{"id":24018,"date":"2020-11-29T09:56:14","date_gmt":"2020-11-29T12:56:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=24018"},"modified":"2020-11-29T09:56:14","modified_gmt":"2020-11-29T12:56:14","slug":"ponto-e-virgula-quando-usar-2-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/ponto-e-virgula-quando-usar-2-2\/","title":{"rendered":"Ponto e v\u00edrgula: quando usar (2)"},"content":{"rendered":"<p>Montaigne, h\u00e1 400 anos, ensinou que o estilo tem tr\u00eas virtudes \u2013 clareza, clareza e clareza. A raz\u00e3o \u00e9 simples. M\u00e1rio Quintana a exp\u00f4s num texto divertido. Disse ele: \u201cO autor pensa uma coisa, escreve outra, o leitor entende outra, e a coisa propriamente dita desconfia que n\u00e3o foi dita\u201d.<\/p>\n<p>O ponto e v\u00edrgula \u00e9 f\u00e3 da clareza. Da\u00ed a import\u00e2ncia de saber empreg\u00e1-lo e, com isso, facilitar a vida do leitor que se deixar\u00e1 conquistar pelo enunciado f\u00e1cil e sem ambiguidade. Quer ver? Examine esta frase:<\/p>\n<p><em>Jo\u00e3o trabalha no Senado, Pedro trabalha na C\u00e2mara, Carlos trabalha no banco, Beatriz trabalha na universidade, Alberto trabalha no shopping.<\/em><\/p>\n<p>O per\u00edodo est\u00e1 correto e compreens\u00edvel. As v\u00edrgulas separam as ora\u00e7\u00f5es coordenadas. Mas h\u00e1 um sen\u00e3o. A repeti\u00e7\u00e3o do verbo torna-o cansativo e denuncia o autor pregui\u00e7oso.<\/p>\n<p>O que fazer? H\u00e1 uma sa\u00edda. P\u00f4r em pr\u00e1tica uma das regras de ouro do estilo \u2013 variar para agradar. A gente mant\u00e9m o <em>verbo<\/em> na primeira ora\u00e7\u00e3o. E mete a faca nos demais. No lugar deles, p\u00f5e a v\u00edrgula:<\/p>\n<p><em>Jo\u00e3o trabalha no Senado, Pedro, na C\u00e2mara, Carlos, no banco, Beatriz, na universidade, Alberto no shopping.<\/em><\/p>\n<p>Ops! Na primeira leitura, o enunciado parece o samba do texto doido. Quem bate o olho no per\u00edodo n\u00e3o entende nada. O jeito \u00e9 recorrer ao ponto e v\u00edrgula. Ele tem lugar \u2013 separa as ora\u00e7\u00f5es coordenadas:<\/p>\n<p><em>Jo\u00e3o trabalha no Senado; Pedro, na C\u00e2mara; Carlos, no banco; Beatriz, na universidade; Alberto no shopping.<\/em><\/p>\n<p>Chique, n\u00e3o? Veja mais dois exemplos:<\/p>\n<p><em>Eu estudo na USP; Maria, na UnB.<\/em><\/p>\n<p><em>Alencar escreveu romances; Drummond, poesias.<\/em><\/p>\n<p><em>Carlos e Paulo s\u00e3o jornalistas. Este trabalha no <\/em><em>Correio; aquele, no Estado de Minas.<\/em><\/p>\n<p>Moral da hist\u00f3ria: Se o casalzinho ponto e v\u00edrgula existe, tem raz\u00e3o para estar no mundo e no texto sofisticado. Ele desempenha dois pap\u00e9is na frase melhor que v\u00edrgula, ponto e travess\u00e3o. Um deles, estende tapete vermelho e recebe a clareza com banda de m\u00fasica e salva de palmas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Montaigne, h\u00e1 400 anos, ensinou que o estilo tem tr\u00eas virtudes \u2013 clareza, clareza e clareza. A raz\u00e3o \u00e9 simples. M\u00e1rio Quintana a exp\u00f4s num texto divertido. Disse ele: \u201cO autor pensa uma coisa, escreve outra, o leitor entende outra, e a coisa propriamente dita desconfia que n\u00e3o foi dita\u201d. O ponto e v\u00edrgula \u00e9 f\u00e3 da clareza. 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