{"id":24256,"date":"2022-08-22T05:45:03","date_gmt":"2022-08-22T08:45:03","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=24256"},"modified":"2022-08-21T14:56:55","modified_gmt":"2022-08-21T17:56:55","slug":"o-que-fazer-para-nao-cair-em-ciladas-que-roubam-pontos-em-concursos-publicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o-que-fazer-para-nao-cair-em-ciladas-que-roubam-pontos-em-concursos-publicos\/","title":{"rendered":"O que fazer para n\u00e3o cair em ciladas que roubam pontos em concursos p\u00fablicos"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>\u201cA poesia preenche um vazio essencial.\u201d<br \/>\nJo\u00e3o Cabral de Melo Neto<\/p><\/blockquote>\n<p>Voc\u00ea vai fazer concurso? Redige of\u00edcios, memorando, relat\u00f3rios, exposi\u00e7\u00e3o de motivos? Candidata-se a vaga na universidade? Est\u00e1 de olho em promo\u00e7\u00e3o no emprego? Escreve e-mails? Participa de redes sociais? Abra os olhos. N\u00e3o caia nas ciladas que roubam pontos e prest\u00edgio. As armadilhas s\u00e3o muitas. A seguir, desmontamos algumas.<\/p>\n<p><strong>O hospital atende pacientes de \u201c0\u201d a 18 anos<\/strong><\/p>\n<p>Zero ano? Nem com m\u00e1gica. S\u00f3 depois de 365 dias, completam-se os 12 meses necess\u00e1rios pra chegar l\u00e1. Melhor dar tempo ao tempo: O hospital atende pacientes de at\u00e9 18 anos.<\/p>\n<p><strong>\u201cDuas\u201d milh\u00f5es de mulheres<\/strong><\/p>\n<p>Ops! Milh\u00e3o \u00e9 masculino e n\u00e3o abre. Numerais, artigos e pronomes t\u00eam de concordar com ele: dois milh\u00f5es de mulheres, os milh\u00f5es de crian\u00e7as, muitos milh\u00f5es de declara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O diretor manter\u00e1 a \u201cmesma\u201d assessoria.<\/strong><\/p>\n<p>Ora, se vai manter, s\u00f3 pode ser a mesma. Se n\u00e3o for, o verbo \u00e9 outro. Pode ser mudar. Ou alterar. X\u00f4, pleonasmo: O diretor manter\u00e1 a assessoria.<\/p>\n<p><strong>O acidente deixou cinco \u201cv\u00edtimas fatais.\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Fatal quer dizer que mata. O acidente mata. \u00c9 fatal. A v\u00edtima, coitada n\u00e3o matou. Morreu. Em bom portugu\u00eas: O acidente deixou cinco mortos.<\/p>\n<p><strong>Quem aposentou-\u201cse\u201d?<\/strong><\/p>\n<p>Olho na gangue do qu. Que, quem, quando, quanto, qual, porque atraem os pronomes \u00e1tonos: Quem se aposentou?<\/p>\n<p><strong>\u201cH\u00e1\u201d dois meses da Copa, muitas obras est\u00e3o no papel.<\/strong><\/p>\n<p>Olha a confus\u00e3o! O h\u00e1 indica tempo passado. O a, futuro. N\u00e3o vale trocar as bolas: Chegou h\u00e1 pouco. Entrou na universidade h\u00e1 dois anos. Paulo chega daqui a pouco. A dois meses da Copa, muitas obras est\u00e3o no papel.<\/p>\n<p><strong>\u201cFace ao\u201d exposto, pouco se pode fazer.<\/strong><\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o, marinheiro de poucas viagens. Face a n\u00e3o existe em portugu\u00eas. A forma 100% nacional \u00e9 em face de: Em face do exposto, pouco se pode fazer.<\/p>\n<p><strong>Educa\u00e7\u00e3o deve ser prioridade \u201cindependente\u201d do vencedor.<\/strong><\/p>\n<p>Epa! Independente \u00e9 adjetivo. Quer dizer livre. Independentemente \u00e9 adv\u00e9rbio. Significa sem levar em conta: O Brasil ficou independente de Portugal em 1822. Educa\u00e7\u00e3o deve ser prioridade independentemente do vencedor.<\/p>\n<p><strong>Lia estava com a m\u00e3e quando o ladr\u00e3o encostou a arma na \u201csua\u201d cabe\u00e7a.<\/strong><\/p>\n<p>Sua de quem? Pode ser da m\u00e3e ou da filha. O sua responde pela ambiguidade. Melhor livrar-se dele: &#8230;encostou a arma na cabe\u00e7a da crian\u00e7a. Ou da m\u00e3e.<\/p>\n<p><strong>Expediente entre \u201c12h e 14h\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Na indica\u00e7\u00e3o de horas, o n\u00famero vem sempre (sempre mesmo) acompanhado de artigo: Expediente entre as 12h e as 14h.<\/p>\n<p><strong>Ele \u201caposentou\u201d aos 60 anos.<\/strong><\/p>\n<p>Olho no verbo pronominal. Aposentar quem? O INSS aposenta o trabalhador. Mas o trabalhador se aposenta. Eu me aposento, ele se aposenta, n\u00f3s nos aposentamos, eles se aposentam.<\/p>\n<p><strong>Haver\u00e1 elei\u00e7\u00f5es presidenciais \u201cesse\u201d ano.<\/strong><\/p>\n<p>Que ano? Se \u00e9 o ano em curso, o este pede passagem. A regra vale para semana e m\u00eas: este ano (2022), este m\u00eas (agosto), esta semana (a semana em curso).<\/p>\n<p><strong>1,3 \u201cmilh\u00f5es\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Nas fra\u00e7\u00f5es, o substantivo concorda com o n\u00famero inteiro: 1,35 milh\u00e3o, 0,45 bilh\u00e3o, 2,3 trilh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A lei est\u00e1 &#8220;vigindo.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Vigir n\u00e3o existe. A forma \u00e9 viger. Intolerante, o diss\u00edlabo detesta o a e o o. Por isso s\u00f3 se conjuga nas formas em que essas vogais n\u00e3o aprecem depois do g. A 1\u00aa pessoa do singular do presente do indicativo (eu vigo) ou o presente do subjuntivo (que eu viga)? Uhhhh! Fora! Nas demais, viger \u00e9 regular. Conjuga-se como viver: vives (viges), vive (vige), vivemos (vigemos), vivi (vigi), viveu (vigeu), vivemos (vigemos), viveram (vigeram); vivia (vigia); viveriam (vigeriam). E por a\u00ed vai. Na d\u00favida, deixe o viger pra l\u00e1. Que tal vigorar? Ou entrar em vigor?<\/p>\n<p><strong>O fiscal extorquiu o \u201ccomerciante\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Que susto! Fiscal extorquir comerciante? \u00c9 dif\u00edcil. Extorquir n\u00e3o \u00e9 l\u00e1 coisa boa. Significa obter por viol\u00eancia, amea\u00e7as ou ardis. O verbo tem uma manha. Seu objeto direto tem de ser coisa. Nunca pessoa. Extorque-se alguma coisa. N\u00e3o algu\u00e9m: Fiscal extorquiu dinheiro de comerciante. A pol\u00edcia tentou extorquir o segredo. Extorquiram a f\u00f3rmula ao cientista.<\/p>\n<p><strong>Lula &#8220;se&#8221; sobressai nas pesquisas.<\/strong><\/p>\n<p>Sobressair n\u00e3o \u00e9 pronominal. Altivo, ele dispensa objeto. Reina sozinho, absoluto: Lula sobressai nas pesquisas. Os baianos sobressaem na m\u00fasica. O CIEE sobressai nos est\u00e1gios.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Aluga-se&#8221; casas.<\/strong><\/p>\n<p>A passiva sint\u00e9tica (constru\u00edda com o pronome se) \u00e9 trope\u00e7o certo. Sobram placas com &#8220;vende-se frutas&#8221; ou &#8220;aluga-se casas&#8221;. Nada feito. Para n\u00e3o dar esbarr\u00f5es na l\u00edngua, lembre-se do macete: construa a frase com o verbo ser. Se o danadinho ficar no plural, o da passiva sint\u00e9tica vai atr\u00e1s. Se no singular, idem: vendem-se frutas (frutas s\u00e3o vendidas), alugam-se casas (casas s\u00e3o alugadas), constr\u00f3i-se muro de pedra (muro de pedra \u00e9 constru\u00eddo).<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o ou Rafa &#8220;ser\u00e3o&#8221; presidente do clube.<\/strong><\/p>\n<p>O ou joga em dois times. Ora inclui. Ora exclui. Olho vivo! Se mais de um sujeito pode praticar a a\u00e7\u00e3o, \u00e9 a vez do plural: Um ou outro artista compareceram \u00e0 festa (nada impede que mais de um artista apare\u00e7a). O perigo mora na exclus\u00e3o. A\u00ed, s\u00f3 um pode reinar. O verbo tem de concordar com ele. \u00c9 o caso de &#8220;Jo\u00e3o ou Rafa ser\u00e1 presidente do clube&#8221;. S\u00f3 h\u00e1 uma vaga? O singular pede passagem.<\/p>\n<h3>Leitor pergunta<\/h3>\n<p><strong>A maioria do pessoal sumiu ou sumiram?<br \/>\n<\/strong>Carlos Marcelo, BH<\/p>\n<p>Partitivo \u00e9 parte de um todo. H\u00e1 express\u00f5es partitivas \u2014 parte de, uma por\u00e7\u00e3o de, grupo de, o resto de, a metade de, a maioria de. Com elas, o verbo pode concordar com o sujeito ou complemento. Quando os dois s\u00e3o singular, o verbo fica no singular (a maioria do pessoal saiu). Quando seguidas de complemento plural, o verbo se esbalda. Pode concordar com o sujeito ou com o complemento: A maioria dos brasileiros lamentou (lamentaram) a morte do J\u00f4. Metade das crian\u00e7as saiu (sa\u00edram).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea vai fazer concurso? Redige of\u00edcios, memorando, relat\u00f3rios? N\u00e3o caia nas ciladas que roubam pontos e prest\u00edgio. 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