{"id":20415,"date":"2019-08-07T09:08:51","date_gmt":"2019-08-07T12:08:51","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=20415"},"modified":"2019-08-07T09:08:51","modified_gmt":"2019-08-07T12:08:51","slug":"etimologia-maraja-nhem-nhem-nhem-tro-lo-lo-tosco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/etimologia-maraja-nhem-nhem-nhem-tro-lo-lo-tosco\/","title":{"rendered":"Etimologia: maraj\u00e1, nhem-nhem-nhem, tr\u00f3-l\u00f3-l\u00f3, tosco"},"content":{"rendered":"<p>Palavras viram moda sem querer. Ningu\u00e9m as inventa. Elas est\u00e3o quietinhas, guardadas no ba\u00fa da l\u00edngua. A\u00ed, acontece. Algu\u00e9m as tira de l\u00e1. Surpreende. As antes desconhecidas ganham notoriedade. H\u00e1 exemplos pra dar, vender e emprestar. Quer ver?<\/p>\n<p><strong>Maraj\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>Fernando Collor descobriu maraj\u00e1. Buscou-a na \u00cdndia. L\u00e1, o voc\u00e1bulo dava nome aos pr\u00edncipes e endinheirados do pa\u00eds. Aqui, passou a designar o funcion\u00e1rio p\u00fablico que recebe altos sal\u00e1rios. Mas o alagoano generalizou. Botou no mesmo saco os privilegiados e os barnab\u00e9s. Virou piada.<\/p>\n<p><strong>Nhem-nhem-nhem<\/strong><\/p>\n<p>FHC lan\u00e7ou o nhem-nhem-nhem. Pescou-o no tupi. Na l\u00edngua dos \u00edndios, o trio quer dizer falar, falar, falar. Na nossa, mais ou menos a mesma coisa. \u00c9 resmungo, fala\u00e7\u00e3o intermin\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>Tr\u00f3-l\u00f3-l\u00f3<\/strong><\/p>\n<p>O tucano Jos\u00e9 Serra ressuscitou tr\u00f3-l\u00f3-l\u00f3. A danadinha tem origem onomatopaica. \u00c9 como au-au, miau-miau, toque-toque. Imita vozes ou ru\u00eddos. Os tr\u00eas monoss\u00edlabos significam m\u00fasica ligeira, f\u00e1cil de entoar. Por extens\u00e3o, conversa vazia, lero-lero.<\/p>\n<p><strong>Tosco<\/strong><\/p>\n<p>Bolsonaro n\u00e3o \u00e9 o autor. Mas inspirou a palavra tosco. A diss\u00edlaba virou praga. \u00c9 um tal de discurso tosco pra c\u00e1, debate tosco pra l\u00e1, trabalho tosco pracol\u00e1. A popularidade provocou corrida ao dicion\u00e1rio. De onde vem a ilustre criatura?<\/p>\n<p><strong>Nada bom<\/strong><\/p>\n<p>Os romanos desprezavam os moradores de <em>Vicus Tuscus<\/em>, bairro romano onde viviam os etruscos. Deram, por isso,\u00a0 acep\u00e7\u00e3o pejorativa a <em>tuscus, <\/em>que passou a significar devasso, vil, libertino. Com o tempo, perdeu-se esse sentido. Hoje, tosco quer dizer <em>tal como veio da natureza, bronco, rude<\/em>. Em bom portugu\u00eas: sem refinamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Palavras viram moda sem querer. Ningu\u00e9m as inventa. Elas est\u00e3o quietinhas, guardadas no ba\u00fa da l\u00edngua. A\u00ed, acontece. Algu\u00e9m as tira de l\u00e1. Surpreende. As antes desconhecidas ganham notoriedade. H\u00e1 exemplos pra dar, vender e emprestar. Quer ver? Maraj\u00e1 Fernando Collor descobriu maraj\u00e1. Buscou-a na \u00cdndia. L\u00e1, o voc\u00e1bulo dava nome aos pr\u00edncipes e endinheirados do pa\u00eds. Aqui, passou a designar o funcion\u00e1rio p\u00fablico que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[203],"tags":[145,3557,406,3559,3558],"class_list":["post-20415","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-portugues","tag-etimologia","tag-maraja","tag-nhem-nhem-nhem","tag-tosco","tag-tro-lo-lo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20415","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20415"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20415\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20416,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20415\/revisions\/20416"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20415"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20415"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20415"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}