{"id":23550,"date":"2020-09-18T10:43:06","date_gmt":"2020-09-18T13:43:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=23550"},"modified":"2020-09-18T10:43:06","modified_gmt":"2020-09-18T13:43:06","slug":"o-correio-tropecou-na-virgula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o-correio-tropecou-na-virgula\/","title":{"rendered":"O Correio trope\u00e7ou na v\u00edrgula"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Acorda gigante brasileiro&#8221;, escreveu o <em>Correio Braziliense<\/em>. Ops! Cad\u00ea a v\u00edrgula antes do vocativo? O vocativo n\u00e3o faz parte dos termos essenciais, integrantes ou acess\u00f3rios. Por isso vem sempre \u2013 sempre mesmo \u2013 separado por v\u00edrgula. <em>Gigante brasileiro<\/em> \u00e9 vocativo. Pede o sinalzinho: <em>Acorda, gigante brasileiro<\/em>. <em>Deus, \u00f3 Deus, onde est\u00e1s que n\u00e3o me escutas? Al\u00f4, S\u00edlvio, tudo bem? Entre, Maria, que vai chover<\/em>.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9<\/strong><\/p>\n<p>A palavra vocativo vem do latim <em>vocare<\/em> (chamar). Pertence \u00e0 fam\u00edlia de voca\u00e7\u00e3o (chamamento da alma). Seguir a voca\u00e7\u00e3o \u00e9 atender a voz interior. Sempre que voc\u00ea se dirigir a algu\u00e9m, n\u00e3o duvide. Estar\u00e1 usando o vocativo. \u201cPaulo, tome banho\u201d, manda a m\u00e3e. Paulo \u00e9 o vocativo. Al\u00f4, Carlos, tudo bem? Diz Maria ao telefone. Carlos \u00e9 o vocativo. \u201cSenhor Diretor\u201d, come\u00e7a o of\u00edcio com o vocativo.<\/p>\n<p><strong>Truque<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 um truque pra identificar o vocativo \u2013 anteced\u00ea-lo de \u00f3. Se soar bem, sem for\u00e7ar a barra, n\u00e3o duvide. Separe o termo por v\u00edrgula: <em>Acorda, (\u00f3) gigante brasileiro<\/em>. Bem-vinda, \u00f3 Maria. (\u00f3) Maria, bem-vinda. <em>\u00d3 Paulo, tome banho logo. Al\u00f4, (\u00f3) Carlos, tudo bem? O que houve com voc\u00ea, \u00f3 criatura insensata? Acorda, (\u00f3) Brasil. At\u00e9 tu, (\u00f3) Brutus. <\/em><\/p>\n<p><strong>Literatura<\/strong><\/p>\n<p>A literatura usa e abusa do vocativo. \u201cDeus, \u00f3 Deus, onde est\u00e1s que n\u00e3o me escutas?\u201d, pergunta Castro Alves em <em>Vozes d\u00b4\u00c1frica<\/em>. \u201cTu choraste em presen\u00e7a da morte,\/ Em presen\u00e7a de estranhos choraste? \/ N\u00e3o descende o covarde do forte. \/ Tu, covarde, meu filho n\u00e3o \u00e9s\u201d, escreve Gon\u00e7alves Dias em <em>I\u00b4Juca Pirama<\/em>. \u201cEntra, minha filha, sen\u00e3o vais virar prostituta\u201d, amea\u00e7a a experiente senhora. \u201cDeus te ou\u00e7a, minha m\u00e3e, Deus te ou\u00e7a\u201d, responde a mo\u00e7a assanhada do poema de Ascenso Ferreira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Acorda gigante brasileiro&#8221;, escreveu o Correio Braziliense. Ops! Cad\u00ea a v\u00edrgula antes do vocativo? 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