{"id":24238,"date":"2022-07-11T07:21:48","date_gmt":"2022-07-11T10:21:48","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=24238"},"modified":"2022-07-11T07:21:48","modified_gmt":"2022-07-11T10:21:48","slug":"tudo-sobre-crase-tim-tim-por-tim-tim-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/tudo-sobre-crase-tim-tim-por-tim-tim-1\/","title":{"rendered":"Tudo sobre crase tim-tim por tim-tim (1)"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;A crase n\u00e3o foi feita pra humilhar ningu\u00e9m&#8221;, disse F. Gullar. Foi feita pra indicar a uni\u00e3o de dois aa. O a pode ser artigo (a casa) ou a 1\u00aa s\u00edlaba do pronome demonstrativo aquele, aquilo. S\u00f3 substantivo feminino \u00e9 antecedido do artigo a. Da\u00ed por que s\u00f3 ocorre crase antes de nome feminino.<\/p>\n<p><strong>Troca-troca<br \/>\n<\/strong>Com crase ou sem crase? Na d\u00favida, recorra ao troca-troca. Troque o nome feminino por masculino. N\u00e3o precisa ser sin\u00f4nimo. Mas do mesmo n\u00famero (singular ou plural). Se no troca-troca der ao (aos), sinal de preposi\u00e7\u00e3o + artigo. No feminino, \u00e0 (\u00e0s):<\/p>\n<p>Vai \u00e0 cidade. (Vai ao clube.) Viu? Ao chama \u00e0.<\/p>\n<p>Em meio a lutas? Em meio \u00e0 lutas? No troca-troca, olho no n\u00famero (em meio a combates). X\u00f4, acento grave.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s lutas? Em meio as lutas? Vamos \u00e0 troca (em meio aos combates). Aos exige \u00e0s: em meio \u00e0s lutas.<\/p>\n<p>O c\u00e3o \u00e9 fiel \u00e0 dona? Fiel a dona? Com o troca-troca, fiel ao dono. O ao responde: O c\u00e3o \u00e9 fiel \u00e0 dona.<\/p>\n<p>Refiro-me \u00e0 quest\u00e3o da prova? A quest\u00e3o da prova? No troca-troca: Refiro-me ao debate da prova. O ao imp\u00f5e \u00e0 quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 prova, nada posso informar? Quanto a prova? No troca-troca: Quanto ao tema, nada posso informar. Vem, crase!<\/p>\n<p>Recebe \u00e0 amiga? Recebe a amiga? No troca-troca: Recebe o amigo. Sem preposi\u00e7\u00e3o, s\u00f3 o artigo tem a vez. X\u00f4, crase!<\/p>\n<p>Beb\u00ea a bordo? Beb\u00ea \u00e0 bordo? Bordo \u00e9 nome masculino. O artigo a n\u00e3o tem vez com ele. Sem a, nada de crase: Beb\u00ea a bordo.<\/p>\n<p>Vale a pena? Vale \u00e0 pena? Ops! Vamos ao troca-troca: Vale o trabalho. Viu? Falta preposi\u00e7\u00e3o. Sem ela, adeus, grampinho.<\/p>\n<p><strong>Alerta 1 \u2014 Pronome de tratamento<\/strong><\/p>\n<p>Pronome de tratamento come\u00e7ado por Vossa tem alergia \u00e0 crase:<\/p>\n<p>Dirijo-me a Vossa Senhoria. Encaminho a Vossa Excel\u00eancia&#8230;<\/p>\n<p>Informo a V. Exa. que o documento se encontra anexo.<\/p>\n<p>Digo a V. S\u00aa que o livro est\u00e1 esgotado.<\/p>\n<p>\u00c9 isso. Com pronome de tratamento come\u00e7ados com vossa, x\u00f4, crase!<\/p>\n<p><strong>Alerta 2 \u2014 casa<\/strong><\/p>\n<p>Crase antes de casa? Depende do artigo. A casa onde moramos rejeita o pequenino. Logo, n\u00e3o admite o acento grave: Sa\u00ed de casa.<\/p>\n<p>Sem artigo, o a que antecede a casa onde moramos \u00e9 preposi\u00e7\u00e3o purinha. N\u00e3o admite acento de crase: Dirigi-me a casa cedo.<\/p>\n<p>A casa dos outros pede artigo \u2014 a casa da vov\u00f3, a casa de Lu, a casa dos pais: Foi \u00e0 casa da av\u00f3. Vai \u00e0 casa do Jo\u00e3o. Dirigiu-se \u00e0 casa dos pais. Vai \u00e0 casa de parentes distantes.<\/p>\n<p>Viu? Antes da casa dos outros aparece artigo. A crase tem vez.<\/p>\n<p><strong>Alerta 3 \u2014 terra<\/strong><\/p>\n<p>Terra, em oposi\u00e7\u00e3o a mar, n\u00e3o admite artigo. Por isso os marinheiros gritam &#8220;terra \u00e0 vista&#8221;. Sem artigo, nada de crase.<\/p>\n<p><strong>Alerta 4 \u2014 Palavras repetidas<\/strong><\/p>\n<p>Palavras repetidas n\u00e3o suportam artigo. Sem ele, nada de acento: face a face, cara a cara, gota a gota, uma a uma, hora a hora, semana a semana \u2014 assim, o a levinho.<\/p>\n<p><strong>Alerta 5 \u2014 casaizinhos<\/strong><\/p>\n<p>A l\u00edngua tem casaizinhos. Pra l\u00e1 de fi\u00e9is, o que acontece com um acontece com o outro. Se um vem com preposi\u00e7\u00e3o, o outro vai atr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Casalzinho de&#8230;a<\/strong><\/p>\n<p>De \u00e9 preposi\u00e7\u00e3o pura. A tamb\u00e9m. Nada de crase: Estudo de segunda a sexta. Trabalha de segunda a segunda.<\/p>\n<p><strong>Casalzinho da (do)&#8230;\u00e0<\/strong><\/p>\n<p>Da \u00e9 preposi\u00e7\u00e3o + artigo. \u00c0 tamb\u00e9m: Trabalho das 2h \u00e0s 4h. Fui da Rua da Praia \u00e0 Rua dos Andradas.<\/p>\n<p><strong>Nota<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 mais, mas falta espa\u00e7o. Continua na pr\u00f3xima coluna.<\/p>\n<h3>Leitor pergunta<\/h3>\n<p><strong>Duas constru\u00e7\u00f5es me d\u00e3o enxaqueca. Ambas se referem ao artigo. Uma delas: Chamamos aten\u00e7\u00e3o ou chamamos a aten\u00e7\u00e3o? A outra: ambos alunos ou ambos os alunos?<br \/>\n<\/strong>Maria Antonieta, Uberaba<\/p>\n<p>Ambas as constru\u00e7\u00f5es, Maria, exigem o artigo. Chame a aten\u00e7\u00e3o. Convoque ambos os alunos.<\/p>\n<p><strong>Panorama geral \u00e9 pleonasmo?<br \/>\n<\/strong>Tatiana Silva, Porto Alegre<\/p>\n<p>Todo panorama \u00e9 geral. O adjetivo sobra. X\u00f4! Basta panorama.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi feita pra indicar a uni\u00e3o de dois aa. 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