{"id":19041,"date":"2019-03-04T09:04:24","date_gmt":"2019-03-04T12:04:24","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=19041"},"modified":"2019-03-04T09:06:23","modified_gmt":"2019-03-04T12:06:23","slug":"as-consoantes-usam-mascara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/as-consoantes-usam-mascara\/","title":{"rendered":"Consoantes usam m\u00e1scara"},"content":{"rendered":"<p>As consoantes s\u00e3o loucas por disfarces. Com elas, retornam os tempos das saturnais romanas. Eram festas que celebravam a volta da primavera. A esta\u00e7\u00e3o simboliza o renascer da natureza depois do rigor do inverno. Era per\u00edodo alegre. Os servidores p\u00fablicos entravam em recesso. Os tribunais fechavam as portas. Nenhum criminoso podia ser punido. Libertavam-se os escravos pra assistir aos festejos. As fam\u00edlias ofereciam banquetes.<\/p>\n<p>Durante as celebra\u00e7\u00f5es, invertiam-se posi\u00e7\u00f5es sociais. Os escravos davam ordens aos senhores. Os senhores lhes serviam iguarias \u00e0 mesa. Todos se mascaravam pra se sentirem mais \u00e0 vontade. H\u00e1 quem diga que as m\u00e1scaras nasceram a\u00ed. Verdade ou fantasia, uma coisa \u00e9 certa. As consoantes adoraram a indument\u00e1ria. Usam-na \u00e0s claras. Elas obedecem a v\u00e1rias leis. Uma delas: quanto mais confus\u00e3o melhor. Pra obedecer \u00e0 determina\u00e7\u00e3o, nada mais adequado que usar e abusar das m\u00e1scaras. Com elas, uma letra multiplica os sons. E, claro, d\u00e1 n\u00f3 nos miolos dos pobres mortais.<\/p>\n<p><strong>X<\/strong><\/p>\n<p>Vale o exemplo do <strong>x<\/strong>. A danadinha adora trocar os disfarces. Em certas palavras, pronuncia-se ch (enxoval). Em outras, z (exame). Em outras, ainda, s (excel\u00eancia). Chega? N\u00e3o. H\u00e1 os casos em que a gloriosa soa ks (t\u00e1xi). Ufa!<\/p>\n<p><strong>C<\/strong><\/p>\n<p>Uma ilustre senhora tem fasc\u00ednio por fantasias, m\u00e1scaras e badulaques. Quem \u00e9? \u00c9 a letra <strong>c<\/strong>. Seguida de <strong>a<\/strong>, <strong>o<\/strong> e <strong>u<\/strong>, soa k (casa, coisa, cuia). Seguida de <strong>e<\/strong> e <strong>i<\/strong>, pronuncia-se c\u00ea (cedo, cidade). Partid\u00e1rio do s, o c teima em soar c\u00ea quando seguido de <strong>a<\/strong>, <strong>o<\/strong>, <strong>u<\/strong>. Recorre, ent\u00e3o, \u00e0 marca que faz o Brasil Brasil. D\u00e1 um jeito. Cal\u00e7a um sapatinho e ganha a parada (cal\u00e7ado, a\u00e7o, a\u00e7ude).<\/p>\n<p><strong>S<\/strong><\/p>\n<p>O s, ent\u00e3o, abusa. No come\u00e7o da palavra, soa c\u00ea (sala). Entre duas vogais, z (pesquisa). \u00c9 a\u00ed que a porca torce o rabo. Caprichoso, o vers\u00e1til quer manter a originalidade entre duas vogais. Imposs\u00edvel? Ele d\u00e1 um jeito. Apresenta-se em dose dupla (massa). Mant\u00e9m a originalidade tamb\u00e9m quando aparece entre vogal e consoante (cansar). Ops! Em tr\u00e2nsito, ele se exibe entre n e i. Mas soa z. Quem entende?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As consoantes s\u00e3o loucas por disfarces. Com elas, retornam os tempos das saturnais romanas. Eram festas que celebravam a volta da primavera. A esta\u00e7\u00e3o simboliza o renascer da natureza depois do rigor do inverno. Era per\u00edodo alegre. Os servidores p\u00fablicos entravam em recesso. Os tribunais fechavam as portas. Nenhum criminoso podia ser punido. Libertavam-se os escravos pra assistir aos festejos. As fam\u00edlias ofereciam banquetes. 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