{"id":2324,"date":"2008-08-24T00:00:00","date_gmt":"2008-08-24T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/curto_e_facil\/"},"modified":"2008-08-24T00:00:00","modified_gmt":"2008-08-24T03:00:00","slug":"curto_e_facil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/curto_e_facil\/","title":{"rendered":"Curto e f\u00e1cil"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\nNa l\u00edngua vigora a lei do menor esfor\u00e7o. Em outras palavras: na comunica\u00e7\u00e3o do dia-a-dia, a pregui\u00e7a fala mais alto. A regra vale para os numerais. Os locutores de r\u00e1dio e TV quase apagaram os ordinais do vocabul\u00e1rio. Em vez deles, empregam os cardinais. Nas Olimp\u00edadas, n\u00e3o dizem que determinado atleta \u00e9 o d\u00e9cimo quinto do ranking. Preferem &#8220;\u00e9 o n\u00famero 15&#8221;. No notici\u00e1rio da guerra, n\u00e3o d\u00e1 outra: &#8220;Aliados abrem caminho para a Brigada Aerotransportada n\u00famero 173&#8221;.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nExplica-se a morte prematura dos ordinais. Se a emissora dissesse &#8220;o d\u00e9cimo quinto&#8221; ou &#8220;a cent\u00e9sima septuag\u00e9sima terceira brigada&#8221;, enfrentaria dois problemas. Um: perda de preciosos segundos da programa\u00e7\u00e3o. A outra: risco de n\u00e3o ser entendida. Como a l\u00edngua \u00e9 um conjunto de possibilidades, r\u00e1dios e TVs mostraram que sabem das coisas. Escolhem a forma que mais lhes conv\u00e9m \u2014 a mais f\u00e1cil e mais curta. Palmas pra elas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nMas a maioria dos mortais trabalha em escrit\u00f3rios, escolas, servi\u00e7o p\u00fablico. Volta e meia, tem de escrever cartas, relat\u00f3rios, e-mails. Tem, tamb\u00e9m, de falar nos ordinais. A\u00ed, s\u00f3 h\u00e1 uma sa\u00edda: desvendar o mist\u00e9rio dos danadinhos. M\u00e3os \u00e0 obra.<br \/>\n<BR>&nbsp;<BR><STRONG>Olha a cara deles<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nLembra-se dos ordinais de um a um milh\u00e3o? Sim? Ent\u00e3o pule esta nota. N\u00e3o? D\u00ea uma espiadinha na lista. Mas v\u00e1 por etapas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>De um a nove<\/STRONG>: um (primeiro), dois (segundo), tr\u00eas (terceiro), quatro (quarto), cinco (quinto), seis (sexto), sete (s\u00e9timo), oito (oitavo), nove (nono). <BR><br \/>\n<STRONG>De dez a cem<\/STRONG>: 10 (d\u00e9cimo), 20 (vig\u00e9simo), 30 (trig\u00e9simo), 40 (quadrag\u00e9simo), 50 (q\u00fcinquag\u00e9simo), 60 (sexag\u00e9simo), 70 (septuag\u00e9simo), 80 (octog\u00e9simo), 90 (nonag\u00e9simo), cem (cent\u00e9simo).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>De 200 a mil<\/STRONG>: (ducent\u00e9simo), 300 (trecent\u00e9simo), 400 (quadringent\u00e9simo), 500 (q\u00fcingent\u00e9simo), 600 (seiscent\u00e9simo ou sexcent\u00e9simo), 700 (septingent\u00e9simo), 800 (octingent\u00e9simo), 900 (nongent\u00e9simo), 1.000 (mil\u00e9simo).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>De 10 mil a 1 bilh\u00e3o<\/STRONG>: 10 mil (dez mil\u00e9simos), 100 mil (cem mil\u00e9simos), 1 milh\u00e3o (milion\u00e9simo), 1 bilh\u00e3o (bilion\u00e9simo). Ufa!<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Exageros<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nOs ordinais t\u00eam uma marca. Cultivam a mania de grandeza. Ao escrev\u00ea-los, todos os algarismos ganham forma ordinal: 123\u00ba (cent\u00e9simo vig\u00e9simo terceiro), 1512\u00ba (mil\u00e9simo q\u00fcingent\u00e9simo d\u00e9cimo segundo), 454\u00ba (quadringent\u00e9simo q\u00fcinquag\u00e9simo quarto).<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Alergias<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nOs donos da ordem sofrem de mal incur\u00e1vel. S\u00e3o al\u00e9rgicos ao h\u00edfen. Pra l\u00e1 de sens\u00edveis, n\u00e3o aceitam o tracinho nem em troca de j\u00f3ia da H. Stern: d\u00e9cimo primeiro, octog\u00e9simo nono, ducent\u00e9simo trig\u00e9simo oitavo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Dependentes<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nOs locutores se safam do ordinal porque lhe trocam o lugar. Ao dizerem &#8220;Joca \u00e9 o n\u00famero 15&#8221;, o quinze vem depois do substantivo n\u00famero. A\u00ed, n\u00e3o h\u00e1 erro. Quando o numeral vem depois do substantivo, o cardinal ganha o trono: O assento dele \u00e9 o (n\u00famero) 225.<br \/>\n<BR>Se vem na frente, s\u00f3 o ordinal tem vez: d\u00e9cimo s\u00e9culo, terceiro ato, sexto canto, vig\u00e9simo s\u00e9culo, d\u00e9cimo primeiro cap\u00edtulo, d\u00e9cimo quinto tomo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Privilegiados<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nNa l\u00edngua como na vida, alguns s\u00e3o mais iguais perante a lei. Na designa\u00e7\u00e3o de papas e soberanos, bem como na de s\u00e9culos e partes em que se divide uma obra, usam-se os ordinais at\u00e9 d\u00e9cimo. Da\u00ed por diante, o cardinal pinta glorioso: Greg\u00f3rio VII (s\u00e9timo), s\u00e9culo X (d\u00e9cimo), ato II (segundo), canto VI (sexto), Jo\u00e3o XXIII (vinte e tr\u00eas), Lu\u00eds XIV (quatorze), cap\u00edtulo XI (onze).<br \/>\n<BR>Olho vivo! Na numera\u00e7\u00e3o de artigos de leis, decretos e portarias, h\u00e1 uma diferen\u00e7a. Usa-se o ordinal at\u00e9 nove e o cardinal de 10 em diante: artigo 1\u00ba, artigo 9\u00ba, artigo 10, artigo 41.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>O primeir\u00e3o<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nDia da mentira? \u00c9 primeiro de abril. Em que data se comemora o Dia do Trabalho? Primeiro de maio. \u00c9 isso. Nas refer\u00eancias aos dias do m\u00eas, o primeir\u00e3o \u00e9 ordinal. Os demais, cardinais (24 de agosto).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Na l\u00edngua vigora a lei do menor esfor\u00e7o. Em outras palavras: na comunica\u00e7\u00e3o do dia-a-dia, a pregui\u00e7a fala mais alto. 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