{"id":2015,"date":"2008-07-10T00:00:00","date_gmt":"2008-07-10T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mocinhos_bandidos\/"},"modified":"2008-07-10T00:00:00","modified_gmt":"2008-07-10T03:00:00","slug":"mocinhos_bandidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/mocinhos_bandidos\/","title":{"rendered":"Mocinhos bandidos"},"content":{"rendered":"<p><A name=\"Save1\"><\/A>&nbsp;<br \/>\nDAD SQUARISI \/\/ <A href=\"mailto:dad.squarisi@correioweb.com.br\">dad.squarisi@correioweb.com.br<\/A><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDe um lado, a pol\u00edcia. Homens fardados atiram a torto e a direito. De outro, a popula\u00e7\u00e3o. Adultos e crian\u00e7as servem de alvo para os tiros vindos sabe-deus-de-onde. \u00c9 a velha guerra urbana que se amplia no Rio. Antes, a trucul\u00eancia policial se restringia aos morros. Ali matava por atacado. As v\u00edtimas eram &#8220;bandidos&#8221; cuja morte representava um &#8220;marginal a menos&#8221;.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA classifica\u00e7\u00e3o n\u00e3o discriminava pessoas. Abrangia o morador da favela, ainda que tivesse menos de 5, 10 ou 12 anos. Aos poucos, a a\u00e7\u00e3o dos &#8220;mocinhos&#8221; desceu pra plan\u00edcie. Chegou a Ipanema, Tijuca e Leblon. Os cad\u00e1veres, at\u00e9 ent\u00e3o de pele negra e cara pobre, ganharam excel\u00eancia. Louros de olhos azuis e roupa de grife entraram na estat\u00edstica da carnificina.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEm suma: a pol\u00edcia n\u00e3o mudou. Os agentes da seguran\u00e7a p\u00fablica continuam a dividir os cariocas em dois grupos \u2014 n\u00f3s e os outros. Os outros \u2014 a popula\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 que mudaram. Cresceram em n\u00famero e diversificaram a classe social. Mas, para os donos da farda, do rev\u00f3lver e da sirene, mant\u00eam o estigma. S\u00e3o o inimigo. E, como inimigo, precisam ser eliminados.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAs a\u00e7\u00f5es b\u00e1rbaras se enquadram na s\u00edndrome da viol\u00eancia. S\u00edndrome, diz o dicion\u00e1rio, \u00e9 conjunto de sintomas ligados a determinada doen\u00e7a. A viol\u00eancia indiscriminada \u00e9 enfermidade social que se manifesta por certos ind\u00edcios. O mais importante: negar individualidade ao inimigo. N\u00e3o lhe dar um rosto. N\u00e3o v\u00ea-lo como gente de carne e osso que tem nome, pai, m\u00e3e, irm\u00e3os, filhos, amigos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDa\u00ed o choque provocado pelo sorriso estampado na foto de Daniel Duque. O pacato rapazinho de 18 anos foi baleado por um PM ao sair de boate onde comemorava o anivers\u00e1rio de amigo com amigos. O choro da m\u00e3e desesperada doeu como soco no est\u00f4mago. A mesma sensa\u00e7\u00e3o provocou o desabafo impotente do pai de Jo\u00e3o Roberto \u2014 garoto de tr\u00eas anos metralhado quando voltava pra casa com a m\u00e3e o irm\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAs v\u00edtimas com rosto, nome e endere\u00e7o escancaram a dimens\u00e3o da trag\u00e9dia \u2014 ningu\u00e9m est\u00e1 livre da sanha assassina. Os n\u00fameros falam alto. A pol\u00edcia do Rio mata mais que os criminosos de S\u00e3o Paulo. Em 2007, de cada 100 mil habitantes, a farda ceifou a vida de 14. Na capital paulista, a taxa geral de homic\u00eddios foi de 12,1 por 100 mil, com participa\u00e7\u00e3o fardada de 1,8 por igual contingente. Precisa de mais?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n(artigo publicado na p\u00e1g. 26 do&nbsp;Correio Brziliense)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; DAD SQUARISI \/\/ dad.squarisi@correioweb.com.br &nbsp; De um lado, a pol\u00edcia. Homens fardados atiram a torto e a direito. De outro, a popula\u00e7\u00e3o. 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