{"id":2155,"date":"2008-07-27T00:00:00","date_gmt":"2008-07-27T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rabo_de_galo\/"},"modified":"2008-07-27T00:00:00","modified_gmt":"2008-07-27T03:00:00","slug":"rabo_de_galo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/rabo_de_galo\/","title":{"rendered":"Rabo de galo"},"content":{"rendered":"<p><BR>&nbsp;<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nM\u00e1rcio Cotrim&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 novidade. Como voc\u00ea deve saber, em ingl\u00eas essa express\u00e3o significa, literalmente, cock, <I>galo<\/I>, e tail, <I>rabo<\/I>, <I>cauda<\/I>, aportuguesada para coquetel<STRONG>.<\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas, e da\u00ed? O que tem a ver uma coisa com a outra? Vamos ao ber\u00e7o da palavra. H\u00e1 v\u00e1rias teorias sobre a origem da bebida que tanto nos pode estimular as papilas gustativas como nos animar o esp\u00edrito.&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Uma delas ensina que, na guerra da independ\u00eancia dos EUA, a taberneira Betsy Flanagan, vi\u00fava de um soldado revolucion\u00e1rio, teria roubado as penas do rabo de um galo do inimigo para decorar os drinques que servia em sua taberna.&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Outra vers\u00e3o relaciona a palavra \u00e0s rinhas de galo travadas na regi\u00e3o do Mississipi. Nelas, as penas arrancadas do galo vencedor eram usadas para mexer os drinques dos que haviam apostado nele.&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;H\u00e1 ainda quem mencione um espetacular drinque inventado por uma linda jovem mexicana chamada Coctel, veja voc\u00ea.&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Na verdade, todo coquetel combina duas ou mais bebidas, geralmente alco\u00f3licas, ao qual costumam ser adicionados gelo, \u00e0s vezes frutas, creme de leite, a\u00e7\u00facar e outros ingredientes. Habitualmente, \u00e9 servido em eventos sociais.&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Foram os americanos que o popularizaram nos anos 20 do s\u00e9culo passado, ironicamente durante a vig\u00eancia da lei seca nos EUA \u2014 era uma forma disfar\u00e7ada de beber sem chamar a aten\u00e7\u00e3o das autoridades. Foi o caso, por exemplo, do Bloody Mary e do Martini, este um dos s\u00edmbolos do <I>american way of life<\/I> , o jeit\u00e3o americano de vida. Entre n\u00f3s, a brasileir\u00edssima caipirinha tem o seu lugar no p\u00f3dio.&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<BR><br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O coquetel \u00e9 figurinha f\u00e1cil em qualquer recep\u00e7\u00e3o que se preze. Mas, nos dias de hoje, tenha cuidado, n\u00e3o abuse, ou voc\u00ea poder\u00e1 ver o sol nascer quadrado depois de ser reprovado no constrangedor teste do baf\u00f4metro. . .&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<BR><\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp; &nbsp; <B>OFF<\/B> \u2014 Tipo da palavra inglesa que pode ocupar muitas p\u00e1ginas dos melhores dicion\u00e1rios e , como anunciava o Bombril, tem mil utilidades. Por exemplo, cumprindo idiota s\u00edndrome de macaquice, o com\u00e9rcio tupiniquim adora escrever <I>off<\/I>&nbsp; nas vitrines, depois de um n\u00famero, para indicar que o produto est\u00e1, digamos, com 50% de desconto. Nesse caso designa, at\u00e9 que corretamente, sua acep\u00e7\u00e3o original de diminui\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00e3o menor, afastamento. Tamb\u00e9m aparece quando mencionada nas express\u00f5es <I>off the records<\/I>, literalmente <I>fora dos registros<\/I>, ou quando algu\u00e9m alega estar falando em <B><I>off<\/I><\/B>&nbsp; \u2014 diz aquilo que n\u00e3o deve ser publicado. A palavrinha \u00e9 rica em significados. Um deles chega a ser hil\u00e1rio \u2014 e, segundo alguns, ver\u00eddico. Contam que em certos navios da Marinha, brasileira existe uma chave, provavelmente inglesa, muito usada. Nela, aparece em destaque o aviso de ligar e desligar: <I>on<\/I> e <I>off<STRONG>,<\/STRONG><\/I>&nbsp; o que leva a marujada a cham\u00e1-la de Onofre<STRONG> <\/STRONG><I>e <\/I>dar instru\u00e7\u00f5es do tipo: \u201c Liga o Onofre!\u201d ou \u201cDesliga o Onofre!\u201d. Deve haver muito Onofre por a\u00ed que nunca imaginou tal origem para seu nome. . .&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<BR><br \/>\n<B>MAHATMA<\/B> \u2014 Palavra que vem do s\u00e2nscrito \u2014 nada a ver com a opera\u00e7\u00e3o Satiagraha da Pol\u00edcia Federal, cujo nome, tamb\u00e9m em s\u00e2nscrito, quer dizer \u201c resist\u00eancia pac\u00edfica e silenciosa\u201d, s\u00f3 que n\u00e3o tem nada a ver com falcatruas. . . Falando s\u00e9rio: Mahatma<STRONG>, <\/STRONG>tamb\u00e9m do s\u00e2nscrito, se comp\u00f5e de <I>maha<\/I>, <I>grande, <\/I>e<I> <\/I>atma<STRONG>, <\/STRONG><I>alma. <\/I>\u00c9 t\u00edtulo atribu\u00eddo a criaturas de elevada espiritualidade e alto conhecimento, condi\u00e7\u00e3o que se encaixa como uma luva na carism\u00e1tica figura do l\u00edder indiano Mohandas Karamchand Gandhi, que se consagrou pela pr\u00e1tica da n\u00e3o-viol\u00eancia, decisiva para a independ\u00eancia da \u00cdndia. O processo, apesar de vitorioso em 1947, culminou com o est\u00fapido e covarde assassinato do pr\u00f3prio Gandhi, para assombro de todos os que cultivam o caminho da paz para o entendimento entre os homens. O brutal epis\u00f3dio faz lembrar o tristemente famoso aforismo: \u201c Quanto mais conhecemos os homens, mais admiramos os c\u00e3es\u201d. . .&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\nxx<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O leitor Edney Mangrich, de Ceil\u00e2ndia Sul, DF, comenta que, lendo um livro de Nietzsche, encontrou a express\u00e3o \u201cc\u00e9u alci\u00f4nico\u201d e deseja saber seu significado.&nbsp;&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Falemos de mitologia. Alc\u00edone (palavra proparox\u00edtona), era filha de \u00c9olo, deus dos ventos. Era casada com Ceix, at\u00e9 ele morrer num naufr\u00e1gio. Advertida, num sonho, da iminente trag\u00e9dia, Alc\u00edone se atirou ao mar. Compadecidos, os deuses a transformaram numa ave marinha chamada alc\u00edone. Da\u00ed por diante, ainda ensina a mitologia, \u00c9olo passou a fazer com que os ventos se acalmassem durante sete dias no inverno, per\u00edodo em que os alc\u00edones p\u00f5em ovos \u2014 que linda hist\u00f3ria!&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Da\u00ed a palavra alci\u00f4nica \u2014 ou alci\u00f4nea \u2014 designar a ave de bom aug\u00fario que faz seu ninho no mar, quando calmo. Lembra serenidade, bonan\u00e7a, certamente bafejada pela brisa e\u00f3lica trazida por seu pai mitol\u00f3gico. . .&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n(Coluna publicada na Revista do Correio, que circula&nbsp;aos domingos no Correio Braziliense)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<B><\/B>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; M\u00e1rcio Cotrim&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp; N\u00e3o \u00e9 novidade. 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