{"id":22390,"date":"2020-05-07T14:04:29","date_gmt":"2020-05-07T17:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=22390"},"modified":"2020-05-07T14:04:29","modified_gmt":"2020-05-07T17:04:29","slug":"internetes-fim-da-norma-culta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/internetes-fim-da-norma-culta\/","title":{"rendered":"Internet\u00eas: fim da norma culta?"},"content":{"rendered":"<p>Em \u00e9poca de coronav\u00edrus, \u00e9 um susto atr\u00e1s do outro. M\u00e3es e pais est\u00e3o com o cabelo em p\u00e9. Por qu\u00ea? Os filhos n\u00e3o desgrudam do computador. Passam horas diante da tela. Usam l\u00edngua pr\u00f3pria: abreviaturas estranhas, palavras inventadas \u2014 tudo aos peda\u00e7os, sem come\u00e7o nem fim, sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a. Bicho vira bx. Voc\u00ea, vc. Beijo, bj. O que fazer?<\/p>\n<p>Ler e escrever s\u00e3o habilidades. Nadar, correr e datilografar tamb\u00e9m. Para desenvolver-se, exigem treino. Michael Phelps n\u00e3o ganhou sete medalhas de ouro. Conquistou-as. Foram milhares de horas de bra\u00e7adas, outras tantas de muscula\u00e7\u00e3o e n\u00e3o menos de ren\u00fancias. Hoje, ele se exibe de frente, de costas, de lado. Faz malabarismos dentro d\u2019\u00e1gua. Pode tudo.<\/p>\n<p>A aquisi\u00e7\u00e3o da leitura e da escrita passa por processo semelhante. Quando se alfabetiza, a crian\u00e7a entra no universo da l\u00edngua escrita. No come\u00e7o, l\u00ea com dificuldade e escreve com (muitos) trope\u00e7os. \u00c0 medida que se familiariza com esses, z\u00eas, jotas e ag\u00e1s, os enganos diminuem. A tend\u00eancia \u00e9 sumirem.<\/p>\n<p>Parece milagre. Pirralhinhos de 8-9 anos grafam hospital com h. Desenho, com s. Cachorro, com ch e dois erres. Como chegaram l\u00e1? N\u00e3o foi com o estudo da etimologia. Nem com regras ou palmat\u00f3rias. A chave do \u00eaxito se chama familiaridade. A crian\u00e7a v\u00ea a palavra. Fixa-a. E a reproduz. Da\u00ed a \u00edntima rela\u00e7\u00e3o entre a leitura e a escrita. Quanto mais se l\u00ea, melhor se escreve.<\/p>\n<p>A l\u00edngua \u00e9 um conjunto de possibilidades. Com o tempo nos tornamos poliglotas no nosso idioma. Se estamos com a turma, usamos a g\u00edria do grupo. Se na entrevista da sele\u00e7\u00e3o de emprego, outra. Se nos bate-papos da internet, mais uma. Todas t\u00eam hora e vez. Trocar as bolas? D\u00e1 o samba da l\u00edngua doida.<\/p>\n<p>Os bate-papos na internet t\u00eam c\u00f3digo pr\u00f3prio. A velocidade \u00e9 a lei. Na tela m\u00e1gica, o analfabeto cibern\u00e9tico n\u00e3o tem vez. Quem domina as v\u00e1rias l\u00ednguas da l\u00edngua entra e sai sem problema. Mas quem engatinha na aprendizagem do b\u00e1sico perde o rumo. E da\u00ed? Proibir a meninada de teclar? \u00c9 dif\u00edcil. Melhor fazer um trato: a cada minuto diante da tela deve corresponder uma hora de leitura. A troca vale a pena.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em \u00e9poca de coronav\u00edrus, \u00e9 um susto atr\u00e1s do outro. M\u00e3es e pais est\u00e3o com o cabelo em p\u00e9. Por qu\u00ea? Os filhos n\u00e3o desgrudam do computador. Passam horas diante da tela. Usam l\u00edngua pr\u00f3pria: abreviaturas estranhas, palavras inventadas \u2014 tudo aos peda\u00e7os, sem come\u00e7o nem fim, sem p\u00e9 nem cabe\u00e7a. Bicho vira bx. Voc\u00ea, vc. Beijo, bj. O que fazer? 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