{"id":21745,"date":"2020-02-08T10:48:49","date_gmt":"2020-02-08T13:48:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=21745"},"modified":"2020-02-08T10:50:21","modified_gmt":"2020-02-08T13:50:21","slug":"este-esse-ou-aquele-eis-a-questao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/este-esse-ou-aquele-eis-a-questao\/","title":{"rendered":"Este, esse ou aquele? Eis a quest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Lu\u00edza vai publicar um livro de cr\u00f4nicas. Ao revisar os textos, pintou a d\u00favida sobre o emprego dos demonstrativos. Ela explica: &#8220;Gostaria de ver a explica\u00e7\u00e3o sobre o uso de <strong>este<\/strong> e <strong>esse<\/strong>, que provavelmente esclarecer\u00e1 tamb\u00e9m o <strong>deste<\/strong> e <strong>desse<\/strong>. Estou t\u00e3o insegura que troco seis por meia d\u00fazia. Substituo os termos. Mas quero aprender. Pode ajudar?&#8221;<\/p>\n<p>A d\u00favida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da Lu\u00edza. Jornalistas, professores, estudantes, advogados, todos se confundem na hora de empregar os demonstrativos. Ariscos, os pronomes n\u00e3o se deixam captar. Quando usar um? Quando \u00e9 a vez do outro? O papel deles \u00e9 bem definido \u2014 indicam situa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o, situa\u00e7\u00e3o no tempo e situa\u00e7\u00e3o no texto. Que tal jogar luz o tema? Vamos l\u00e1.<\/p>\n<p><b>Pessoas do discurso<\/b><\/p>\n<p>Para dominar os demonstrativos, lembremos as pessoas do discurso. <i>Discurso<\/i>, a\u00ed, significa conversa. As pessoas do discurso s\u00e3o as que tomam parte em um bate-papo. Para haver di\u00e1logo, s\u00e3o necess\u00e1rias tr\u00eas pessoas. Algumas interessantes, outras nem tanto. Uma fala (1\u00aa pessoa), outra escuta (2\u00aa pessoa) e o assunto, que \u00e9 a pessoa de que se fala (3\u00aa).<\/p>\n<p>Imagine que Rafael telefone para Jo\u00e3o e lhe pergunte se vai ao cinema. No caso, Rafael fala. \u00c9 a 1\u00aa pessoa. Jo\u00e3o escuta. \u00c9 a 2\u00aa. Do que eles falam? Da ida ao cinema. \u00c9 a 3\u00aa.<\/p>\n<p><b>Situa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o<\/b><\/p>\n<p><b>Este \u2014 <\/b>diz que o objeto est\u00e1 perto da pessoa que fala (eu, n\u00f3s). Pode ser refor\u00e7ado pelo adv\u00e9rbio aqui: <i>esta sala (a sala onde a pessoa que fala ou escreve est\u00e1); esta revista aqui (a revista que tenho em m\u00e3o). Esta carta (a carta que est\u00e1 comigo).<\/i><b> <\/b><\/p>\n<p><b>Esse \u2014 <\/b>diz que o objeto est\u00e1 perto da pessoa com quem se fala (voc\u00ea, tu). Pode ser acompanhado pelo adv\u00e9rbio a\u00ed: <i>essa sala (a sala onde est\u00e1 a pessoa com quem falamos ou a quem escrevemos), esse livro a\u00ed (o livro est\u00e1 perto da pessoa com quem falamos), essa institui\u00e7\u00e3o (a institui\u00e7\u00e3o em que o leitor est\u00e1).<\/i><\/p>\n<p><b>Aquele <\/b>\u2014 diz que o objeto est\u00e1 longe da pessoa que fala e da pessoa com quem se fala: <i>aquele quadro l\u00e1 (o quadro est\u00e1 longe das duas pessoas), aquele cartaz, aquela torre.<\/i><\/p>\n<p><b>Situa\u00e7\u00e3o no tempo<\/b><\/p>\n<p><b>Este <\/b>\u2014 indica tempo presente: <i>esta semana (a semana em curso), este m\u00eas (m\u00eas em curso), este ano (ano em curso).<\/i><\/p>\n<p><b>Esse <\/b>\/ <b>aquele<\/b> \u2014 exprime tempo passado (esse: passado pr\u00f3ximo; aquele: passado remoto): <i>Estive em Granada em 1992. Nesse (naquele) ano, visitei toda a Andaluzia<\/i>.<\/p>\n<p>Eis um n\u00f3. Como saber se o passado \u00e9 pr\u00f3ximo ou remoto? Depende de cada um. O tempo \u00e9 psicol\u00f3gico. Uma hora com dor de dente \u00e9 uma eternidade. Com o amado, voa.<\/p>\n<p><b>Situa\u00e7\u00e3o no texto <\/b><\/p>\n<p>Quem escreve enfrenta desafios. Um deles: situar o leitor. Dizer-lhe se a pessoa, o fato ou a frase foi referida no texto. Ou, ao contr\u00e1rio, vai ser referida. \u00c9 o 3\u00ba emprego do demonstrativo. E, c\u00e1 entre n\u00f3s, o que oferece mais dificuldade. Mas, bem entendido, torna-se f\u00e1cil como tirar pirulito de crian\u00e7a.<\/p>\n<p><b>Este \u2014<\/b> olha pra frente. Anuncia o que ser\u00e1 referido em seguida:<\/p>\n<p><i>Fernando Pessoa escreveu este verso: \u201cTudo vale a pena se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena\u201d.<\/i><\/p>\n<p>Reparou? O verso \u00e9 anunciado: \u201cescreveu <strong>este<\/strong> verso\u201d. Depois, expresso: \u201cTudo vale a pena se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena\u201d.<\/p>\n<p><b>Esse <\/b>\u2014 olha pra tr\u00e1s. O fato \u00e9 referido antes; depois, retomado:<\/p>\n<p>\u201cTudo vale a pena se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena.\u201d Esse verso figura no livro <i>Mensagem<\/i>, de Fernando Pessoa.<\/p>\n<p><b>Iguaizinhas<\/b><\/p>\n<p>As mesmas regras valem para o isto, isso, aquilo e as combina\u00e7\u00f5es de preposi\u00e7\u00e3o com os pronomes (deste, neste, disto, nisto, disso, nisso, daquilo, daquele, naquele, naquilo).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lu\u00edza vai publicar um livro de cr\u00f4nicas. Ao revisar os textos, pintou a d\u00favida sobre o emprego dos demonstrativos. Ela explica: &#8220;Gostaria de ver a explica\u00e7\u00e3o sobre o uso de este e esse, que provavelmente esclarecer\u00e1 tamb\u00e9m o deste e desse. Estou t\u00e3o insegura que troco seis por meia d\u00fazia. Substituo os termos. Mas quero aprender. Pode ajudar?&#8221; A d\u00favida n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da Lu\u00edza. [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[203],"tags":[1306,2602,1635,1634,4088,4089,4090,1656,1650],"class_list":["post-21745","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-portugues","tag-aquele","tag-aquilo","tag-esse","tag-este","tag-iso","tag-isso","tag-isto","tag-pessoas-do-discurso","tag-pronomes-demonstrativos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21745","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21745"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21745\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21749,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21745\/revisions\/21749"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21745"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21745"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21745"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}