{"id":21250,"date":"2019-11-20T09:39:04","date_gmt":"2019-11-20T12:39:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=21250"},"modified":"2019-11-20T09:39:04","modified_gmt":"2019-11-20T12:39:04","slug":"perdoai-nos-ou-perdoais-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/perdoai-nos-ou-perdoais-nos\/","title":{"rendered":"Perdoai-nos ou perdoais-nos?"},"content":{"rendered":"<p>\u201cPerdoais-nos as nossas ofensas\u201d, escreveu o articulista. Trope\u00e7ou no imperativo. O nome denuncia o car\u00e1ter da forma verbal. Ela ordena, pede, suplica. Em portugu\u00eas claro: manda e desmanda. Se manda, \u00e9 imperativo afirmativo. Se desmanda, imperativo negativo.<\/p>\n<p><strong>Mand\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>O imperativo afirmativo divide as pessoas do discurso em dois grupos. As segundas pessoas (tu e v\u00f3s) ficam de um lado. As outras (ele, n\u00f3s, eles), de outro. Nada de misturas.<\/p>\n<p>Da\u00ed por que o afirmativo tem duas m\u00e3es. O <em>tu<\/em> e o <em>v\u00f3s<\/em> derivam do presente do indicativo. Mas esnobam o <strong>s<\/strong> final. As demais pessoas saem do presente do subjuntivo \u2014 sem tirar nem p\u00f4r.<\/p>\n<p>Veja o verbo estudar:<\/p>\n<p>Presente do indicativo: <em>eu estudo<\/em>, <em>tu estudas<\/em>, <em>ele estuda, n\u00f3s estudamos, v\u00f3s estudais, eles estudam <\/em><\/p>\n<p>Presente do subjuntivo: <em>que eu estude, tu estudes, ele estude, n\u00f3s estudemos, v\u00f3s estudeis, eles estudem<\/em><\/p>\n<p>Imperativo afirmativo: <em>estuda tu, estude voc\u00ea, estudemos n\u00f3s, estudai v\u00f3s, estudem voc\u00eas<\/em><\/p>\n<p><strong>Desmand\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O imperativo negativo quer ser entendido. Por isso, foge da confus\u00e3o. Forma-se todinho do presente do subjuntivo acompanhado do adv\u00e9rbio <em>n\u00e3o<\/em>: <em>n\u00e3o estudes tu, n\u00e3o estude voc\u00ea, n\u00e3o estudemos n\u00f3s, n\u00e3o estudeis v\u00f3s, n\u00e3o estudem voc\u00eas<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Eureca<\/strong><\/p>\n<p>Ao escrever \u201cPerdoai<strong>s<\/strong>-nos as nossas ofensas\u201d, o autor trope\u00e7ou na forma\u00e7\u00e3o do imperativo afirmativo. Na 2\u00aa pessoa do plural, o <strong>s<\/strong> n\u00e3o tem vez. X\u00f4! X\u00f4! X\u00f4!<\/p>\n<p><strong>Assim<\/strong><\/p>\n<p>Presente do indicativo: <em>eu perdoo, tu perdoas, ele perdoa, n\u00f3s perdoamos, v\u00f3s perdoais, eles perdoam<\/em><\/p>\n<p>Presente do subjuntivo: <em>que eu perdoe, tu perdoes, ele perdoe, n\u00f3s perdoemos, v\u00f3s perdoeis, eles perdoem<\/em><\/p>\n<p>Imperativo afirmativo: <em>perdoa tu, perdoe voc\u00ea, perdoemos n\u00f3s, perdoai v\u00f3s, perdoem voc\u00eas<\/em><\/p>\n<p>Imperativo negativo: n\u00e3o <em>perdoes tu, n\u00e3o perdoe ele, n\u00e3o perdoemos, n\u00e3o perdoais v\u00f3s, n\u00e3o perdoem eles<br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><strong>Moral da opereta<\/strong><\/p>\n<p>A forma nota 10 \u00e9 esta: Perdoai-nos as nossas ofensas.<\/p>\n<p>Simples assim.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cPerdoais-nos as nossas ofensas\u201d, escreveu o articulista. Trope\u00e7ou no imperativo. O nome denuncia o car\u00e1ter da forma verbal. 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