{"id":23459,"date":"2020-09-07T07:25:00","date_gmt":"2020-09-07T10:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=23459"},"modified":"2020-09-07T07:25:00","modified_gmt":"2020-09-07T10:25:00","slug":"o-verde-amarelo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o-verde-amarelo\/","title":{"rendered":"O verde-amarelo"},"content":{"rendered":"<p>Os pa\u00edses t\u00eam cores que os identificam. A Fran\u00e7a exibe azul, branco e vermelho; os Estados Unidos, vermelho, branco e azul; Portugal, vermelho, verde e amarelo; o Brasil, verde e amarelo. Elas funcionam como meton\u00edmia \u2013 a parte que retrata o todo. Ao mir\u00e1-las, mira-se a na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando as sele\u00e7\u00f5es de futebol disputam campeonatos mundo afora, vestem as cores nacionais. Os 11 jogadores em campo n\u00e3o representam este ou aquele time. Representam o pa\u00eds com milh\u00f5es ou bilh\u00f5es de habitantes e s\u00e9culos de hist\u00f3ria. Nos p\u00e9s dos brasileiros, por exemplo, s\u00e3o 520 anos de lutas e conquistas que rolam no gramado.<\/p>\n<p>Ali est\u00e3o concentrados \u00edndios, negros e brancos cuja contribui\u00e7\u00e3o tornou os brasis Brasil. Durante s\u00e9culos n\u00e3o havia a defini\u00e7\u00e3o de brasileiro. Havia baianos, cearenses, piauienses, mineiros, pernambucanos, paulistas e tantas outras denomina\u00e7\u00f5es. Nada os unia.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi f\u00e1cil dar liga a culturas diferentes, dist\u00e2ncias continentais, interesses diversos e meios de transporte prec\u00e1rios. Revoltas separatistas eclodiram em prov\u00edncias pr\u00f3ximas e distantes do poder central. Proclamada a Independ\u00eancia, muitos se negaram a integrar o Imp\u00e9rio do Brasil.<\/p>\n<p>Desligar-se da tutela portuguesa e tomar as r\u00e9deas do pr\u00f3prio destino exigiu diplomacia, negocia\u00e7\u00f5es e povo nas ruas. D. Pedro I, antes de abdicar em favor de quem viria a ser o segundo imperador do pa\u00eds, sofreu hostilidades da popula\u00e7\u00e3o que quase lhe impossibilitaram o ir e vir.<\/p>\n<p>Uma delas ocorreu \u00e0s portas do pal\u00e1cio imperial. Em luta aberta, brasileiros atacaram casas de portugueses. Receberam em resposta uma chuva de garrafas. Foi a Noite das Garrafas. Menos de um m\u00eas depois, o monarca voltou para Lisboa. Num desabafo, disse que invejava o filho por ele ser brasileiro.<\/p>\n<p>Era brasileiro por ter nascido no Brasil. Quem mais seria brasileiro? Estrangeiros que aqui chegaram e ficaram? Ind\u00edgenas, negros, mesti\u00e7os tamb\u00e9m teriam direito \u00e0 nacionalidade? Seria permitida a escraviza\u00e7\u00e3o de brasileiros? As quest\u00f5es exigiam resposta pol\u00edtica. A na\u00e7\u00e3o foi criada a partir das defini\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas e imposi\u00e7\u00f5es sociais dos dirigentes.<\/p>\n<p>Hoje, o Brasil se veste de verde e amarelo. Bandeiras hasteadas, camisetas, pr\u00e9dios decorados exibem as cores do pa\u00eds. Elas representam a na\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pertencem a este ou \u00e0quele indiv\u00edduo, a este ou \u00e0quele estado, a este ou \u00e0quele governo. S\u00e3o patrim\u00f4nio dos 210 milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p>(Editorial do <em>Correio Braziliense<\/em> de 7.9.20)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os pa\u00edses t\u00eam cores que os identificam. A Fran\u00e7a exibe azul, branco e vermelho; os Estados Unidos, vermelho, branco e azul; Portugal, vermelho, verde e amarelo; o Brasil, verde e amarelo. Elas funcionam como meton\u00edmia \u2013 a parte que retrata o todo. Ao mir\u00e1-las, mira-se a na\u00e7\u00e3o. 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