{"id":19168,"date":"2019-03-24T13:37:42","date_gmt":"2019-03-24T16:37:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=19168"},"modified":"2019-03-24T13:37:42","modified_gmt":"2019-03-24T16:37:42","slug":"seu-e-sua-xo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/seu-e-sua-xo\/","title":{"rendered":"Seu e sua: x\u00f4!"},"content":{"rendered":"<p>George Simenon escrevia romances policiais pra l\u00e1\u00a0de instigantes. O segredo dele: \u201cLivro-me de todo voc\u00e1bulo que est\u00e1 na frase s\u00f3 para enfeitar&#8230; ou atrapalhar\u201d. O homem faxinava o texto. Cortava palavras.<\/p>\n<p>Quais? <em>Seu<\/em> e <em>sua<\/em>. Eles s\u00e3o aparentemente inofensivos. Mas causam senhores estragos. Sabe por qu\u00ea? \u00c0s vezes, d\u00e3o duplo sentido \u00e0 declara\u00e7\u00e3o. Acontece, ent\u00e3o, o que M\u00e1rio Quintana sintetizou: \u201cVoc\u00ea pensa uma coisa. Escreve outra. A pessoa entende outra. E a coisa propriamente dita desconfia que n\u00e3o foi dita\u201d. Veja:<\/p>\n<p>O <em>presidente garantiu aos parlamentares que o seu esfor\u00e7o levaria \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da reforma. <\/em><\/p>\n<p>Esfor\u00e7o de quem? Dos parlamentares? Do presidente? A frase \u00e9 amb\u00edgua. Permite dupla leitura. O que fazer? Partir para o troca-troca. Substituir o possessivo pelo pronome <em>dele<\/em>:<\/p>\n<p><em>O<\/em> <em>presidente garantiu aos parlamentares que o esfor\u00e7o dele <\/em>(ou deles) <em>levaria \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o da emenda. <\/em><\/p>\n<p><strong>Por falar nisso&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Certas palavras rejeitam o possessivo. Aproxim\u00e1-los \u00e9\u00a0briga certa. Gente boa, evite confus\u00f5es. N\u00e3o o use com:<\/p>\n<ol>\n<li>as partes do corpo: <em>Na batida, quebrou a perna <\/em>(nunca sua perna). <em>Arranhou o rosto. Fraturou os dedos. <\/em><\/li>\n<li>os objetos de uso pessoal: <em>Cal\u00e7ou os sapatos <\/em>(n\u00e3o seus sapatos). <em>P\u00f4s os \u00f3culos. Vestiu a saia. <\/em><\/li>\n<li>as qualidades do esp\u00edrito: <em>Perdeu a consci\u00eancia <\/em>(n\u00e3o sua consci\u00eancia). <em>Mudou a mentalidade <\/em>(n\u00e3o sua mentalidade).<\/li>\n<\/ol>\n<p>Dica: em 90% dos casos, o possessivo sobra. X\u00f4! Assim: <em>Paulo fez a <\/em>(sua) <em>reda\u00e7\u00e3o. Pegou o <\/em>(seu) <em>carro. Perdeu as <\/em>(suas) <em>chaves. <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 isso. Escrever \u00e9 cortar. Ou trocar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>George Simenon escrevia romances policiais pra l\u00e1\u00a0de instigantes. O segredo dele: \u201cLivro-me de todo voc\u00e1bulo que est\u00e1 na frase s\u00f3 para enfeitar&#8230; ou atrapalhar\u201d. O homem faxinava o texto. Cortava palavras. Quais? Seu e sua. Eles s\u00e3o aparentemente inofensivos. Mas causam senhores estragos. Sabe por qu\u00ea? \u00c0s vezes, d\u00e3o duplo sentido \u00e0 declara\u00e7\u00e3o. Acontece, ent\u00e3o, o que M\u00e1rio Quintana sintetizou: \u201cVoc\u00ea pensa uma coisa. Escreve [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[203],"tags":[52,221,281,137,693,694],"class_list":["post-19168","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-portugues","tag-clareza","tag-estilo","tag-nao-usar","tag-pronome-possessivo","tag-seu","tag-sua"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=19168"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19168\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19169,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/19168\/revisions\/19169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=19168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=19168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=19168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}