{"id":20867,"date":"2019-09-30T12:18:15","date_gmt":"2019-09-30T15:18:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=20867"},"modified":"2019-09-30T12:18:15","modified_gmt":"2019-09-30T15:18:15","slug":"ciladas-da-leitura-e-da-cabeca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ciladas-da-leitura-e-da-cabeca\/","title":{"rendered":"Ciladas da leitura e da cabe\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>A l\u00edngua \u00e9 pra l\u00e1 de flex\u00edvel. Como a \u00e1gua se adapta ao recipiente em que \u00e9 jogada, ela se adapta \u00e0s inten\u00e7\u00f5es do falante. Se ele quer fazer humor, ela atua como aliada. Se quer fazer chorar, ela o ajuda a rolar rios de l\u00e1grimas. Se quer transmitir uma informa\u00e7\u00e3o neutra, ela diz presente. Se quer manipular, ops! Ela est\u00e1 prontinha da silva.<\/p>\n<p>Como safar-se? S\u00f3 h\u00e1 uma sa\u00edda \u2014 a aten\u00e7\u00e3o plena. Pormenores aparentemente sem import\u00e2ncia ganham relevo. O ponto-chave: identificar se nos baseamos no que est\u00e1 escrito ou no que imaginamos que esteja. Quer ver? Leia o texto. Depois, fa\u00e7a o teste. Classifique as afirma\u00e7\u00f5es em tr\u00eas grupos:<\/p>\n<p><strong>V<\/strong> de verdadeira<br \/>\n<strong>F<\/strong> de falsa<br \/>\n<strong>D<\/strong> de desconhecida<\/p>\n<p><strong>Texto<\/strong><\/p>\n<p>Um comerciante acaba de acender as luzes de uma loja de cal\u00e7ados quando surge um homem pedindo dinheiro. O propriet\u00e1rio abre a m\u00e1quina registradora. O conte\u00fado da m\u00e1quina registradora \u00e9 retirado e o homem corre. Um membro da pol\u00edcia \u00e9 imediatamente chamado.<\/p>\n<p><strong>Afirma\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>1.Um homem apareceu assim que o propriet\u00e1rio acendeu as luzes de sua loja de cal\u00e7ados. ( )<br \/>\n2.O ladr\u00e3o foi um homem. ( )<br \/>\n3.O homem n\u00e3o pediu dinheiro. ( )<br \/>\n4.O homem que abriu a m\u00e1quina registradora era o propriet\u00e1rio. ( )<br \/>\n5.O propriet\u00e1rio da loja de cal\u00e7ados retirou o conte\u00fado da m\u00e1quina registradora e o homem fugiu. ( )<br \/>\n6.Algu\u00e9m abriu uma m\u00e1quina registradora. ( )<br \/>\n7.Embora houvesse dinheiro na m\u00e1quina registradora, a hist\u00f3ria n\u00e3o diz a quantidade. ( )<br \/>\n8.O ladr\u00e3o pediu dinheiro ao propriet\u00e1rio. ( )<br \/>\n9.A hist\u00f3ria registra uma s\u00e9rie de acontecimentos que envolveu tr\u00eas pessoas: o propriet\u00e1rio, um homem que pediu dinheiro, um membro da pol\u00edcia. ( )<br \/>\n10.Os seguintes acontecimentos da hist\u00f3ria s\u00e3o verdadeiros: algu\u00e9m pediu dinheiro, uma m\u00e1quina registradora foi aberta, o dinheiro foi retirado. ( )<\/p>\n<p><strong>Resposta<\/strong><\/p>\n<p>Verdadeiras: 4 e 6<\/p>\n<p>Falsa: 3<\/p>\n<p>Desconhecidas: 1, 2, 5, 7, 8, 9, 10<\/p>\n<p><strong>Tira-teima<\/strong><\/p>\n<p>Verdadeiras: O texto diz que o propriet\u00e1rio abriu a caixa registradora. Diz, tamb\u00e9m, que o homem fugiu.<\/p>\n<p>Falsa: O homem pediu dinheiro sim, senhores.<\/p>\n<p>Duvidosas:<\/p>\n<p>\u201cAssim que\u201d e \u201cquando\u201d indicam tempo. Mas a dupla exprime urg\u00eancia. O solit\u00e1rio n\u00e3o. O homem ter\u00e1 surgido assim que se acenderam as luzes? Talvez sim. Talvez n\u00e3o.<\/p>\n<p>O texto n\u00e3o diz que o homem era ladr\u00e3o. Ele at\u00e9 pode ser. Da\u00ed a d\u00favida.<\/p>\n<p>O texto n\u00e3o afirma que o propriet\u00e1rio retirou o dinheiro. Diz que o dinheiro foi retirado. Por quem?<\/p>\n<p>O texto n\u00e3o diz que havia dinheiro na m\u00e1quina registradora. Poderia ter. Ou n\u00e3o. Talvez ali houvesse apenas notas promiss\u00f3rias. Quem sabe?<\/p>\n<p>Quem disse que o homem \u00e9 ladr\u00e3o? Quem disse que o negociante \u00e9 o propriet\u00e1rio? Nada impede que sejam. Ou que n\u00e3o sejam. Eta d\u00favida cruel!<\/p>\n<p>Cad\u00ea o negociante? Qual a atua\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia?<\/p>\n<p>O texto n\u00e3o diz que o conte\u00fado da caixa registradora \u00e9 dinheiro.<\/p>\n<p><strong>Moral da hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>N\u00f3s inferimos. A partir de um fato conhecido, tentamos descobrir o desconhecido. Deduzimos, fazemos hip\u00f3teses. \u00c9 leg\u00edtimo. Mas n\u00e3o significa que seja verdadeiro.<\/p>\n<p>Veja:<\/p>\n<p>Maria foi sempre neuroticamente pontual. Mas hoje chegou com 15 minutos de atraso. O que aconteceu? Voc\u00ea pode inferir que ela acordou tarde. Que ela perdeu o \u00f4nibus. Que o estacionamento estava lotado. Que ela esqueceu o trabalho em casa e deu meia-volta para busc\u00e1-lo. E da\u00ed? S\u00e3o hip\u00f3teses. Talvez uma esteja certa. Talvez nenhuma. Vamos perguntar a quem tem a resposta?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A l\u00edngua \u00e9 pra l\u00e1 de flex\u00edvel. Como a \u00e1gua se adapta ao recipiente em que \u00e9 jogada, ela se adapta \u00e0s inten\u00e7\u00f5es do falante. Se ele quer fazer humor, ela atua como aliada. Se quer fazer chorar, ela o ajuda a rolar rios de l\u00e1grimas. Se quer transmitir uma informa\u00e7\u00e3o neutra, ela diz presente. Se quer manipular, ops! Ela est\u00e1 prontinha da silva. 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