{"id":22897,"date":"2020-07-05T10:12:03","date_gmt":"2020-07-05T13:12:03","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=22897"},"modified":"2020-07-05T10:12:03","modified_gmt":"2020-07-05T13:12:03","slug":"bolsonaro-educacao-horrivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/bolsonaro-educacao-horrivel\/","title":{"rendered":"Bolsonaro: \u201cEduca\u00e7\u00e3o horr\u00edvel\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Foram necess\u00e1rios 18 meses para o presidente Bolsonaro se dar conta da maior trag\u00e9dia nacional. \u201cA educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 horr\u00edvel\u201d, avaliou ao responder \u00e0 pergunta feita por apoiadores em frente ao Pal\u00e1cio da Alvorada. Ele n\u00e3o especificou o que entende pelo adjetivo talvez por julgar desnecess\u00e1rio. A qualifica\u00e7\u00e3o remete a horror, que sugere o superlativo p\u00e9ssimo.<\/p>\n<p>O julgamento n\u00e3o \u00e9 novo. Especialistas v\u00eam batendo na mesma tecla h\u00e1 anos. Desde que o MEC introduziu a avalia\u00e7\u00e3o das diferentes fases da aprendizagem, ficou comprovado o que se observava empiricamente. O Sistema Nacional de Avalia\u00e7\u00e3o da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Saeb) e o Exame Nacional do Ensino M\u00e9dio (Enem) mostraram, em n\u00fameros, a dimens\u00e3o da cat\u00e1strofe.<\/p>\n<p>Ponto nevr\u00e1lgico: as crian\u00e7as v\u00e3o \u00e0 escola, mas n\u00e3o aprendem. A quarta parte n\u00e3o se alfabetiza, a outra por\u00e7\u00e3o se alfabetiza mal. A exce\u00e7\u00e3o (10%) comprova a regra. Da\u00ed o efeito cascata. O ensino fundamental se compara aos alicerces do edif\u00edcio. A base fr\u00e1gil compromete a totalidade da obra.N\u00e3o por acaso, dos 5 milh\u00f5es de matriculados no Enem 2019, s\u00f3 53 tiraram nota 1000 na reda\u00e7\u00e3o. No ano anterior, 55.<\/p>\n<p>O Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes (Pisa) desnuda, a cada aplica\u00e7\u00e3o, o fracasso em leitura, matem\u00e1tica e ci\u00eancias. Na edi\u00e7\u00e3o de 2018, entre 78 pa\u00edses, o Brasil repetiu o desempenho que se mant\u00e9m h\u00e1 10 anos. Figura entre os \u00faltimos do ranking. A conta vai sendo cobrada ao longo da vida escolar. A moeda: desest\u00edmulo, desinteresse, indisciplina, repet\u00eancia, evas\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, 1,7 milh\u00e3o de jovens comp\u00f5em a gera\u00e7\u00e3o nem-nem (nem estuda nem trabalha) e apenas 16% dos mo\u00e7os frequentam a universidade. Nada menos de 84% se perderam no percurso.H\u00e1, pois, desafios a serem enfrentados para vislumbrar alguma luz no horizonte. Entre eles, sobressai a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. A crian\u00e7a precisa ser capaz de ler e entender o que l\u00ea. A lei determina que, ao concluir o 2\u00ba ano, a alfabetiza\u00e7\u00e3o tem de ser etapa vencida. N\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>O fracasso condena o pa\u00eds \u00e0 pobreza, ao atraso e ao subdesenvolvimento.Os brasileiros, que foram \u00e0s ruas em protesto pela democracia, pela dec\u00eancia e pelo fim da corrup\u00e7\u00e3o, precisam abra\u00e7ar a bandeira da educa\u00e7\u00e3o. T\u00eam de deixar para tr\u00e1s o tr\u00e1gico jogo do faz de conta: a escola finge que ensina, o aluno finge que aprende, a sociedade finge que acredita. O \u201chorr\u00edvel\u201d, fruto de d\u00e9cadas de descaso, n\u00e3o se improvisa. \u00c9 resultado de longo cultivo.<\/p>\n<p>(Editorial do <strong>Correio Braziliense<\/strong> de hoje)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram necess\u00e1rios 18 meses para o presidente Bolsonaro se dar conta da maior trag\u00e9dia nacional. \u201cA educa\u00e7\u00e3o est\u00e1 horr\u00edvel\u201d, avaliou ao responder \u00e0 pergunta feita por apoiadores em frente ao Pal\u00e1cio da Alvorada. Ele n\u00e3o especificou o que entende pelo adjetivo talvez por julgar desnecess\u00e1rio. A qualifica\u00e7\u00e3o remete a horror, que sugere o superlativo p\u00e9ssimo. O julgamento n\u00e3o \u00e9 novo. 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