{"id":24248,"date":"2022-08-08T07:12:17","date_gmt":"2022-08-08T10:12:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=24248"},"modified":"2022-08-08T07:12:17","modified_gmt":"2022-08-08T10:12:17","slug":"o-desnecessario-sobra-confira-dicas-de-como-escrever-melhor-dizendo-menos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o-desnecessario-sobra-confira-dicas-de-como-escrever-melhor-dizendo-menos\/","title":{"rendered":"O desnecess\u00e1rio sobra. Confira dicas de como escrever melhor dizendo menos"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>&#8220;Para ter l\u00e1bios atraentes, diga palavras doces.&#8221;<br \/>\nAudrey Hepburn<\/p><\/blockquote>\n<p>Era uma vez um comerciante do mercado p\u00fablico de Porto Alegre. Ele vendia sardinhas, dourados, tambaquis, pirarucus e surubins. O neg\u00f3cio prosperava a olhos vistos.<\/p>\n<p>Certo dia, cheio de entusiasmo, o ga\u00facho resolveu inovar. Mandou afixar um enorme cartaz com os dizeres &#8220;Hoje vendemos peixe fresco&#8221;. Olhou de longe. Gostou do resultado. Orgulhoso, perguntou ao cliente:<\/p>\n<p>\u2014 O que voc\u00ea acha da novidade?<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9, est\u00e1 boa. Mas me diga uma coisa: voc\u00ea vende peixe velho? N\u00e3o? Ent\u00e3o para que o &#8220;fresco&#8221;?<\/p>\n<p>Apagou o adjetivo. Ficou &#8220;Hoje vendemos peixe&#8221;.<\/p>\n<p>\u2014 E agora?, indagou interessado.<\/p>\n<p>\u2014 Para que o &#8220;hoje&#8221;? Hoje \u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Restou &#8220;Vendemos peixe&#8221;.<\/p>\n<p>\u2014 Por acaso voc\u00ea d\u00e1 peixe? N\u00e3o? O vendemos sobra.<\/p>\n<p>No final, o vendedor tirou o cartaz. Quem chega v\u00ea o peixe. N\u00e3o precisa de an\u00fancio.<\/p>\n<p><strong>O peixe e n\u00f3s<\/strong><\/p>\n<p>O que a hist\u00f3ria do peixeiro tem a ver conosco? Ela ensina uma li\u00e7\u00e3o. Quem escreve tem que ser sovina. Economizar palavras poupa tempo, espa\u00e7o e\u2026 a paci\u00eancia do leitor. Por isso, livre-se dos excessos. Como?<\/p>\n<p>1.\u00a0Elimine palavras ou express\u00f5es desnecess\u00e1rias: em vez de &#8220;neste momento n\u00f3s acreditamos&#8221;, diga &#8220;acreditamos&#8221;. Em lugar de &#8220;travar uma discuss\u00e3o&#8221;, escreva &#8220;discutir&#8221;; &#8220;fazer uma viagem&#8221;, &#8220;viajar&#8221;; &#8220;p\u00f4r moedas em circula\u00e7\u00e3o&#8221;, &#8220;emitir moedas&#8221;.<\/p>\n<p>2. Corte, nas datas, os substantivos dia, m\u00eas e ano: em 10 de agosto (n\u00e3o: no dia 10 de agosto); em mar\u00e7o (n\u00e3o: no m\u00eas de mar\u00e7o); em 2018 (n\u00e3o: no ano de 2018).<\/p>\n<p>3. Elimine palavras ou express\u00f5es desnecess\u00e1rias: processo de adapta\u00e7\u00e3o (adapta\u00e7\u00e3o); decis\u00e3o tomada no \u00e2mbito da diretoria (decis\u00e3o da diretoria); trabalho de natureza tempor\u00e1ria (trabalho tempor\u00e1rio); problema de ordem sexual (problema sexual); curso em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o (curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o); lei de alcance federal (lei federal); doen\u00e7a de caracter\u00edstica dermatol\u00f3gica (doen\u00e7a dermatol\u00f3gica).<\/p>\n<p>4.\u00a0Troque a locu\u00e7\u00e3o adjetiva por adjetivo: objetos para crian\u00e7as (objetos infantis); pessoa sem emprego (pessoa desempregada), discurso sem novidade (discurso repetitivo).<\/p>\n<p>5.\u00a0Substitua a ora\u00e7\u00e3o adjetiva por adjetivo: animal que se alimenta de carne (animal carn\u00edvoro); empres\u00e1rio que planta caf\u00e9 (cafeicultor); profissional que n\u00e3o presta aten\u00e7\u00e3o (profissional desatento).<\/p>\n<p>6.\u00a0Use aposto em vez de ora\u00e7\u00e3o apositiva: Bras\u00edlia, que \u00e9 a capital do Brasil, oferece servi\u00e7os p\u00fablicos de boa qualidade. (Bras\u00edlia, capital do Brasil, oferece servi\u00e7os p\u00fablicos de boa qualidade).<\/p>\n<p>7.\u00a0Troque a ora\u00e7\u00e3o pelo termo nominal correspondente.\u00a0O diretor exige que o relat\u00f3rio seja apresentado. (O diretor exige a apresenta\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio).<\/p>\n<p>8.\u00a0Corte artigos indefinidos. Em 99% das frases, eles s\u00e3o dispens\u00e1veis: Houve (um) troca-troca de profissionais jamais visto. O diretor quer tra\u00e7ar (uma) nova pol\u00edtica de recursos humanos. Os funcion\u00e1rios pediram (um) aumento de sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>9.\u00a0Casse possessivos. O &#8220;seu&#8221; constitui uma das piores pragas do texto. Al\u00e9m de sobrecarregar a frase, com frequ\u00eancia torna o enunciado amb\u00edguo: A campanha foi equilibrada at\u00e9 o (seu) final. Para manter o (seu) ritmo de crescimento, o agroneg\u00f3cio precisa de excelentes estradas. O empres\u00e1rio endurece as (suas) cr\u00edticas ao governo.<\/p>\n<p>Ufa!<\/p>\n<p><strong>Leitor pergunta<\/strong><\/p>\n<p><strong>Viger ou vigir? Nunca sei.<\/strong><br \/>\n<strong>Claudio Santos, Viam\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Vigir n\u00e3o existe. A forma \u00e9 viger. O diss\u00edlabo tem um defeit\u00e3o. \u00c9 intolerante. Detesta o &#8220;a&#8221; e o &#8220;o&#8221;. S\u00f3 se conjuga nas formas em que essas vogais n\u00e3o aprecem depois do &#8220;g&#8221;. A 1\u00aa pessoa do singular do presente do indicativo n\u00e3o tem vez. Nem o presente do subjuntivo. Nas demais, o amigo s\u00f3 de alguns \u00e9 regular. Conjuga-se como viver: vives (viges), vive (vige), vivemos (vigemos), vivem (vigem); vivi (vigi), viveu (vigeu), vivemos (vigemos), viveram (vigeram); vivia (vigia); viveriam (vigeriam). E por a\u00ed vai. Complicado? A l\u00edngua oferece mil outras possibilidades. Deixe o viger pra l\u00e1. Que tal vigorar? Ou entrar em vigor?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem escreve tem que ser sovina. Economizar palavras poupa tempo, espa\u00e7o e\u2026 a paci\u00eancia do leitor. 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