{"id":2122,"date":"2008-07-22T18:00:00","date_gmt":"2008-07-22T21:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/leitores_a_beira_de_ataque_de_nervos\/"},"modified":"2008-07-22T18:00:00","modified_gmt":"2008-07-22T21:00:00","slug":"leitores_a_beira_de_ataque_de_nervos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/leitores_a_beira_de_ataque_de_nervos\/","title":{"rendered":"Leitores \u00e0 beira de ataque de nervos"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-dad\/3a9b1b62cba6ca8b38101c133bafabfd.jpg\"><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nT\u00edtulo da coluna Entrelinhas: &#8220;Deixem os homens trabalhar&#8221;. Leitores duvidaram dos pr\u00f3prios olhos. &#8220;Homens&#8221; n\u00e3o \u00e9 sujeito de trabalhar? O verbo&nbsp;deve concordar com ele. \u00c9 elementar: se o sujeito est\u00e1 no plural, o verbo n\u00e3o tem sa\u00edda. Deve acompanh\u00e1-lo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas estava ali, no singular. Estampado com todas as letras (ou falta de letras). Os leitores estavam diante de uma das maiores complica\u00e7\u00f5es da l\u00edngua portuguesa: o emprego do infinitivo flexionado. O portugu\u00eas \u00e9 uma l\u00edngua \u00fanica. Tem dois infinitivos: o impessoal e o pessoal. O impessoal \u00e9 o nome do verbo (cantar, vender, partir, p\u00f4r). N\u00e3o tem sujeito e, por isso, n\u00e3o se flexiona.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCom o pessoal, a hist\u00f3ria \u00e9 outra. Ele tem sujeito. E n\u00e3o foge \u00e0 regra: concorda com ele (para eu viajar, tu viajares, ele viajar, n\u00f3s viajarmos, v\u00f3s viajardes, eles viajarem). Mas h\u00e1 exce\u00e7\u00f5es.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>A regra<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRigorosamente, s\u00f3 \u00e9 obrigat\u00f3ria a flex\u00e3o quando o infinitivo tem sujeito pr\u00f3prio, diferente do da ora\u00e7\u00e3o principal: Esta \u00e9 a \u00faltima chance de Ronaldo Ga\u00facho e Ronaldo Fen\u00f4meno devolverem a alegria \u00e0 torcida. (O sujeito da 1\u00aa ora\u00e7\u00e3o \u00e9 esta; da 2\u00aa, Ronaldo Ga\u00facho e Ronaldo Fen\u00f4meno.)<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Sa\u00ed mais cedo para irmos ao circo. Se o infinitivo n\u00e3o estivesse flexionado (sa\u00ed mais cedo para ir ao circo), a frase estaria correta, mas trairia a verdade. Quem vai ao circo n\u00e3o sou eu, mas n\u00f3s.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSa\u00edmos mais cedo para ir ao teatro. Certo? Quem saiu mais cedo? N\u00f3s. Quem vai ao teatro? N\u00f3s (quando o sujeito da segunda ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 expresso, significa que \u00e9 o mesmo da primeira).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<B>Dica<\/B>: Se o sujeito da ora\u00e7\u00e3o principal e o da subordinada forem os mesmos, n\u00e3o precisa flexionar o infinitivo: Sa\u00edmos (n\u00f3s) mais cedo para ir (n\u00f3s) ao circo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nE se flexionar? Est\u00e1 errado? N\u00e3o. Voc\u00ea refor\u00e7ar\u00e1 o sujeito: Sa\u00edmos mais cedo para irmos ao teatro.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Mais iguais<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nVoltemos \u00e0 vaca fria: &#8220;Deixem&nbsp; os homens trabalhar&#8221;. O sujeito da 1\u00aa ora\u00e7\u00e3o \u00e9 voc\u00eas (oculto); o da 2\u00aa, homens. A regra manda flexionar o infinitivo quando ele tiver sujeito diferente do da ora\u00e7\u00e3o principal. O autor errou?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nN\u00e3o. Por qu\u00ea?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNem todos s\u00e3o iguais perante as regras. Alguns s\u00e3o mais iguais. No infinitivo, os mais iguais s\u00e3o os verbos mandar, fazer, deixar, ver e ouvir. Com eles, a flex\u00e3o \u00e9 facultativa.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAssim, voc\u00ea pode dizer: Vi os dois sair (ou sa\u00edrem) da sala. Ouvi os c\u00e3es latir (ou latirem). Deixai vir (ou virem) a mim as criancinhas. Fiz os alunos estudar (ou estudarem) mais. Governo manda os funcion\u00e1rios&nbsp;devolver (ou devolverem) o dinheiro.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPercebeu? \u00c9 o caso da coluna. O t\u00edtulo estaria certo&nbsp;tanto com verbo no singular quanto no plural. O Alon preferiu o singular.&nbsp;Quest\u00e3o de gosto.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Limite<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nCuidado. A exce\u00e7\u00e3o tem limite apertado. Se o sujeito for um pronome \u00e1tono, acabou a farra do infinitivo. Ele s\u00f3 pode ficar no singular: Vi-os deixar a sala mais cedo. Ouvi<STRONG>&#8211;<\/STRONG>as chegar. Deixei<STRONG>&#8211;<\/STRONG>os sair. Press\u00e3o sindical f\u00ea-los recuar. Governo manda-os devolver dinheiro.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nUfa! <B><br \/>\n&nbsp;<\/B><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; T\u00edtulo da coluna Entrelinhas: &#8220;Deixem os homens trabalhar&#8221;. Leitores duvidaram dos pr\u00f3prios olhos. &#8220;Homens&#8221; n\u00e3o \u00e9 sujeito de trabalhar? O verbo&nbsp;deve concordar com ele. \u00c9 elementar: se o sujeito est\u00e1 no plural, o verbo n\u00e3o tem sa\u00edda. Deve acompanh\u00e1-lo. &nbsp; Mas estava ali, no singular. Estampado com todas as letras (ou falta de letras). 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