{"id":21357,"date":"2019-12-08T10:12:44","date_gmt":"2019-12-08T13:12:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=21357"},"modified":"2019-12-08T10:12:44","modified_gmt":"2019-12-08T13:12:44","slug":"seu-sua-e-proibido-usar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/seu-sua-e-proibido-usar\/","title":{"rendered":"Seu, sua: \u00e9 proibido usar"},"content":{"rendered":"<p>Os possessivos <strong>seu<\/strong> e <strong>sua<\/strong> s\u00e3o aparentemente inofensivos. Mas causam<span class=\"im\"><br \/>\nsenhores estragos \u00e0 frase. Sabe por qu\u00ea? \u00c0s vezes, d\u00e3o duplo sentido \u00e0<br \/>\ndeclara\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea diz uma coisa. A pessoa entende outra. Ou fica confusa. \u00c9<br \/>\no caso do diretor que tinha o secret\u00e1rio que os chefes pedem a Deus.<\/p>\n<p>Ele chegava antes da hora. Sa\u00eda depois. Almo\u00e7ava ali mesmo, ao lado do<br \/>\ncomputador. De repente, n\u00e3o mais que de repente, mudou o comportamento.<br \/>\nPassou a fazer o que todos fazem: obedecer ao hor\u00e1rio.<\/p>\n<p>Intrigado, o diretor contratou um detetive para decifrar o mist\u00e9rio. Dois<br \/>\ndias depois, o espi\u00e3o trouxe a resposta:<\/p>\n<p>\u2014 Seu servidor sai ao meio-dia, pega o seu carro, vai at\u00e9 sua casa, namora<br \/>\nsua mulher, come a sua comida, bebe o seu vinho, fuma seus charutos cubanos<br \/>\ne volta ao trabalho.<\/p>\n<p>O diretor, satisfeito, achou tudo normal. O investigador pediu licen\u00e7a para<br \/>\nmudar o pronome. Eis o que deu:<\/p>\n<p>\u2014 Seu servidor sai ao meio-dia, pega o teu carro, vai at\u00e9 tua casa, namora<br \/>\ntua mulher, come a tua comida, bebe o teu vinho, fuma teus charutos cubanos<br \/>\ne volta ao trabalho.<\/p>\n<p><\/span><strong>Outro exemplo<\/strong><\/p>\n<p><em>O presidente garantiu aos parlamentares que o seu esfor\u00e7o levaria \u00e0<\/em><br \/>\n<em>aprova\u00e7\u00e3o das reformas<\/em>. <span class=\"im\"><\/p>\n<p>Esfor\u00e7o de quem? Dos parlamentares? Do presidente? A frase \u00e9 amb\u00edgua.<br \/>\nPermite dupla leitura. O que fazer? Partir para o troca-troca. Substituir<br \/>\n<em>seu<\/em> pelo pronome <em>dele<\/em>:<\/p>\n<p><em>O presidente garantiu aos parlamentares que o esfor\u00e7o dele<\/em> (ou<br \/>\ndeles) <em>levaria \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o das reformas<\/em>.<\/p>\n<p><strong>X\u00f4! X\u00f4! X\u00f4!<\/strong><\/p>\n<p>Certas palavras rejeitam o possessivo. Aproxim\u00e1-los \u00e9 briga certa. Evite<br \/>\nconfus\u00f5es. N\u00e3o o use com:<\/p>\n<p>1. <strong>as partes do corpo<\/strong>: <em>Na batida, quebrou a perna<\/em> (nunca sua<br \/>\nperna). <em>Arranhou o rosto. Fraturou os dedos<\/em>.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span class=\"im\">\u00a02. <strong>os objetos de uso pessoal<\/strong>: <em>Cal\u00e7ou os sapatos<\/em> (n\u00e3o seus sapatos). <em>P\u00f4s<\/em><br \/>\n<em>os \u00f3culos. Vestiu a saia.<\/em><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p><span class=\"im\">3. <strong>as qualidades do esp\u00edrito<\/strong>: <em>Perdeu a consci\u00eancia<\/em> (n\u00e3o sua<br \/>\nconsci\u00eancia). <em>Mudou a mentalidade.Alterou o comportamento<\/em>.<\/p>\n<p>Dica: em 90% dos casos, o possessivo \u00e9 desnecess\u00e1rio. Se \u00e9<br \/>\ndesnecess\u00e1rio, sobra: <em>Paulo fez a<\/em> (sua) <em>reda\u00e7\u00e3o. Pegou o<\/em> (seu)<em> jorna<\/em>l.<br \/>\n<em>Perdeu as<\/em> (suas) <em>chaves<\/em>.<\/p>\n<p>\u00c9 isso. Escrever \u00e9 cortar. Ou trocar.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os possessivos seu e sua s\u00e3o aparentemente inofensivos. Mas causam senhores estragos \u00e0 frase. Sabe por qu\u00ea? \u00c0s vezes, d\u00e3o duplo sentido \u00e0 declara\u00e7\u00e3o. Voc\u00ea diz uma coisa. A pessoa entende outra. Ou fica confusa. \u00c9 o caso do diretor que tinha o secret\u00e1rio que os chefes pedem a Deus. Ele chegava antes da hora. Sa\u00eda depois. Almo\u00e7ava ali mesmo, ao lado do computador. 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