{"id":2290,"date":"2008-08-18T19:00:00","date_gmt":"2008-08-18T22:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/fatos__versoes\/"},"modified":"2008-08-18T19:00:00","modified_gmt":"2008-08-18T22:00:00","slug":"fatos__versoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/fatos__versoes\/","title":{"rendered":"Fatos  vers\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\nOs prov\u00e9rbios n\u00e3o t\u00eam certid\u00e3o de nascimento. Sem pai e m\u00e3e, pertencem ao povo. Ensinam li\u00e7\u00f5es, fazem alertas, transmitem sabedoria. Simples, claros e enxutinhos, passam de boca em boca, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Todos os entendem. E os repetem.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u00c9 a\u00ed que mora o perigo. No passa-pra-frente, h\u00e1 quem se fixe na rima. Fica no som, sem se preocupar com o sentido. D\u00e1 outra forma ao enunciado. A novidade ganha adeptos. Falantes e mais falantes a divulgam. Confirma-se, assim, a conclus\u00e3o de Jos\u00e9 Maria Alckmin. O mineiro sabido ensinou: &#8220;A vers\u00e3o, tantas vezes repetidas, vira fato&#8221;.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<p>Mas o mundo \u00e9 cheinho de pessoas curiosas. Interessadas, correm atr\u00e1s do fato. Regina Ivete Lopes \u00e9 uma delas. Ela descobriu o original de prov\u00e9rbios v\u00edtimas de deturpa\u00e7\u00e3o. Mandou a lista para amigos. L\u00ea-la \u00e9 pra l\u00e1 de divertido. Quer ver?<br \/>\n<A name=\"Save1\"><\/A><B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA batatinha<\/B><I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nBatatinha quando nasce esparrama pelo ch\u00e3o.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEsparra o qu\u00ea? Mesmo sem l\u00f3gica, a crian\u00e7ada repete o verso em todas as festinhas da escola: <I>Batatinha quando nasce \/ Esparrama pelo ch\u00e3o.\/ A menina que namora \/ P\u00f5e a m\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o.<\/I><br \/>\nO original tem uma pequena diferen\u00e7a. Ei-lo:<I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nBatatinha quando nasce espalha rama pelo ch\u00e3o.<\/I><B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO burro fuj\u00e3o<\/B><I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCor de burro quando foge.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO fato? O quadr\u00fapede mant\u00e9m a cor mesmo quando pula a cerca. Na origem, o dito revelava esperteza. Dava asas \u00e0s pernas:<I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCorro de burro quando foge.<\/I><B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAbre caminhos<\/B><I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuem tem boca vai a Roma.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPor que o privil\u00e9gio? Quem pergunta vai a Roma, Paris, Londres, Rio, Recife. Sem a deturpa\u00e7\u00e3o, d\u00e1-se a C\u00e9sar o que \u00e9 de C\u00e9sar. Eis a forma:<I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuem tem boca vaia Roma.<\/I><B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nTal pai, tal filho<\/B><I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u00c9 a cara do pai escarrado e cuspido.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDeselegante, n\u00e3o? Tadinho do pai. Tadinho do filho. Melhor devolver o requinte do prov\u00e9rbio. O dito nasceu assim:<I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u00c9 a cara do pai em carrara esculpido.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQue salto de qualidade, hein? Carrara, melhor m\u00e1rmore do mundo, leva o nome de onde \u00e9 extra\u00eddo \u2014 a cidade italiana de Carrara, (O escultor Michelangelo s\u00f3 aceitava esculpir nesse material nobre.) Em suma: o prov\u00e9rbio \u00e9 pra l\u00e1 de gentil com os filhos. Eles s\u00e3o a cara o pai melhorada.<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO ca\u00e7ador solit\u00e1rio<\/B><I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuem n\u00e3o tem c\u00e3o ca\u00e7a com gato.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nXiiiiiiiiiiiiiiiii, faltou um o. Sem ele, a compara\u00e7\u00e3o bateu asas e voou:<I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuem n\u00e3o tem c\u00e3o ca\u00e7a como gato.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nL\u00f3gico, n\u00e3o? Sem c\u00e3o, o ca\u00e7ador se vira como gato. Gato ca\u00e7a solit\u00e1rio.<B><br \/>\n<\/B>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Os prov\u00e9rbios n\u00e3o t\u00eam certid\u00e3o de nascimento. Sem pai e m\u00e3e, pertencem ao povo. Ensinam li\u00e7\u00f5es, fazem alertas, transmitem sabedoria. Simples, claros e enxutinhos, passam de boca em boca, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Todos os entendem. E os repetem. &nbsp; \u00c9 a\u00ed que mora o perigo. No passa-pra-frente, h\u00e1 quem se fixe na rima. Fica no som, sem se preocupar com o sentido. 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