{"id":1966,"date":"2008-07-03T08:30:00","date_gmt":"2008-07-03T11:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ou_beber_ou_dirigir\/"},"modified":"2008-07-03T08:30:00","modified_gmt":"2008-07-03T11:30:00","slug":"ou_beber_ou_dirigir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ou_beber_ou_dirigir\/","title":{"rendered":"Ou beber, ou dirigir"},"content":{"rendered":"<p><A name=\"Save1\"><\/A>&nbsp;<br \/>\nDAD SQUARISI \/\/ <A href=\"mailto:dad.squarisi@correioweb.com.br\">dad.squarisi@correioweb.com.br<\/A><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO assunto \u00e9 um s\u00f3. No trabalho, na escola ou em casa s\u00f3 se fala na lei seca. Tev\u00eas, r\u00e1dios e jornais dedicam espa\u00e7os generosos \u00e0 bebedeira de motoristas. N\u00e3o faltam cenas dram\u00e1ticas de cad\u00e1veres no asfalto. Ou de fam\u00edlias destro\u00e7adas com a perda de pai, m\u00e3e ou filhos sob as rodas de carros. Ou de corpos esmagados entre ferragens do que pouco antes era meio de transporte. Apesar das trag\u00e9dias ao vivo e em cores, n\u00e3o faltam vozes lamurientas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nReclamam sobretudo da priva\u00e7\u00e3o da bebida. Sentem-se tolhidos na liberdade de tomar um chopinho no s\u00e1bado \u00e0 tarde, um vinho no jantar com o parceiro, um uisquinho na roda de amigos. &#8220;At\u00e9 bombom com licor, ou a sobremesa de papaia com cassis, ou o uso de antiss\u00e9ptico bucal se tornaram crimes.&#8221; Sem falar no vexame de, apanhados, acabarem diante das c\u00e2meras ou atr\u00e1s das grades. Empres\u00e1rios refor\u00e7am o coro carpideiro. Choram a redu\u00e7\u00e3o da clientela, os estoques imobilizados, a queda no faturamento.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCriaturas t\u00e3o zelosas dos direitos se esquecem de pormenor anterior a toda a argumenta\u00e7\u00e3o apresentada. Ningu\u00e9m est\u00e1 proibido de beber. Encharcar-se at\u00e9 cair na cal\u00e7ada \u00e9 problema de cada um. Mas, se bebeu, n\u00e3o tem de tocar no volante. Donos de bares e restaurantes n\u00e3o t\u00eam do que reclamar. Os clientes poder\u00e3o continuar a farra et\u00edlica sem constrangimentos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nViver em sociedade implica limites. Hoje s\u00f3 podemos retirar R$ 100 do caixa eletr\u00f4nico entre as 22h e as 6h. J\u00e1 retiramos valores maiores. Pa\u00edses que tanto admiramos estabelecem barreiras r\u00edgidas entre o direito individual e o coletivo. Na \u00c1ustria, por exemplo, quem mora em apartamento tem de ficar de olho no rel\u00f3gio. Depois das 22h, n\u00e3o pode puxar a descarga, nem abrir a porta do elevador, nem subir e descer escadas cal\u00e7ado. O barulho perturba o sono do vizinho.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm Washington, anfitri\u00e3o que oferece \u00e1lcool aos convidados \u00e9 co-respons\u00e1vel pelo acidente do tr\u00e2nsito. Em Singapura, mascar chiclete d\u00e1 cadeia. Aqui, beber \u00e9 livre. Dirigir tamb\u00e9m. O proibido \u00e9 adicionar as duas a\u00e7\u00f5es. Beber e dirigir? N\u00e3o. A conjun\u00e7\u00e3o \u00e9 outra \u2014 ou beber, ou dirigir.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n(artigo publicado na p\u00e1g. 22 do Correio Braziliense)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; DAD SQUARISI \/\/ dad.squarisi@correioweb.com.br &nbsp; O assunto \u00e9 um s\u00f3. No trabalho, na escola ou em casa s\u00f3 se fala na lei seca. Tev\u00eas, r\u00e1dios e jornais dedicam espa\u00e7os generosos \u00e0 bebedeira de motoristas. N\u00e3o faltam cenas dram\u00e1ticas de cad\u00e1veres no asfalto. Ou de fam\u00edlias destro\u00e7adas com a perda de pai, m\u00e3e ou filhos sob as rodas de carros. 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