{"id":1959,"date":"2008-07-02T00:00:00","date_gmt":"2008-07-02T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_olho_trai\/"},"modified":"2008-07-02T00:00:00","modified_gmt":"2008-07-02T03:00:00","slug":"o_olho_trai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_olho_trai\/","title":{"rendered":"O olho trai"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/02057568f975818078449683f19a363f.jpg\"><br \/>\n\u00c9 aluga-se casas pra c\u00e1. Conserta-se pneus pra l\u00e1. Vende-se frutas pracol\u00e1. De tanto ver o usurpador t\u00e3o \u00e0 vontade, o olho se acostuma. Convence-se de que o mau car\u00e1ter \u00e9 dono e senhor do peda\u00e7o. A\u00ed n\u00e3o d\u00e1 outra. Ao se deparar com o propriet\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o, duvida da obra que se apresenta com escritura registrada em cart\u00f3rio.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u00c9 o caso de Jo\u00e3o Marcelo, Rafael e Malu. &#8220;Procuram-se focas&#8221;, leram eles em an\u00fancio do jornal. Estranharam. N\u00e3o seria &#8220;procura-se&#8221;?&nbsp;Nem pensar.&nbsp;Trata-se da passiva com <I>se<\/I>. Nas formas em que o pronome aparece, facilmente se trope\u00e7a na concord\u00e2ncia. Mas h\u00e1 jeitos de escapar da queda. Bastam dois passos. Um: analisar a frase. O outro: seguir o roteiro proposto. Com eles, a alternativa \u00e9 acertar ou acertar.<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPrimeiro passo<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nProcure o sujeito da ora\u00e7\u00e3o<\/B>. O verbo, como de regra, deve concordar com ele: <I>Procuram-se digitadores<\/I> (que \u00e9 que se procura? Digitadores, sujeito). <I>Adotou-se medida severa contra a bebedeira no tr\u00e2nsito.<\/I> (que \u00e9 que se adotou? Medida severa, sujeito). <I>No Brasil, comemoram-se alguns dias<\/I> <I>santos<\/I> (que \u00e9 que se comemora? Alguns dias santos, sujeito). <I>Fizeram-se altera\u00e7\u00f5es no projeto original<\/I> (que \u00e9 que se fez? Altera\u00e7\u00f5es, sujeito).<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSegundo passo<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nApele para o troca-troca<\/B>. Construa a frase com o verbo <I>ser<\/I>. Se ele for para o plural, o verbo da ora\u00e7\u00e3o com <I>se<\/I> tamb\u00e9m ir\u00e1. Caso contr\u00e1rio, nada feito: <I>Procuram-se digitadores<\/I> (digitadores s\u00e3o procurados). <I>Adotou-se medida severa contra a bebedeira no tr\u00e2nsito<\/I> (medida severa foi adotada). <I>No Brasil, comemoram-se alguns dias santos<\/I> (alguns dias santos s\u00e3o comemorados). <I>Fizeram-se altera\u00e7\u00f5es no projeto original<\/I> (altera\u00e7\u00f5es foram feitas no projeto original).<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAn\u00fancios falsos<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNa abertura da coluna, aparecem tr\u00eas an\u00fancios pra l\u00e1 de repetidos. Um deles: Aluga-se casas. Outro: Conserta-se pneus. O \u00faltimo: Vende-se frutas. Raparou? O trio trope\u00e7ou na concord\u00e2ncia. Que tal fazer as pazes com a norma culta? \u00c9 f\u00e1cil. Socorro, verbo ser:<I><br \/>\nCasas s\u00e3o alugadas. Alugam-se casas.<br \/>\nPneus s\u00e3o consertados. Consertam-se pneus.<br \/>\nFrutas s\u00e3o vendidas. Vendem-se frutas.<\/I><B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nComplicador<br \/>\n&nbsp;<\/B><br \/>\nA passiva com <I>se<\/I> pode ser constru\u00edda com auxiliar. No caso, dois verbos fazem as vezes de um. Com eles a regra n\u00e3o muda. Mas s\u00f3 o auxiliar se flexiona. Veja:<br \/>\nPodem-se citar exemplos. (Exemplos podem ser citados.)<br \/>\nDevem-se mencionar tr\u00eas epis\u00f3dios. (Tr\u00eas epis\u00f3dios devem ser mencionados.)<br \/>\nDeve-se mencionar o epis\u00f3dio principal. (O epis\u00f3dio principal deve ser mencionado.)<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAten\u00e7\u00e3o, marinheiro <\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNem sempre o <I>se<\/I> \u00e9 pronome apassivador. H\u00e1 frases em que o verbo se mant\u00e9m na 3\u00aa pessoa do singular embora esteja acompanhado do monoss\u00edlabo: <I>Precisa-se de vendedores com experi\u00eancia. Trata-se de problemas antigos. Viaja-se muito bem de carro pelas estradas de S\u00e3o Paulo. Dorme-se bem em Bras\u00edlia.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPercebeu a diferen\u00e7a? Quando o <I>se<\/I> \u00e9 pronome apassivador, a ora\u00e7\u00e3o tem sujeito. O verbo precisa concordar com ele. Quando n\u00e3o \u00e9, o verbo se mant\u00e9m na 3\u00aa pessoa do singular.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm geral, quando se est\u00e1 diante de uma ora\u00e7\u00e3o na voz passiva, o verbo \u00e9 seguido de substantivo sem aux\u00edlio de preposi\u00e7\u00e3o (Freq\u00fcentam-se bons restaurantes em Bras\u00edlia).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSe n\u00e3o estiver na voz passiva, ocorrem duas possibilidades:<br \/>\n1.&nbsp;O verbo ser\u00e1 acompanhado de preposi\u00e7\u00e3o: <I>Precisa-se <B>de<\/B> oper\u00e1rios. Trata-se <B>de<\/B> problemas dom\u00e9sticos.<\/I><br \/>\n2. O verbo n\u00e3o ser\u00e1 seguido de substantivo: <I>Come-se bem em Bras\u00edlia. Trabalha-se muito na empresa.<\/I><br \/>\n<DIV><\/DIV><br \/>\n<DIV class=\"OutlookMessageHeader\" lang=\"pt-br\" dir=\"ltr\" align=\"left\">&nbsp;<\/DIV><br \/>\n<DIV class=\"OutlookMessageHeader\" lang=\"pt-br\" dir=\"ltr\" align=\"left\">&nbsp;<\/DIV><br \/>\n<DIV class=\"OutlookMessageHeader\" lang=\"pt-br\" dir=\"ltr\" align=\"left\">&nbsp;<\/DIV><br \/>\n<DIV class=\"OutlookMessageHeader\" lang=\"pt-br\" dir=\"ltr\" align=\"left\">&nbsp;<\/DIV><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 aluga-se casas pra c\u00e1. Conserta-se pneus pra l\u00e1. Vende-se frutas pracol\u00e1. De tanto ver o usurpador t\u00e3o \u00e0 vontade, o olho se acostuma. Convence-se de que o mau car\u00e1ter \u00e9 dono e senhor do peda\u00e7o. A\u00ed n\u00e3o d\u00e1 outra. Ao se deparar com o propriet\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o, duvida da obra que se apresenta com escritura registrada em cart\u00f3rio. &nbsp; \u00c9 o caso de Jo\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1959","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1959","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1959"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1959\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}