bem. Anda bem das pernas. S\u00f3 tenho paci\u00eancia com bem humorados.<BR>Guarde isto: como diz o outro, n\u00e3o confie no ouvido. Ele engana o bobo na casca do ovo.<BR>&nbsp;<BR>Moral, quest\u00e3o de g\u00eanero<BR>O moral? A moral? As duas palavras est\u00e3o em todos os dicion\u00e1rios. Escrevem-se do mesmo jeitinho. Mas o g\u00eanero faz a diferen\u00e7a. Uma \u00e9 macha. A outra, f\u00eamea. Muita gente n\u00e3o sabe disso. Na maior ingenuidade, mistura alhos com bugalhos. O resultado \u00e9 um s\u00f3. Pensa que est\u00e1 dando um recado, d\u00e1 outro. Pior: n\u00e3o d\u00e1 recado nenhum. Deixa o leitor a ver navios.<BR>A juventude dificilmente fala em moral. Rapazes e mo\u00e7as preferem dizer astral. H\u00e1 pessoas <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembra-se da tomada e do focinho de porco? Ambos s\u00e3o salientes et\u00eam dois buracos. Mas um d\u00e1 choque. O outro cheira. Confundi-los acarreta problemas. Melhor estar atento \u00e0s diferen\u00e7as.Na l\u00edngua tamb\u00e9m h\u00e1 tomadas e focinhos de porco. Trata-se de palavras que, na apar\u00eancia ou na pron\u00fancia, s\u00e3o quase iguais. 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