{"id":1801,"date":"2008-06-17T18:00:00","date_gmt":"2008-06-17T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rascunhos\/"},"modified":"2008-06-17T18:00:00","modified_gmt":"2008-06-17T21:00:00","slug":"rascunhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rascunhos\/","title":{"rendered":"rascunhos"},"content":{"rendered":"<p>\u00aeMD112\u00af &shy; CTextSetter &shy; 151 Lines &shy; Depth 138.5 Picas &shy; 58.60 Cm. &shy; 58.60 Col Cm. &shy;<br \/>\nAten\u00e7\u00e3o, editor:<br \/>\nOs asteriscos viram macaquitas.<br \/>\nObrigada.<br \/>\nRecado<br \/>\n&#8220;A leitura solit\u00e1ria de romances era vista como um perigo para as jovens e mais ainda para as mulheres casadas.&#8221;<br \/>\nAna Elisa Ribeiro<br \/>\n\u00aeMDUL\u00af<br \/>\nLeitor pergunta<br \/>\nVolta e meia, algu\u00e9m \u00e9 classificado de &#8220;enigm\u00e1tico como esfinge&#8221;. O t\u00edtulo pertenceu a Greta Garbo. Mais recentemente passou para Jos\u00e9 Dirceu. Ele ficou uns 20 anos casado sem nunca ter revelado \u00e0 mulher a verdadeira identidade. V\u00e1 ser frio assim no P\u00f3lo Norte, s\u00f4! Minha quest\u00e3o: qual a origem da imagem?<br \/>\nClarice Beta, Caruaru<br \/>\nA Esfinge parecia mulher. Mas mulher n\u00e3o era. Tinha rosto e peito de mo\u00e7a. O corpo era de le\u00e3o. As asas, de urubu. E a cauda, de drag\u00e3o. A monstra veio n\u00e3o se sabe de onde. Instalou-se em Tebas (Gr\u00e9cia) no alto de um rochedo. Quando um viajante passava, ela o obrigava a parar. E exigia que ele desvendasse este enigma:<br \/>\n&shy; Qual o animal que tem quatro patas de manh\u00e3, duas ao meio-dia e tr\u00eas \u00e0 noite?<br \/>\nOs coitados n\u00e3o descobriam a resposta. Ela os devorava. Depois, lambia os bei\u00e7os de prazer. Um dia, \u00c9dipo passou por ali. A Esfinge pensou que mais uma comidinha estava no papo. Parou o rapaz e apresentou a mesma adivinha\u00e7\u00e3o. Ele respondeu rapidinho:<br \/>\n&shy; O homem. Engatinha de quatro. Caminha em duas pernas. E, quando fica velhinho, usa bengala.<br \/>\nFrustrada, ela se matou. Mas virou substantivo comum. Esfinge \u00e9 a pessoa calada, cheia de mist\u00e9rios. Um enigma. \u00aeMDUL\u00af<br \/>\n***<br \/>\nAdoro portugu\u00eas. Leio tudo sobre o assunto. Dicion\u00e1rios e gram\u00e1ticas s\u00e3o velhos companheiros meus. Mas uma li\u00e7\u00e3o nunca me saiu da cabe\u00e7a. Lembro-me quando o carrancudo professor de Portugu\u00eas nos disse para esquecermos as compara\u00e7\u00f5es &#8220;mais bem&#8221; e &#8220;mais mal&#8221;. Daquele dia em diante, s\u00f3 &#8220;melhor&#8221; e &#8220;pior&#8221; deveriam freq\u00fcentar nossas falas e cadernos. Acreditei piamente. Mas hoje tenho d\u00favida sobre o radicalismo do mestre. Estou certo?<br \/>\nAugusto Nardelli Pinto, Bras\u00edlia<br \/>\nCert\u00edssimo. Na \u00e2nsia de mudar a cabe\u00e7a da meninada, os professores ensinam meia verdade. Aprendida a li\u00e7\u00e3o, os mestres se esquecem da outra metadinha. Mais bem e mais mal se usam antes de partic\u00edpio: \u00aeMDUL\u00afmais bem classificado, mais mal classificado, \u00aeMDUL\u00afmais bem votado, mais mal votado.<br \/>\nMoral da hist\u00f3ria: meia verdade \u00e9 meia mentira.<br \/>\n\u00aeMDUL\u00af***<br \/>\nEstudo na quinta s\u00e9rie. Outro dia, estava escrevendo hist\u00f3rias que acontecem no meu jardim. Falava do jo\u00e3o-de-barro. Ele \u00e9 um p\u00e1ssaro muito prevenido. Constr\u00f3i uma casinha e, ao conclu\u00ed-la, come\u00e7a a construir outra de reserva. Em certo momento, precisei usar o plural da avezinha trabalhadeira. N\u00e3o soube. Voc\u00ea sabe?<br \/>\nJanice Bolas, Boa Vista<br \/>\nSei. \u00c9 jo\u00f5es-de-barro.<br \/>\nUma dica: em geral, os dicion\u00e1rios trazem os plurais diferentes. Voc\u00ea localiza o verbete no singular. No finzinho, est\u00e1 o plural.<br \/>\n***<br \/>\nH\u00e1 um dicion\u00e1rio circulando na internet. N\u00e3o \u00e9 grande. Tem uns 50 verbetes. Todos fazem rir. Onde est\u00e1 a gra\u00e7a? Na interpreta\u00e7\u00e3o dos voc\u00e1bulos ao p\u00e9 da letra. Mando alguns para os leitores da coluna:<br \/>\nun\u00e7\u00e3o \u00aeMDUL\u00af&shy; erro de concord\u00e2ncia muito freq\u00fcente. O correto seria &#8220;um \u00e9&#8221;.<br \/>\nvidente \u00aeMDUL\u00af&shy; dentista falando sobre seu trabalho.<br \/>\ntalento \u00aeMDUL\u00af&shy; caracter\u00edstica de alguma coisa devagar.<br \/>\nsossega \u00aeMDUL\u00af&shy; mulher desprovida de vis\u00e3o.<br \/>\nrodap\u00e9 \u00aeMDUL\u00af&shy; quem tinha carro, mas agora roda a p\u00e9.<br \/>\nsex\u00f3logo \u00aeMDUL\u00af&shy; sexo apressado.<br \/>\nbacanal \u00aeMDUL\u00af&shy; reuni\u00e3o de bacanas<br \/>\nleil\u00e3o \u00aeMDUL\u00af&shy; Leila com mais de dois metros de altura<br \/>\nlocadora \u00aeMDUL\u00af&shy; mulher maluca chamada Dora<br \/>\nCec\u00edlia Silva, Rio<br \/>\n***<br \/>\nV\u00edrgula antes do e? Sei que existe. Mas desconhe\u00e7o seus mist\u00e9rios. Pode desvend\u00e1-los?<br \/>\nIsabel Cristina, Pelotas<br \/>\nNum caso &shy; s\u00f3 num caso &shy; aparece v\u00edrgula antes do e. A conjun\u00e7\u00e3o curva-se \u00e0 necessidade de clareza. A\u00ed, o per\u00edodo precisa preencher duas condi\u00e7\u00f5es. Uma: as ora\u00e7\u00f5es devem ter sujeitos diferentes. A outra: a leitura r\u00e1pida deve dar margem a falso recado:<br \/>\n*\u00aeMDUL\u00afO Iraque atacou o Kuweit,\u00aeMDUL\u00af e\u00aeMDUL\u00af os Estados Unidos reagiram.<br \/>\nSem a v\u00edrgula, fica a impress\u00e3o de que o Iraque atacou os dois pa\u00edses. Errado. A v\u00edrgula evita a ambig\u00fcidade.<br \/>\nOutro exemplo:<br \/>\n*\u00aeMDUL\u00afBeija-\u00aeMDUL\u00afFlor leva o bi no Rio, e \u00aeMDUL\u00af S\u00e3o Clemente cai.<br \/>\nSem a v\u00edrgula, daria a impress\u00e3o de que a escola leva o bi no Rio e em S\u00e3o Clemente. \u00c9 demais. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00aeMD112\u00af &shy; CTextSetter &shy; 151 Lines &shy; Depth 138.5 Picas &shy; 58.60 Cm. &shy; 58.60 Col Cm. &shy; Aten\u00e7\u00e3o, editor: Os asteriscos viram macaquitas. Obrigada. Recado &#8220;A leitura solit\u00e1ria de romances era vista como um perigo para as jovens e mais ainda para as mulheres casadas.&#8221; Ana Elisa Ribeiro \u00aeMDUL\u00af Leitor pergunta Volta e meia, algu\u00e9m \u00e9 classificado de &#8220;enigm\u00e1tico como esfinge&#8221;. 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