{"id":19379,"date":"2019-04-14T18:59:03","date_gmt":"2019-04-14T21:59:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=19379"},"modified":"2019-04-14T18:59:03","modified_gmt":"2019-04-14T21:59:03","slug":"infinitivo-quando-flexionar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/infinitivo-quando-flexionar\/","title":{"rendered":"Infinitivo: quando flexionar"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O portugu\u00eas\u00a0\u00e9\u00a0uma l\u00edngua \u00fanica. Tem dois infinitivos: o impessoal e o pessoal. O impessoal \u00e9\u00a0o nome do verbo (cantar, vender, partir, p\u00f4r). N\u00e3o tem sujeito e, por isso, n\u00e3o se flexiona. Com o pessoal, a hist\u00f3ria muda de enredo. Ele tem sujeito. E n\u00e3o foge \u00e0 regra: concorda com o mandachuva (para eu viajar, tu viajares, ele viajar, n\u00f3s viajarmos, v\u00f3s viajardes, eles viajarem). Quando flexion\u00e1-lo? Em um caso. No mais, a clareza ditar\u00e1 a regra.<\/p>\n<p><strong>Flex\u00e3o obrigat\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Rigorosamente, s\u00f3 \u00e9 obrigat\u00f3ria a flex\u00e3o quando o infinitivo tem sujeito pr\u00f3prio, diferente do sujeito da ora\u00e7\u00e3o principal:<\/p>\n<p><em>Esta \u00e9 a \u00faltima chance de <\/em><strong>o futebol e o basquete<\/strong> devolverem a alegria \u00e0 torcida. (O sujeito da 1<sup>a<\/sup> ora\u00e7\u00e3o \u00e9 <em>esta<\/em>; da 2<sup>a<\/sup>, o <em>futebol<\/em> e o <em>basquete<\/em>.)<\/p>\n<p><em>Sa\u00ed\u00a0 mais cedo para <\/em><strong>irmos<\/strong> ao circo.<\/p>\n<p>Se o infinitivo n\u00e3o estivesse flexionado (<em>sa\u00ed<\/em> mais cedo para ir ao circo), a frase estaria correta, mas trairia a verdade. Quem vai ao circo n\u00e3o sou eu, mas n\u00f3s.<\/p>\n<p><strong>Flex\u00e3o facultativa <\/strong><\/p>\n<p><strong>Se o sujeito da ora\u00e7\u00e3o principal e o da subordinada forem os mesmos<\/strong>:<\/p>\n<p><em>Sa\u00edmos<\/em> <em>mais cedo para ir ao circo. <\/em>Quem saiu mais cedo? N\u00f3s. Quem vai ao circo? N\u00f3s (quando o sujeito da segunda ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 expresso, significa que \u00e9 o mesmo da primeira). <em>Fechamos (n\u00f3s) a janela para n\u00e3o sentir (n\u00f3s) frio<\/em>. (Se voc\u00ea<em> f<\/em>az quest\u00e3o de refor\u00e7ar o sujeito, d\u00ea passagem \u00e0 flex\u00e3o: <em>Sa\u00edmos<\/em> <em>mais cedo para <\/em>irmos <em>ao circo. Fechamos a janela para n\u00e3o sentirmos frio.) <\/em><\/p>\n<p>Exce\u00e7\u00e3o: Nem todos s\u00e3o iguais perante as regras. Alguns s\u00e3o mais iguais. No infinitivo, os mais iguais s\u00e3o os verbos <em>mandar<\/em>, <em>fazer<\/em>, <em>deixar<\/em>, <em>ver<\/em> e <em>ouvir<\/em>. Com eles, a flex\u00e3o \u00e9 facultativa mesmo com sujeitos diferentes. Voc\u00ea\u00a0pode dizer: <em>Vi os dois sair (ou sa\u00edrem) da sala. Ouvi os c\u00e3es latir (ou latirem). Deixai vir (ou virem) a mim as criancinhas. Fiz os alunos estudar (ou estudarem) mais. Governo manda os funcion\u00e1rios <\/em>devolver <em>(ou devolverem) o dinheiro. <\/em><\/p>\n<p><strong>Cuidado<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li><strong>Se o sujeito for um pronome \u00e1tono, o infinitivo s\u00f3\u00a0pode ficar no singular<\/strong>: <em>Vi-<strong>os<\/strong> deixar a sala mais cedo. Ouvi-<strong>as<\/strong> chegar. Deixei-<strong>os<\/strong> sair. Press\u00e3o sindical f\u00ea<\/em><strong>-los<\/strong> <em>recuar. Governo manda-<\/em><strong>os <\/strong><em>devolver dinheiro.<\/em><\/li>\n<li><strong>Se o infinitivo for precedido de preposi\u00e7\u00e3o<\/strong>: <em>Esses s\u00e3o os temas <\/em><strong>a<\/strong> <em>ser tratados. H\u00e1 formas <\/em><strong>a<\/strong> <em>ser desenvolvidas pelos expositores. Muitas de suas afirma\u00e7\u00f5es s\u00e3o abrangentes demais <\/em><strong>para<\/strong> <em>ser aceitas ao p\u00e9 da letra. Os<\/em> <em>presentes foram for\u00e7ados <\/em><strong>a<\/strong> <em>sair. Os<\/em> <em>clientes eram obrigados <\/em><strong>a<\/strong> <em>esperar duas horas na fila. As for\u00e7as policiais impediram os jornalistas <\/em><strong>de<\/strong> <em>trabalhar. Estudamos <\/em><strong>para<\/strong> <em>aprender. Os<\/em> <em>trabalhadores pararam <\/em><strong>para<\/strong><em> reivindicar melhores sal\u00e1rios. <\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Flex\u00e3o proibida<\/strong><\/p>\n<p>Se o princ\u00edpio b\u00e1sico que rege o emprego do infinitivo \u00e9 a clareza, n\u00e3o se deve flexion\u00e1-lo quando a presen\u00e7a de outros \u00edndices \u00e9 capaz de marcar o sujeito do verbo, como:<\/p>\n<ol>\n<li>nas locu\u00e7\u00f5es verbais, em que a desin\u00eancia do auxiliar j\u00e1 indica o sujeito: <em>Conseguimos sair cedo porque adiantamos o trabalho do fim de semana. <\/em><\/li>\n<li>quando n\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancia a nenhum sujeito: \u201cNavegar \u00e9 preciso, viver n\u00e3o \u00e9 preciso\u00b4\u00b4.<\/li>\n<li>quando, precedido da preposi\u00e7\u00e3o <em>de<\/em>, tem sentido passivo e completa adjetivos como <em>f\u00e1cil, dif\u00edcil, bom<\/em>: <em>Livros bons de ser lidos (serem lidos). Trabalhos dif\u00edceis de fazer (serem feitos). A\u00e7\u00f5es pass\u00edveis de contestar (serem contestadas). Joias raras de encontrar (serem encontradas).<\/em><\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O portugu\u00eas\u00a0\u00e9\u00a0uma l\u00edngua \u00fanica. Tem dois infinitivos: o impessoal e o pessoal. O impessoal \u00e9\u00a0o nome do verbo (cantar, vender, partir, p\u00f4r). N\u00e3o tem sujeito e, por isso, n\u00e3o se flexiona. Com o pessoal, a hist\u00f3ria muda de enredo. Ele tem sujeito. E n\u00e3o foge \u00e0 regra: concorda com o mandachuva (para eu viajar, tu viajares, ele viajar, n\u00f3s viajarmos, v\u00f3s viajardes, eles viajarem). 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