{"id":23213,"date":"2020-08-06T07:28:52","date_gmt":"2020-08-06T10:28:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=23213"},"modified":"2020-08-06T07:28:52","modified_gmt":"2020-08-06T10:28:52","slug":"solidariedade-ao-libano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/solidariedade-ao-libano\/","title":{"rendered":"Solidariedade ao L\u00edbano"},"content":{"rendered":"<p>Grandes trag\u00e9dias sempre causam como\u00e7\u00e3o. Guerras, tsunamis, terremotos, atentados t\u00eam o cond\u00e3o de mobilizar comunidades pr\u00f3ximas ou distantes. O sentimento ser\u00e1 tanto maior quanto maior for a rela\u00e7\u00e3o entre as partes. Por esse motivo, a explos\u00e3o no porto de Beirute ocorrido na ter\u00e7a-feira atinge os brasileiros de forma singular.<\/p>\n<p>O Brasil tem la\u00e7os hist\u00f3ricos com o L\u00edbano. D. Pedro II visitou a antiga Fen\u00edcia em 1876. Durante a viagem, falou aos camponeses sobre o imp\u00e9rio sul-americano, onde j\u00e1 vivia um pequeno n\u00famero de libaneses. A visita incentivou o fluxo migrat\u00f3rio, necess\u00e1rio sobretudo para substituir a m\u00e3o de obra escrava que se avizinhava do fim.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, o Brasil se tornou a maior na\u00e7\u00e3o libanesa do mundo. Os 12 milh\u00f5es de nativos, naturalizados e descendentes que se espalham pelo territ\u00f3rio nacional ultrapassam os 8 milh\u00f5es de habitantes do pequeno pa\u00eds do Oriente M\u00e9dio. A integra\u00e7\u00e3o dos dois povos foi tal que pratos da culin\u00e1ria \u00e1rabe figuram em festas, card\u00e1pios e mesas do dia a dia. \u00c9 o caso de quibe, homus e esfiha.<\/p>\n<p>A calamidade que se abateu sobre a cidade que se reconstruiu depois de 15 anos de guerra civil clama por respostas e por solidariedade. O que provocou a explos\u00e3o de quase 3 mil toneladas de nitrato de am\u00f4nio foi acidente, atentado terrorista, bombardeio por for\u00e7a militar estrangeira? Imp\u00f5e-se esclarecer a quest\u00e3o para que n\u00e3o pairem d\u00favidas sobre a responsabilidade da autoria.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o se tenha clareza sobre a causa da cat\u00e1strofe, sabe-se das consequ\u00eancias. Os mortos que ultrapassam uma centena, os feridos que chegam a 5 mil, os deslocados que se aproximam de 300 mil agravam a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds afundado em in\u00e9dita crise pol\u00edtica, social, econ\u00f4mica e sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros falam por si: infla\u00e7\u00e3o de 80%, moeda desvalorizada, desemprego de 30% dos trabalhadores, sistema de sa\u00fade em colapso por causa da pandemia, popula\u00e7\u00e3o empobrecida cuja face mais cruel s\u00e3o as 600 mil crian\u00e7as que vivem abaixo da linha de pobreza. Os alimentos, 90% dos quais importados, tornaram-se muito caros em face da perda de valor da lira libanesa.<\/p>\n<p>Sem ajuda internacional, o Estado n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de atender as urg\u00eancias. A di\u00e1spora libanesa, um dos pilares da economia fen\u00edcia, precisa multiplicar a ajuda. Socorro emergencial chega de pa\u00edses \u00e1rabes, africanos, europeus e americanos. O presidente Jair Bolsonaro disse que por\u00e1 uma aeronave \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da comunidade.<\/p>\n<p>\u00c9 pouco. Celeiro do mundo, o Brasil tem de doar alimentos, rem\u00e9dios, insumos, tecnologia e recursos indispens\u00e1veis \u00e0 vida. A Marinha, que colabora com a seguran\u00e7a h\u00e1 40 anos e se prepara para retornar ao pa\u00eds, necessita rever o calend\u00e1rio e permanecer por mais tempo no Mediterr\u00e2neo. Solidariedade nunca faltou aos brasileiros. N\u00e3o h\u00e1 de faltar agora.<\/p>\n<p>(Editorial do <em>Correio Braziliense<\/em> de hoje)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Grandes trag\u00e9dias sempre causam como\u00e7\u00e3o. Guerras, tsunamis, terremotos, atentados t\u00eam o cond\u00e3o de mobilizar comunidades pr\u00f3ximas ou distantes. O sentimento ser\u00e1 tanto maior quanto maior for a rela\u00e7\u00e3o entre as partes. Por esse motivo, a explos\u00e3o no porto de Beirute ocorrido na ter\u00e7a-feira atinge os brasileiros de forma singular. O Brasil tem la\u00e7os hist\u00f3ricos com o L\u00edbano. D. 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