{"id":23781,"date":"2020-10-15T08:09:22","date_gmt":"2020-10-15T11:09:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=23781"},"modified":"2020-10-15T08:09:22","modified_gmt":"2020-10-15T11:09:22","slug":"professor-heroi-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/professor-heroi-da-pandemia\/","title":{"rendered":"Professor, her\u00f3i da pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Datas comemorativas exercem papel que vai al\u00e9m de cumprimentos, presentes e palavras bonitas. Elas jogam os holofotes sobre fatos que merecem ser vistos com mais aten\u00e7\u00e3o. Por figurarem no calend\u00e1rio, ganham espa\u00e7o na m\u00eddia e sobressaem da normalidade inercial.<\/p>\n<p>Como Jano, o deus de duas caras da mitologia greco-romana, imp\u00f5em um olhar para o passado e outro para o futuro. Em outras palavras: analisam o que foi feito e tra\u00e7am os avan\u00e7os para o aperfei\u00e7oamento cont\u00ednuo. Da\u00ed a relev\u00e2ncia do Dia da Mulher, Dia do Trabalho, Dia de Finados, Dia da Aboli\u00e7\u00e3o da Escravatura.<\/p>\n<p>Hoje \u00e9 Dia do Professor. Ao lado do m\u00e9dico, que salva vidas, o mestre salva o futuro. Na pandemia, que pegou o mundo de surpresa e as escolas despreparadas, gigantes multiplicaram as for\u00e7as, buscaram sa\u00eddas e retiveram os alunos no sistema escolar. Trocaram o pneu com o carro em alta velocidade.<\/p>\n<p>De um lado, se familiarizaram com a tecnologia \u2013 negligenciada nos cursos de pedagogia, cujos curr\u00edculos olham para o s\u00e9culo 20 e \u00a0ignoram os desafios da contemporaneidade. Prepararam e ministraram conte\u00fados de forma remota. De outro, ficaram atentos aos exclu\u00eddos.<\/p>\n<p>Sem acesso a computador ou a internet, eles corriam o risco de ver ampliar-se o fosso da marginalidade. Professores, a exemplo dos m\u00e9dicos que repetem o mantra \u201cnem um a menos\u201d, levaram material impresso para a casa das crian\u00e7as e orientaram a aprendizagem.<\/p>\n<p>Acionaram ONGs, igrejas, clubes sociais, r\u00e1dios comunit\u00e1rias e deram aula ao ar livre para conservar o elo aluno-escola. Muitos pegaram barco para chegar \u00e0s popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas. Outros, bicicletas, carro\u00e7a ou o pr\u00f3prio carro. Eles sabem que o evadido do conv\u00edvio dos livros corre s\u00e9rio risco de figurar na lista dos jovens cujo destino termina com c \u2013 caix\u00e3o ou cadeia.<\/p>\n<p>Os quase 2,5 milh\u00f5es de docentes brasileiros merecem o reconhecimento do imperador japon\u00eas, que s\u00f3 faz rever\u00eancia ao mestre. Ou as palavras de D. Pedro II, que repetia com sinceridade: \u201cSe eu n\u00e3o fosse imperador, desejaria ser professor. N\u00e3o conhe\u00e7o miss\u00e3o maior e mais nobre que a de dirigir as intelig\u00eancias juvenis e preparar os homens do futuro\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos mestres, os 57 milh\u00f5es de estudantes, as respectivas fam\u00edlias e os brasileiros em geral esperam as palavras de Milton Ribeiro. O ministro da Educa\u00e7\u00e3o deve desculpas \u00e0 na\u00e7\u00e3o. Em entrevista, disse que &#8220;ser professor \u00e9 ter quase uma declara\u00e7\u00e3o de que a pessoa n\u00e3o conseguiu fazer outra coisa&#8221;. Melhor reconhecer: a pessoa conseguiria ser o que quisesse. Escolheu ser professor. A pandemia serve de prova.<\/p>\n<p>(Editorial do <strong>Correio Braziliense<\/strong> de hoje)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Datas comemorativas exercem papel que vai al\u00e9m de cumprimentos, presentes e palavras bonitas. Elas jogam os holofotes sobre fatos que merecem ser vistos com mais aten\u00e7\u00e3o. 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