{"id":2022,"date":"2008-07-11T00:00:00","date_gmt":"2008-07-11T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/encher_linguica_ja_era\/"},"modified":"2008-07-11T00:00:00","modified_gmt":"2008-07-11T03:00:00","slug":"encher_linguica_ja_era","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/encher_linguica_ja_era\/","title":{"rendered":"Encher ling\u00fci\u00e7a j\u00e1 era"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEra uma vez um comerciante do mercado p\u00fablico de Porto Alegre. Ele vendia sardinhas, dourados, tambaquis, pirarucus e surubins. O neg\u00f3cio prosperava a olhos vistos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCerto dia, cheio de entusiasmo, o ga\u00facho resolveu inovar. Mandou afixar um enorme cartaz com os dizeres \u201cHoje vendemos peixe fresco\u201d. Olhou de longe. Gostou do resultado. Orgulhoso, perguntou ao cliente:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; O que voc\u00ea acha da novidade?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; \u00c9, est\u00e1 boa. Mas me diga uma coisa: voc\u00ea vende peixe velho? N\u00e3o? ent\u00e3o para que o fresco?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nApagou o adjetivo. Ficou \u201cHoje vendemos peixe\u201d.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; E agora?, indagou interessado.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; Para que o hoje? Hoje \u00e9 hoje.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRestou \u201cVendemos peixe\u201d.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8212; Por acaso voc\u00ea d\u00e1 peixe? N\u00e3o? O vendemos sobra.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo final, o vendedor tirou o cartaz. Quem chega v\u00ea o peixe. N\u00e3o precisa de an\u00fancio.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO que a hist\u00f3ria do peixeiro tem a ver conosco? Ela ensina uma li\u00e7\u00e3o. Quem escreve tem que ser sovina. Economizar palavras poupa tempo, espa\u00e7o e\u2026 a paci\u00eancia do leitor. Por isso, livre-se dos excessos. Como?<br \/>\n<B><\/B>&nbsp;<br \/>\n<B>Elimine palavras ou express\u00f5es desnecess\u00e1rias: <\/B>em vez de<STRONG> <\/STRONG>neste momento n\u00f3s acreditamos, diga acreditamos. Em lugar de travar uma discuss\u00e3o, escreva discutir; fazer uma viagem, viajar; p\u00f4r moedas em circula\u00e7\u00e3o, emitir moeda.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMais: troque atos de natureza sentimental por atos sentimentais; leis de \u00e2mbito federal por lei federal; curso em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o por curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o; doen\u00e7a de natureza sexual por doen\u00e7a sexual. E por a\u00ed vai.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nResumo da opereta: cultivar a economia verbal \u00e9 o primeiro passo para chegar ao estilo enxuto. Cada palavra, cada frase, cada par\u00e1grafo t\u00eam que estar impregnados de sentido. Encher ling\u00fci\u00e7a j\u00e1 era.&nbsp;<BR>&nbsp;<BR><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp; Era uma vez um comerciante do mercado p\u00fablico de Porto Alegre. Ele vendia sardinhas, dourados, tambaquis, pirarucus e surubins. O neg\u00f3cio prosperava a olhos vistos. &nbsp; Certo dia, cheio de entusiasmo, o ga\u00facho resolveu inovar. Mandou afixar um enorme cartaz com os dizeres \u201cHoje vendemos peixe fresco\u201d. Olhou de longe. Gostou do resultado. Orgulhoso, perguntou ao cliente: &nbsp; &#8212; O que voc\u00ea acha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2022","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2022","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2022"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2022\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2022"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2022"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2022"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}