{"id":2339,"date":"2008-08-26T00:30:00","date_gmt":"2008-08-26T03:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/no_ar_o_programa_eleitoral\/"},"modified":"2008-08-26T00:30:00","modified_gmt":"2008-08-26T03:30:00","slug":"no_ar_o_programa_eleitoral","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/no_ar_o_programa_eleitoral\/","title":{"rendered":"No ar, o programa eleitoral"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<BR><br \/>\nAs Olimp\u00edadas acabaram. \u00c9 hora de prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es. O Distrito Federal, que n\u00e3o tem prefeito nem vereador, est\u00e1 fora da campanha. As demais unidades da Federa\u00e7\u00e3o t\u00eam de conviver com discursos, promessas, santinhos &amp; cia. pra l\u00e1 de conhecida. \u00c9 isso mesmo. O senhor chav\u00e3o pede passagem. <BR>Na origem, o diss\u00edlabo significava chave grande ou molde de metal. Servia para imprimir adornos em bolos ou marcar o gado. Tem a ver com repeti\u00e7\u00e3o. Num sentido amplo, \u00e9 o que se faz, se diz ou se escreve por costume \u2014 como tirado de&nbsp; um molde. Eta chatura!&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuer lugar mais comum que sorriso de candidato? E o discurso? Tem tr\u00eas marcas. Uma: recorre a palavras m\u00e1gicas. Bate na tecla do emprego, da educa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade, da seguran\u00e7a. Outra: destaca uma s\u00f3 preocupa\u00e7\u00e3o \u2014 o povo. A \u00faltima: revela super-homens. Todos s\u00e3o capazes de resolver todos os problemas. Como? Com boas inten\u00e7\u00f5es e o voto dos cr\u00e9dulos.<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>Seis por meia d\u00fazia<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;Programa eleitoral tem um mont\u00e3o de defeitos. \u00c9 chato, repetitivo e mentiroso. Mas tem qualidades. Uma delas: amplia nossa cultura. O maior lucro fica com a ling\u00fc\u00edstica. N\u00e3o pela varia\u00e7\u00e3o vocabular, nem pelo respeito \u00e0 sintaxe e \u00e0 pros\u00f3dia. Mas pela sofistica\u00e7\u00e3o dos termos. Palavras gregas e latinas jogam luz na fala dos candidatos, iluminam-lhes as id\u00e9ias, denunciam quem \u00e9 quem.&nbsp;<br \/>\n<BR>&nbsp;A tautologia sobressai. Na boca do povo, a poliss\u00edlaba sofisticada ganhou tradu\u00e7\u00e3o em bom portugu\u00eas: trocar seis por meia d\u00fazia. Racioc\u00ednio circular, fala sem dizer. Parece cachorro correndo atr\u00e1s do rabo. O bicho roda em tal velocidade que deixa a impress\u00e3o de que vai tirar a m\u00e3e da forca. Mas n\u00e3o sai do lugar. \u00c9 o caso do requerimento que requer, do diretor que dirige, do gerente que gerencia.<br \/>\n<BR>&nbsp;Nossos candidatos esbanjam tautologias a torto e a direito. Matam a fome com comida, a sede com \u00e1gua, a escurid\u00e3o com eletricidade. Diminuem o desemprego com emprego, a falta de vagas com vagas, a desonestidade com honestidade. Aumentam a oferta de transporte com mais \u00f4nibus e vans. Acabam os projetos inacabados com a conclus\u00e3o das obras. Quer mais? Deixe o hedonismo pra l\u00e1. Gaste uns minutinhos diante da telinha.&nbsp;<BR>&nbsp;<BR>&nbsp;<BR>&nbsp;<BR>&nbsp;<BR>&nbsp;<BR><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; As Olimp\u00edadas acabaram. \u00c9 hora de prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s elei\u00e7\u00f5es. O Distrito Federal, que n\u00e3o tem prefeito nem vereador, est\u00e1 fora da campanha. As demais unidades da Federa\u00e7\u00e3o t\u00eam de conviver com discursos, promessas, santinhos &amp; cia. pra l\u00e1 de conhecida. \u00c9 isso mesmo. O senhor chav\u00e3o pede passagem. Na origem, o diss\u00edlabo significava chave grande ou molde de metal. 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