{"id":21792,"date":"2020-02-13T11:08:21","date_gmt":"2020-02-13T14:08:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=21792"},"modified":"2020-02-13T11:08:21","modified_gmt":"2020-02-13T14:08:21","slug":"tupa-e-inocente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/tupa-e-inocente\/","title":{"rendered":"Tup\u00e3 \u00e9 inocente"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 algo t\u00e3o certo quanto o suceder dos dias e das noites, das esta\u00e7\u00f5es do ano e das fases da Lua? H\u00e1. As chuvas de ver\u00e3o est\u00e3o escritas nas estrelas deste pa\u00eds tropical. N\u00e3o por acaso os povos primitivos t\u00eam deuses dos ventos, dos furac\u00f5es, das tempestades. Sem ci\u00eancia para explicar os fen\u00f4menos, eles apelavam para o sobrenatural. Punham na conta de Tup\u00e3 a responsabilidade pela viol\u00eancia das for\u00e7as brutas da natureza.<\/p>\n<p>Os tempos mudaram. O conhecimento avan\u00e7ou. A tecnologia responde aos mais sofisticados desafios. Apesar do progresso, por\u00e9m, governantes reprisam o velho comportamento dos paj\u00e9s. Atribuem a culpa da trag\u00e9dia das chuvas \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Com a estrat\u00e9gia, lavam as m\u00e3os. Quando as \u00e1guas despencam, revivem velho espet\u00e1culo que, de t\u00e3o repetido, se tornou o normal das grandes cidades: mata gente, alaga ruas, destr\u00f3i pontes, desaloja moradores, desabriga fam\u00edlias, fecha escolas, prejudica as atividades econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Gastam-se milh\u00f5es em band-aids para conter hemorragias. A pausa \u00e9 tempor\u00e1ria. No ano seguinte, o enredo se repete e causa a mesma \u201csurpresa\u201d. Passou da hora de conjugar o verbo assumir: o inferno n\u00e3o \u00e9 Tup\u00e3 nem \u00e9 Zeus. S\u00e3o os governantes que, independentemente da experi\u00eancia ou da cor pol\u00edtica, pouco ou nada fazem para evitar as cat\u00e1strofes.<\/p>\n<p>Imp\u00f5em-se medidas de curto, m\u00e9dio e longo prazo. Urbes brasileiras nasceram sob o signo da improvisa\u00e7\u00e3o e cresceram horizontalmente. Subiram morros e encostas. Represaram rios. Passaram o trator sobre a vegeta\u00e7\u00e3o. Resultado: asfalto e cimento roubaram o espa\u00e7o de escoamento da \u00e1gua. H\u00e1 que remediar para prevenir o horror do ver\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo as planejadas como Belo Horizonte e Bras\u00edlia, pagam o pre\u00e7o da neglig\u00eancia. Apesar da realidade, novas obras s\u00e3o autorizadas sem os crit\u00e9rios ambientais. Pior: fecham-se os olhos para constru\u00e7\u00f5es irregulares que, sem alvar\u00e1, s\u00e3o palco de trag\u00e9dias anunciadas. Os governantes, em vez de olhar para o c\u00e9u, devem olhar para as moradias, o saneamento e a limpeza urbana. A resposta n\u00e3o est\u00e1 nas estrelas. Est\u00e1 no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>(Editorial do <strong>Correio Braziliense<\/strong> de hoje)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algo t\u00e3o certo quanto o suceder dos dias e das noites, das esta\u00e7\u00f5es do ano e das fases da Lua? H\u00e1. As chuvas de ver\u00e3o est\u00e3o escritas nas estrelas deste pa\u00eds tropical. N\u00e3o por acaso os povos primitivos t\u00eam deuses dos ventos, dos furac\u00f5es, das tempestades. Sem ci\u00eancia para explicar os fen\u00f4menos, eles apelavam para o sobrenatural. 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