{"id":2193,"date":"2008-08-02T00:00:00","date_gmt":"2008-08-02T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/restos-2\/"},"modified":"2008-08-02T00:00:00","modified_gmt":"2008-08-02T03:00:00","slug":"restos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/restos-2\/","title":{"rendered":"restos"},"content":{"rendered":"<p><B><br \/>\nRecado<\/B><br \/>\n&#8220;Falar \u00e9 f\u00e1cil. Fazer \u00e9 que s\u00e3o elas.&#8221;<br \/>\nVoz do povo<B><br \/>\nPegadinha patri\u00f3tica <\/B><br \/>\nAmanh\u00e3 \u00e9 o Dia da P\u00e1tria. Ah, coisa boa! Vem feriad\u00e3o. V\u00eam desfiles. Muitos repetir\u00e3o o muitas vezes repetido. Cantar\u00e3o o Hino Nacional. Quantas vezes voc\u00ea, em posi\u00e7\u00e3o de sentido, interpretou a obra de Os\u00f3rio Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva? Um mont\u00e3o, claro. Por isso ela \u00e9 pra l\u00e1 de conhecida. E por isso, tamb\u00e9m, o primeiro verso cai em prova de concurso. Trata-se de pegadinha.<br \/>\nEi-la: <B><br \/>\nRecado<\/B><br \/>\n&#8220;Falar \u00e9 f\u00e1cil. Fazer \u00e9 que s\u00e3o elas.&#8221;<br \/>\nVoz do povo<B><br \/>\nPegadinha patri\u00f3tica <\/B><br \/>\nAmanh\u00e3 \u00e9 o Dia da P\u00e1tria. Ah, coisa boa! Vem feriad\u00e3o. V\u00eam desfiles. Muitos repetir\u00e3o o muitas vezes repetido. Cantar\u00e3o o Hino Nacional. Quantas vezes voc\u00ea, em posi\u00e7\u00e3o de sentido, interpretou a obra de Os\u00f3rio Duque Estrada e Francisco Manuel da Silva? Um mont\u00e3o, claro. Por isso ela \u00e9 pra l\u00e1 de conhecida. E por isso, tamb\u00e9m, o primeiro verso cai em prova de concurso. Trata-se de pegadinha.<br \/>\nEi-la: <I><br \/>\nOuviram do Ipiranga as margens pl\u00e1cidas<br \/>\nDe um povo her\u00f3ico o brado retumbante<\/I><br \/>\nA quest\u00e3o \u00e9 esta: qual o sujeito do verbo ouvir? A mo\u00e7ada chuta a torto e a direito. A Lei de Murphy faz a festa. O que pode dar errado d\u00e1. H\u00e1 jeito de escapar da cilada? H\u00e1. Basta p\u00f4r a frase na ordem direta:<I><br \/>\nAs margens pl\u00e1cidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo her\u00f3ico.<\/I><br \/>\nF\u00e1cil, n\u00e3o? Quem ouviu? <I>As margens pl\u00e1cidas do Ipiranga<\/I>. N\u00e3o estranhe. Em literatura at\u00e9 <I>margem<\/I> pode ouvir. \u00c9 um truque. Chama-se personifica\u00e7\u00e3o.<B><br \/>\nAdeus, Feira do Livro<\/B><br \/>\nBras\u00edlia se despede da Feira do Livro de 2006. Amanh\u00e3 ser\u00e1 o \u00faltimo dia. Quem andou por l\u00e1 n\u00e3o deixa d\u00favida. Gosta de ler. Passeia por palavras, par\u00e1grafos e p\u00e1ginas. Admira ilustra\u00e7\u00f5es. Toca capas duras e moles. \u00c9 bom pra danar, n\u00e3o? A gente viaja, se diverte, manda as preocupa\u00e7\u00f5es pras cucias. De quebra, enriquece o vocabul\u00e1rio e escreve melhor. \u00c9 uma festa pros olhos e pra vida. Viva!<br \/>\nMas o verbo <I>ler<\/I> exige um cuidado. Olho no presente do indicativo. Melhor: olho na 3\u00aa pessoa. No singular, temos: <I>ele l\u00ea<\/I>. No plural, <I>eles l\u00eaem<\/I>. Prestou aten\u00e7\u00e3o na manha? Em <I>l\u00ea<\/I>, o verbo termina em <B>e<\/B> e ganha acento. No plural, dobra o <B>e<\/B> e mant\u00e9m o grampinho. \u00c9 dose dupla.<B><br \/>\nInvejosos<\/B><br \/>\nOutros verbos jogam no time de ler. Na 3\u00aa pessoa do singular, terminam em \u00ea. Na 3\u00aa do plural, dobram o <B>e<\/B> e conservam o chapeuzinho. Os mais conhecidos s\u00e3o <I>ver, crer<\/I> e <I>dar:<br \/>\nele v\u00ea \u2014 eles v\u00eaem<br \/>\nele cr\u00ea \u2014 eles cr\u00eaem<br \/>\nele d\u00ea \u2014 eles d\u00eaem<\/I><B><br \/>\nOlho vivo<\/B><br \/>\nA l\u00edngua adora armar ciladas. Ao menor descuido, pega o bobo na casaca do ovo. N\u00e3o caia na dela. Os verbos <I>ter<\/I> e <I>vir<\/I> n\u00e3o t\u00eam nem parentesco com ler, ver e crer. Observe:<br \/>\nele tem \u2014 eles t\u00eam<br \/>\nele vem \u2014 eles v\u00eam<B><br \/>\nCumplicidade<\/B><br \/>\nVit\u00f3ria e Jo\u00e3o Marcelo s\u00e3o namorados. Outro dia, ela escreveu uma carta pra ele. Disse que tinha estudado \u00e0 bessa. O garoto estremeceu. O cora\u00e7\u00e3o gelou. Mas gostava tanto da garotinha\u2026 O que fazer? Bancou o esperto. Perguntou:<br \/>\n\u2014 Bessa se grafa assim? N\u00e3o sabia. Sempre escrevi com \u00e7. Vamos dar uma espiadinha no dicion\u00e1rio?<br \/>\nL\u00e1 estava: <I>\u00e0 be\u00e7a<\/I>. Com \u00e7. Grata, Vit\u00f3ria mandou um cart\u00e3o: &#8220;Gosto de voc\u00ea \u00e0 be\u00e7a&#8221;. Com \u00e7. Jo\u00e3o Marcelo vibrou. Os dois est\u00e3o juntos at\u00e9 hoje.<br \/>\nMoral da hist\u00f3ria: alguns chamam o dicion\u00e1rio de pai dos burros. Bobeiam. <I>Aur\u00e9lios, Houaiss<\/I> &amp; cia. s\u00e3o pais dos inteligentes. Gente igualzinha ao Jo\u00e3o Marcelo e \u00e0 Vit\u00f3ria.<B><br \/>\nBateu no teto <\/B><br \/>\nSal\u00e1rio? Valha-nos, Deus! \u00c9 uma briga sem fim. No servi\u00e7o p\u00fablico, ningu\u00e9m pode ganhar mais que o presidente do Supremo Tribunal Federal. O valor do contracheque dele \u00e9 o teto. Muitos abusam. V\u00e3o al\u00e9m. A imprensa denuncia. Fala em teto m\u00e1ximo. D\u00e1 bobeira. <I>Teto m\u00e1ximo<\/I> \u00e9 pleonasmo como subir pra cima ou descer pra baixo. S\u00f3 se pode subir pra cima e descer pra baixo. Teto \u00e9 o maior sal\u00e1rio. Teto m\u00e1ximo? Cruz-credo! O m\u00e1ximo sobra. X\u00f4, satan\u00e1s!<I><br \/>\n<A name=\"Save1\"><\/A><br \/>\nOuviram do Ipiranga as margens pl\u00e1cidas<br \/>\nDe um povo her\u00f3ico o brado retumbante<\/I><br \/>\nA quest\u00e3o \u00e9 esta: qual o sujeito do verbo ouvir? A mo\u00e7ada chuta a torto e a direito. A Lei de Murphy faz a festa. O que pode dar errado d\u00e1. H\u00e1 jeito de escapar da cilada? H\u00e1. Basta p\u00f4r a frase na ordem direta:<I><br \/>\nAs margens pl\u00e1cidas do Ipiranga ouviram o brado retumbante de um povo her\u00f3ico.<\/I><br \/>\nF\u00e1cil, n\u00e3o? Quem ouviu? <I>As margens pl\u00e1cidas do Ipiranga<\/I>. N\u00e3o estranhe. Em literatura at\u00e9 <I>margem<\/I> pode ouvir. \u00c9 um truque. Chama-se personifica\u00e7\u00e3o.<B><br \/>\nAdeus, Feira do Livro<\/B><br \/>\nBras\u00edlia se despede da Feira do Livro de 2006. Amanh\u00e3 ser\u00e1 o \u00faltimo dia. Quem andou por l\u00e1 n\u00e3o deixa d\u00favida. Gosta de ler. Passeia por palavras, par\u00e1grafos e p\u00e1ginas. Admira ilustra\u00e7\u00f5es. Toca capas duras e moles. \u00c9 bom pra danar, n\u00e3o? A gente viaja, se diverte, manda as preocupa\u00e7\u00f5es pras cucias. De quebra, enriquece o vocabul\u00e1rio e escreve melhor. \u00c9 uma festa pros olhos e pra vida. Viva!<br \/>\nMas o verbo <I>ler<\/I> exige um cuidado. Olho no presente do indicativo. Melhor: olho na 3\u00aa pessoa. No singular, temos: <I>ele l\u00ea<\/I>. No plural, <I>eles l\u00eaem<\/I>. Prestou aten\u00e7\u00e3o na manha? Em <I>l\u00ea<\/I>, o verbo termina em <B>e<\/B> e ganha acento. No plural, dobra o <B>e<\/B> e mant\u00e9m o grampinho. \u00c9 dose dupla.<B><br \/>\nInvejosos<\/B><br \/>\nOutros verbos jogam no time de ler. Na 3\u00aa pessoa do singular, terminam em \u00ea. Na 3\u00aa do plural, dobram o <B>e<\/B> e conservam o chapeuzinho. Os mais conhecidos s\u00e3o <I>ver, crer<\/I> e <I>dar:<br \/>\nele v\u00ea \u2014 eles v\u00eaem<br \/>\nele cr\u00ea \u2014 eles cr\u00eaem<br \/>\nele d\u00ea \u2014 eles d\u00eaem<\/I><B><br \/>\nOlho vivo<\/B><br \/>\nA l\u00edngua adora armar ciladas. Ao menor descuido, pega o bobo na casaca do ovo. N\u00e3o caia na dela. Os verbos <I>ter<\/I> e <I>vir<\/I> n\u00e3o t\u00eam nem parentesco com ler, ver e crer. Observe:<br \/>\nele tem \u2014 eles t\u00eam<br \/>\nele vem \u2014 eles v\u00eam<B><br \/>\nCumplicidade<\/B><br \/>\nVit\u00f3ria e Jo\u00e3o Marcelo s\u00e3o namorados. Outro dia, ela escreveu uma carta pra ele. Disse que tinha estudado \u00e0 bessa. O garoto estremeceu. O cora\u00e7\u00e3o gelou. Mas gostava tanto da garotinha\u2026 O que fazer? Bancou o esperto. Perguntou:<br \/>\n\u2014 Bessa se grafa assim? N\u00e3o sabia. Sempre escrevi com \u00e7. Vamos dar uma espiadinha no dicion\u00e1rio?<br \/>\nL\u00e1 estava: <I>\u00e0 be\u00e7a<\/I>. Com \u00e7. Grata, Vit\u00f3ria mandou um cart\u00e3o: &#8220;Gosto de voc\u00ea \u00e0 be\u00e7a&#8221;. Com \u00e7. Jo\u00e3o Marcelo vibrou. Os dois est\u00e3o juntos at\u00e9 hoje.<br \/>\nMoral da hist\u00f3ria: alguns chamam o dicion\u00e1rio de pai dos burros. Bobeiam. <I>Aur\u00e9lios, Houaiss<\/I> &amp; cia. s\u00e3o pais dos inteligentes. Gente igualzinha ao Jo\u00e3o Marcelo e \u00e0 Vit\u00f3ria.<B><br \/>\nBateu no teto <\/B><br \/>\nSal\u00e1rio? Valha-nos, Deus! \u00c9 uma briga sem fim. No servi\u00e7o p\u00fablico, ningu\u00e9m pode ganhar mais que o presidente do Supremo Tribunal Federal. O valor do contracheque dele \u00e9 o teto. Muitos abusam. V\u00e3o al\u00e9m. A imprensa denuncia. Fala em teto m\u00e1ximo. D\u00e1 bobeira. <I>Teto m\u00e1ximo<\/I> \u00e9 pleonasmo como subir pra cima ou descer pra baixo. S\u00f3 se pode subir pra cima e descer pra baixo. Teto \u00e9 o maior sal\u00e1rio. Teto m\u00e1ximo? Cruz-credo! O m\u00e1ximo sobra. X\u00f4, satan\u00e1s!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recado &#8220;Falar \u00e9 f\u00e1cil. Fazer \u00e9 que s\u00e3o elas.&#8221; Voz do povo Pegadinha patri\u00f3tica Amanh\u00e3 \u00e9 o Dia da P\u00e1tria. Ah, coisa boa! Vem feriad\u00e3o. V\u00eam desfiles. Muitos repetir\u00e3o o muitas vezes repetido. Cantar\u00e3o o Hino Nacional. 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