{"id":21548,"date":"2020-01-08T09:28:12","date_gmt":"2020-01-08T12:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=21548"},"modified":"2020-01-08T09:28:12","modified_gmt":"2020-01-08T12:28:12","slug":"manhas-da-crase-de-a-da-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/manhas-da-crase-de-a-da-a\/","title":{"rendered":"Manhas da crase: de&#8230;a, da&#8230;\u00e0"},"content":{"rendered":"<p>Dois pares formam 20-20. S\u00e3o duas dezenas no come\u00e7o e duas no fim. A l\u00edngua tamb\u00e9m tem seus casaizinhos. Fi\u00e9is, eles acreditam que, uma vez unidos, sempre unidos. Dois deles s\u00e3o pra l\u00e1 de conhecidos. Trata-se das duplinhas de&#8230;a e da&#8230;\u00e0. Um <em>a<\/em> tem crase. O outro vem soltinho e feliz como pinto no lixo. Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>A raz\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3: mania de imita\u00e7\u00e3o. A l\u00edngua copia a vida. L\u00e1 e c\u00e1 existem os casais. O que acontece com um acontece com o outro. Desrespeitar o paralelismo \u00e9 trai\u00e7\u00e3o. Uma vez cometida, n\u00e3o d\u00e1 outra. Entra em cena o verbo perder. L\u00e1 se v\u00e3o amores, prest\u00edgio, promo\u00e7\u00f5es. Valha-nos, Deus!<\/p>\n<p><strong>O primeiro<\/strong><\/p>\n<p><strong><em>De<\/em><\/strong><em> segunda <\/em><strong><em>a<\/em><\/strong><em> sexta<\/em>.<\/p>\n<p><strong>De<\/strong> \u00e9 preposi\u00e7\u00e3o pura. <strong>A<\/strong> s\u00f3 pode ser preposi\u00e7\u00e3o pura. Em ambas o artigo n\u00e3o tem vez: <em>Trabalho <strong>de<\/strong> quarta <strong>a<\/strong> sexta. A farm\u00e1cia faz entregas <strong>de<\/strong> segunda <strong>a<\/strong> s\u00e1bado. Vejo tev\u00ea <strong>de<\/strong> domingo <strong>a<\/strong> domingo.<\/em><\/p>\n<p><strong>O segundo<\/strong><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><em>Andei <strong>da<\/strong> rodovi\u00e1ria <strong>\u00e0<\/strong> quadra comercial<\/em>.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><strong>Da<\/strong> \u00e9 combina\u00e7\u00e3o da preposi\u00e7\u00e3o <em>de<\/em> com o artigo <em>a<\/em>. O <strong>\u00e0<\/strong> vai atr\u00e1s. O acento funciona como alian\u00e7a no anular esquerdo. Indica o casamento da preposi\u00e7\u00e3o <em>a<\/em> com o artigo <em>a.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Veja exemplos: <em>Trabalho <strong>da<\/strong> manh\u00e3 <strong>\u00e0<\/strong> noite. Li <strong>da<\/strong> p\u00e1gina 8 <strong>\u00e0<\/strong> p\u00e1gina 12. O expediente \u00e9 <strong>de<\/strong> segunda <strong>a<\/strong> sexta <strong>das<\/strong> 8h <strong>\u00e0s<\/strong> 18h30. Estudamos <strong>das<\/strong> 14h <strong>\u00e0s<\/strong> 18h<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Sexo<\/strong><\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o, gente fina. \u00c0s vezes, a preposi\u00e7\u00e3o <em>de<\/em> vem casadinha com o artigo <em>o<\/em>. O sexo n\u00e3o muda a regra. O segundo par mant\u00e9m a fidelidade: <em>Viajei <strong>do<\/strong> Paraguai <strong>\u00e0<\/strong> Fran\u00e7a. Fui de carro <strong>do<\/strong> Rio <strong>\u00e0<\/strong> Para\u00edba. Corri <strong>do<\/strong> aeroporto <strong>\u00e0<\/strong> rodovi\u00e1ria<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Olho vivo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>H\u00e1 ocasi\u00f5es em que um dos nomes dispensa o artigo. A\u00ed, n\u00e3o d\u00e1 outra. O casamento fica comprometido: <em>Viajei <strong>da<\/strong> Fran\u00e7a <strong>a<\/strong> Portugal. Fui <strong>de<\/strong> Cuba <strong>\u00e0<\/strong> Alemanha<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Superdica<\/strong><\/p>\n<p>Como saber se o nome pede ou esnoba o artigo? Basta iniciar uma frase com ele. Veja:<\/p>\n<p><em>Cuba \u00e9 uma ilha da Am\u00e9rica Central. (N\u00e3o: a Cuba)<\/em><\/p>\n<p><em>Portugal vive per\u00edodo de grande prosperidade. (N\u00e3o: o Portugal)<\/em><\/p>\n<p><em>A Alemanha vai retirar as tropas do Iraque.<\/em><\/p>\n<p><em>A Fran\u00e7a enfrenta manifesta\u00e7\u00f5es dos coletes amarelos<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Trai\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Misturar o par de um com o de outro gera deforma\u00e7\u00f5es. S\u00e3o os cruzamentos. \u00c9 como casar girafa com elefante. J\u00e1 imaginou o pobre do filhote? Veja um exemplo do monstrinho:<\/p>\n<p><em>Hor\u00e1rio do expediente: de segunda a s\u00e1bado, de 7h30 \u00e0s 20h<\/em>.<\/p>\n<p>Reparou? O primeiro casalzinho (de&#8230;a) merece nota mil. O segundo cometeu trai\u00e7\u00e3o. Juntou o parceiro de um par com o parceiro de outro. X\u00f4! A forma bem-amada pela l\u00edngua \u00e9 esta:<\/p>\n<p><em>Hor\u00e1rio do expediente: de segunda a s\u00e1bado, das 7h30 \u00e0s 20h.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois pares formam 20-20. S\u00e3o duas dezenas no come\u00e7o e duas no fim. A l\u00edngua tamb\u00e9m tem seus casaizinhos. Fi\u00e9is, eles acreditam que, uma vez unidos, sempre unidos. Dois deles s\u00e3o pra l\u00e1 de conhecidos. Trata-se das duplinhas de&#8230;a e da&#8230;\u00e0. Um a tem crase. O outro vem soltinho e feliz como pinto no lixo. Por qu\u00ea? A raz\u00e3o \u00e9 uma s\u00f3: mania de imita\u00e7\u00e3o. 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