{"id":1785,"date":"2008-06-15T00:00:00","date_gmt":"2008-06-15T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/sina_de_ministros_da_educacao\/"},"modified":"2008-06-15T00:00:00","modified_gmt":"2008-06-15T03:00:00","slug":"sina_de_ministros_da_educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/sina_de_ministros_da_educacao\/","title":{"rendered":"Sina de ministros da Educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><BR>&nbsp;<BR><br \/>\nVoc\u00ea viu? Se n\u00e3o viu, talvez tenha ouvido. Foi na quinta-feira \u2014 cedinho, os ponteiros n\u00e3o tinham marcado 7h30. O ministro da Educa\u00e7\u00e3o dava entrevista ao Bom-Dia, Brasil. Falava da melhora nos indicadores do ensino b\u00e1sico. Citava n\u00fameros e estat\u00edsticas. Dava exemplos. Comparava e confrontava. Era um entusiasmo s\u00f3. De repente, n\u00e3o mais que de repente, soltou esta:<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 A nossa s\u00e9rie hist\u00f3rica \u00e9 muito &#8220;r\u00faim&#8221;.<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAssim mesmo. Ruim, na pron\u00fancia de Sua Excel\u00eancia, ganhou baita acento no u. Virou monoss\u00edlaba em vez de diss\u00edlaba. A silabada doeu. Telespectadores de boa mem\u00f3ria lembraram trope\u00e7o de outro ministro da Educa\u00e7\u00e3o. Paulo Renato, no programa eleitoral gratuito, elogiava os avan\u00e7os que mestres, escolas e ensino experimentaram na administra\u00e7\u00e3o FHC. Pra coroar o discurso, brindou a todos com esta p\u00e9rola:<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 A educa\u00e7\u00e3o no governo Fernando Henrique Cardoso vai de encontro \u00e0s expectativas da sociedade. <BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDizem que FHC n\u00e3o perdeu a reelei\u00e7\u00e3o por pura sorte. Era s\u00e1bado. Os eleitores n\u00e3o assistiram ao programa. Se assistiram, n\u00e3o prestaram aten\u00e7\u00e3o. A caipirinha, o feij\u00e3o, o torresmo, paios, costelas, rabos, orelhas e couve falaram mais alto. Os tucanos d\u00e3o gra\u00e7as a Deus at\u00e9 hoje.<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Os opostos<\/STRONG> <BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPaulo Renato confundiu os contr\u00e1rios. De encontro a e ao encontro de se parecem, mas o sentido de uma se op\u00f5e ao da outra. Trocar as bolas s\u00f3 traz preju\u00edzos. Amores se rompem. Promo\u00e7\u00f5es se adiam. Reputa\u00e7\u00f5es se mancham. Valha-nos, Senhor amado!<BR><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>De encontro a <\/STRONG>significa contra, no sentido contr\u00e1rio, em oposi\u00e7\u00e3o: A ressurrei\u00e7\u00e3o da CPMF vai de encontro \u00e0s expectativas da sociedade. O carro foi de encontro \u00e0 \u00e1rvore. A queda do d\u00f3lar vai de encontro \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o dos exportadores.<br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Ao encontro de <\/STRONG>quer dizer em favor de, na dire\u00e7\u00e3o de: O pai caminhou ao encontro do filho. A melhora da qualidade do ensino vem ao encontro das necessidades do pa\u00eds. O respeito \u00e0 faixa de pedestres vem ao encontro da campanha Paz no Tr\u00e2nsito.&nbsp;<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>&nbsp;Como se diz?<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nFernando Haddad deslocou a s\u00edlaba t\u00f4nica da palavra. Em ruim, a fortona \u00e9 im. Ele a transferiu para ru. Cometeu uma silabada. Entrou no time dos que dizem r\u00fabrica em vez de rubrica, p\u00e9gada em lugar de pegada, N\u00f3bel em substitui\u00e7\u00e3o a Nobel.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nTelespectadores ouviram. Ficaram preocupados. Se Sua Excel\u00eancia cai numa dessas, manda o bom senso p\u00f4r as barbas de molho. &#8220;O que fazer?&#8221;, perguntaram ao blog. O Brasil n\u00e3o tem pron\u00fancia padr\u00e3o. Sem lei que defina esta ou aquela forma de dizer tal ou qual palavra, a l\u00edngua parece a casa-da-m\u00e3e-joana. Mas n\u00e3o \u00e9.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEmbora poucas, algumas normas se imp\u00f5em. Respeit\u00e1-las tem duas vantagens. Uma: pega bem \u00e0 be\u00e7a. O falante diz, sem dizer, que conhece as manhas da l\u00edngua. A outra: homenageia o ouvinte. Sem correr risco de pegar otite, a pessoa presta aten\u00e7\u00e3o ao recado, n\u00e3o aos ru\u00eddos da comunica\u00e7\u00e3o.&nbsp;<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>Uma dica<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nN\u00e3o pronuncie a consoante que vem antes de outra como se houvesse uma vogal entre elas. Diga ad-vogado, n\u00e3o ade-vogado; ad-ministra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o adi-minstra\u00e7\u00e3o; ad-vento, n\u00e3o adi-vento; ad-versativa, n\u00e3o adi-versativa; estag-nar, n\u00e3o estagui-nar; consig-nar, n\u00e3o consigui-nar; ab-solver, n\u00e3o abi-solver; ab-soluto, n\u00e3o abi-soluto; ab-surdo, n\u00e3o abi-surdo; ap-to, n\u00e3o \u00e1pi-to; cap-tar, n\u00e3o capi-tar; op-\u00e7\u00e3o, n\u00e3o opi-\u00e7\u00e3o. <BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nReparou? A intromiss\u00e3o da vogal n\u00e3o \u00e9 casual. Ela s\u00f3 ocorre depois de consoantes que n\u00e3o t\u00eam vez no fim da palavra. Em portugu\u00eas, nenhum voc\u00e1bulo acaba com d, b, p, g. O falante apela para o que o ouvido est\u00e1 acostumado a ouvir. Da\u00ed dar passagem \u00e0 penetra indesejada.&nbsp;<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>Outra dica<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nNo diminutivo, mantenha o som aberto ou fechado da palavra original. \u00c9 o caso de caf\u00e9, cafezinho; vov\u00f3, vovozinha; vov\u00f4, vovozinho; cola, colinha; j\u00f3ia, joinha; Joca, Joquinha; Jorge, Jorginho.<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>Mais uma<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nPonha a for\u00e7a na s\u00edlaba em que o til aparece. Sem acento, \u00e9 ela sempre a t\u00f4nica. Se n\u00e3o for, haver\u00e1 um grampinho pra indicar quem \u00e9 que manda no peda\u00e7o. Compare: irm\u00e3o e trai\u00e7\u00e3o com \u00f3rg\u00e3o e \u00f3rf\u00e3o; irm\u00e3 e alem\u00e3 com \u00edm\u00e3 e \u00f3rf\u00e3.<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>A mais importante<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nNa d\u00favida, recorra \u00e0s obras de consulta. Dicion\u00e1rios ajudam. Os dicion\u00e1rios de pron\u00fancia ajudam mais. Gram\u00e1ticas tamb\u00e9m socorrem os aflitos. No cap\u00edtulo que trata de fon\u00e9tica e fonologia, al\u00e9m das regras existentes, apresentam listas de palavras com pron\u00fancias duvidosas. M\u00e3os \u00e0 obra.<BR>&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Voc\u00ea viu? Se n\u00e3o viu, talvez tenha ouvido. Foi na quinta-feira \u2014 cedinho, os ponteiros n\u00e3o tinham marcado 7h30. O ministro da Educa\u00e7\u00e3o dava entrevista ao Bom-Dia, Brasil. Falava da melhora nos indicadores do ensino b\u00e1sico. Citava n\u00fameros e estat\u00edsticas. Dava exemplos. Comparava e confrontava. Era um entusiasmo s\u00f3. 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