{"id":22639,"date":"2020-05-30T08:51:10","date_gmt":"2020-05-30T11:51:10","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=22635"},"modified":"2020-05-30T08:51:10","modified_gmt":"2020-05-30T11:51:10","slug":"medico-e-professor-herois-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/medico-e-professor-herois-da-pandemia\/","title":{"rendered":"M\u00e9dico e professor: her\u00f3is da pandemia"},"content":{"rendered":"<p>A pandemia revelou verdades antes despercebidas. Trata-se da luta de m\u00e9dicos e professores. Eles jogam no mesmo time. Ambos trabalham com a mais preciosa mat\u00e9ria-prima\u00a0\u2013 a vida. Conjugam tamb\u00e9m o mesmo verbo. Salvar. Mas, no Brasil, um oceano os separa. Uns vivem no s\u00e9culo 21. Os outros, no 19.<\/p>\n<p>Se um cirurgi\u00e3o dos anos 1800 entrar hoje numa sala de opera\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 incapaz, at\u00e9, de reconhecer um bisturi. Um professor da mesma \u00e9poca dar\u00e1 a aula com a desenvoltura de ent\u00e3o. Talvez encontre alguma maquiagem aqui e ali. Em vez do quadro-negro, quadro branco. Com sorte, eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Na era digital, em que a inova\u00e7\u00e3o \u00e9 a ordem, a educa\u00e7\u00e3o continua anal\u00f3gica, voltada para a revolu\u00e7\u00e3o industrial \u2013 hor\u00e1rios r\u00edgidos, menininhos de uniforme, sentadinhos um atr\u00e1s do outro, recebendo o mesmo conte\u00fado do mestre que detinha o monop\u00f3lio do saber.\u00a0 Preparavam-se, \u00e0 \u00e9poca, oper\u00e1rios pra linha de montagem. Quanto mais iguais, melhor. Deu certo.<\/p>\n<p>Ocorre que as crian\u00e7as de hoje nascem digitais. Mas a escola, ao contr\u00e1rio da medicina, negou-se a fazer a leitura correta do tempo. Manteve-se no passado. Com a informa\u00e7\u00e3o na palma da m\u00e3o e as bibliotecas do planeta no kindle, ningu\u00e9m precisa do bl\u00e1-bl\u00e1-bl\u00e1 do pseudo-Google pra saber que Pedro \u00c1lvares Cabral descobriu o Brasil, que Michelangelo esculpiu Davi, que Bethoven comp\u00f4s a Quinta Sinfonia, que o Jap\u00e3o fica na \u00c1sia. Precisa, sim, saber onde encontrar o que procura e como discriminar o certo do errado.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m passa por interna\u00e7\u00e3o hospitalar a passeio. O paciente tem a oportunidade de presenciar ao vivo a dedica\u00e7\u00e3o das equipes de sa\u00fade. Impressiona a determina\u00e7\u00e3o obstinada. Eles n\u00e3o desistem do paciente jamais. Mesmo quando os exames dizem que o prazo de validade est\u00e1 vencido, mant\u00eam a luta e a esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com os professores. N\u00f3s n\u00e3o desistimos de nossos alunos. Nem os deixamos para tr\u00e1s. Cada estudante carrega um drama diferente que interfere nos estudos. Temos de ajud\u00e1-los a super\u00e1-los para que n\u00e3o interfiram na aprendizagem. \u00c9 o que os mestres t\u00eam feito Brasil afora. Al\u00e9m de ministrar ensino a dist\u00e2ncia, socorrem os sem-internet entregando material impresso na casa de cada um.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos e os professores t\u00eam dois denominadores comuns: o primeiro: eles salvam vidas. N\u00f3s salvamos o futuro. O segundo: eles n\u00e3o desistem nem diante das evid\u00eancias. N\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o desistimos jamais. Gra\u00e7as a nosso esfor\u00e7o, jovens ocupar\u00e3o lugar de destaque em vez de celas desumanas, superlotadas e sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pandemia revelou verdades antes despercebidas. Trata-se da luta de m\u00e9dicos e professores. Eles jogam no mesmo time. Ambos trabalham com a mais preciosa mat\u00e9ria-prima\u00a0\u2013 a vida. Conjugam tamb\u00e9m o mesmo verbo. Salvar. Mas, no Brasil, um oceano os separa. 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