{"id":1858,"date":"2008-06-26T09:00:00","date_gmt":"2008-06-26T12:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ruth_cardoso\/"},"modified":"2008-06-26T09:00:00","modified_gmt":"2008-06-26T12:00:00","slug":"ruth_cardoso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ruth_cardoso\/","title":{"rendered":"Ruth Cardoso"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\nDAD SQUARISI \/\/ <A href=\"mailto:dad.squarisi@correioweb.com.br\">dad.squarisi@correioweb.com.br<\/A><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMorar em Bras\u00edlia tem vantagens. Uma delas: conviver com o poder. Ministros, senadores, deputados, governador circulam como os demais mortais. Empurram carrinhos em supermercado, fazem compras em shopping, freq\u00fcentam restaurantes. Em suma: tiram o crach\u00e1 de autoridade.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDona Ruth n\u00e3o fugiu \u00e0 regra. De vez em quando a gente a encontrava. Era dif\u00edcil acreditar que a mulher discreta, de terninho e sapato baixo, era a moradora do Pal\u00e1cio da Alvorada. Na Academia de T\u00eanis, enfrentava a fila do ingresso. Comprava, pagava e guardava o troco na bolsa. Se algum curioso ou admirador lhe dirigia a palavra, ela sorria sol\u00edcita e falava as abobrinhas que se falam em salas de espera de cinema.<br \/>\n<A name=\"Save1\"><\/A>&nbsp;<br \/>\nEntre as tantas qualidades e defeitos, uma marca se destacava. Dona Ruth era, sobretudo, professora. Ela acreditava. Sabia que aprender \u00e9 mudar. E s\u00f3 muda quem quer. Por isso investia na capacidade de transforma\u00e7\u00e3o das pessoas e das comunidades. Descobria a voca\u00e7\u00e3o de cada uma e aplicava esfor\u00e7os na atualiza\u00e7\u00e3o das potencialidades adormecidas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVoltou-se, de um lado, para a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda. E, de outro, para a capacita\u00e7\u00e3o e treinamento profissional dos mais pobres. Qualificava, elevava a auto-estima e inseria homens e mulheres no mercado de trabalho. Seu projeto dava o anzol, ensinava a pescar e multiplicava peixes e pescadores. Sem alarde, criou uma rede de prote\u00e7\u00e3o social hoje unificada no Bolsa Fam\u00edlia.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAs mulheres mereceram cuidado especial. A antrop\u00f3loga que via longe promoveu programas capazes de diminuir a taxa de mortalidade materna, reduzir a gravidez precoce, prevenir doen\u00e7as, ampliar a informa\u00e7\u00e3o e diversificar o acesso aos meios contraceptivos seguros. Mais: incentivou o aumento da presen\u00e7a feminina na dire\u00e7\u00e3o de partidos pol\u00edticos, no Congresso Nacional e em altos cargos do Executivo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCom a autoridade que n\u00e3o se compra em supermercado, a mestra separava com lucidez a vida privada da p\u00fablica. Mal o marido assumiu a presid\u00eancia, paparazzi a fotografaram de mai\u00f4 na piscina do Alvorada. Ao se ver nas p\u00e1ginas dos jornais, ela reuniu a imprensa e fixou os limites da privacidade. Limites que ningu\u00e9m ousou desrespeitar \u2014 nem os boateiros ao descobrirem o affair de FHC.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n(artigo publicado na p\u00e1g. 28 do Correio Braziliense)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; DAD SQUARISI \/\/ dad.squarisi@correioweb.com.br &nbsp; Morar em Bras\u00edlia tem vantagens. Uma delas: conviver com o poder. Ministros, senadores, deputados, governador circulam como os demais mortais. Empurram carrinhos em supermercado, fazem compras em shopping, freq\u00fcentam restaurantes. Em suma: tiram o crach\u00e1 de autoridade. &nbsp; Dona Ruth n\u00e3o fugiu \u00e0 regra. De vez em quando a gente a encontrava. 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