{"id":24286,"date":"2022-12-12T07:21:18","date_gmt":"2022-12-12T10:21:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=24286"},"modified":"2022-12-12T07:21:18","modified_gmt":"2022-12-12T10:21:18","slug":"as-faltas-contra-a-lingua-portuguesa-durante-a-copa-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/as-faltas-contra-a-lingua-portuguesa-durante-a-copa-do-mundo\/","title":{"rendered":"As faltas contra a l\u00edngua portuguesa durante a Copa do Mundo"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>\u201cDeus sofre de incur\u00e1vel falta de criatividade. Seus personagens t\u00eam sempre o mesmo fim. Morrem.\u201d<br \/>\nDias Gomes<\/p><\/blockquote>\n<h3>Faltas na Copa<\/h3>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 de bola vive o Mundial do Catar. Gente, cores, festa, risos, l\u00e1grimas comp\u00f5em o cen\u00e1rio. Palavras tamb\u00e9m. Ao lado da redonda, a l\u00edngua \u00e9 grande vedete. Olhos e ouvidos mant\u00eam-se atentos a grafias e pron\u00fancias. H\u00e1 carinhos e pancadas. As car\u00edcias ganharam de goleada. Mas faltas doeram como os chutes portugueses.<\/p>\n<p><strong>O dizer<br \/>\n<\/strong>H\u00e1 pron\u00fancias freguesas do tronco. Uma delas: o ditongo ei. Narradores e comentaristas teimam em esnobar o izinho. Pauleira, goleiro, forasteiro, festeiro, etc. e tal soam paulera, golero, forastero, festero. X\u00f4!<\/p>\n<p>Jogadores contribuem para engrossar a lista dos maus-tratos ao portugu\u00eas nosso de todos os dias. \u201cRuim\u201d, dizem quando o lance falha. P\u00f5em o acento no u. Bobeiam. Ru-im se pronuncia como Joaquim e Aladim. A s\u00edlaba t\u00f4nica \u00e9 a \u00faltima \u2014 como se tivesse acento no i (ru-\u00edm).<\/p>\n<p><strong>G\u00eanero 1<br \/>\n<\/strong>Ops! O time est\u00e1 com a moral baixa\u201d, concluiu o rep\u00f3rter. Trope\u00e7ou na emo\u00e7\u00e3o e no g\u00eanero da palavra. A diss\u00edlaba pertence a duas equipes. Pode ser masculina ou feminina. O moral quer dizer disposi\u00e7\u00e3o, \u00e2nimo. A moral \u00e9 conjunto de preceitos de conduta (moral duvidosa, moral da f\u00e1bula). O time, depois de goleada, fica com o moral baixo, n\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>G\u00eanero 2<br \/>\n<\/strong>Est\u00e1dios cheios n\u00e3o deixam por menos. Levam narradores a dizer \u201cas milhares de pessoas\u201d a torto e a direito. Bobeira. Milhar joga no time de milh\u00e3o \u2014 o dos machos sim, senhores. S\u00e3o masculinos e n\u00e3o abrem: um milhar de pessoas, dois milhares de pessoas, os milhares de pessoas, um milh\u00e3o de pessoas, dois milh\u00f5es de pessoas, os milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p><strong>Reg\u00eancia<br \/>\n<\/strong>\u201cAs press\u00f5es aumentam para que o pa\u00eds chegue na final\u201d, repetem comentaristas de norte a sul, de leste a oeste de Europa, Fran\u00e7a e Bahia. Na \u00e2nsia de levantar o \u00e2nimo dos torcedores, os bem-intencionados espancaram a reg\u00eancia. Chega-se a algum lugar: Chega-se a S\u00e3o Paulo. Chega-se a Bras\u00edlia. Chega-se ao clube. Chega-se a Doha.. E, claro, chega-se \u00e0 final.<\/p>\n<p><strong>Faltar<br \/>\n<\/strong>O verbo faltar \u00e9 figurinha carimbada. Trata-se de verbo regular. Mas costuma apanhar mais que time que perde de goleada. \u00c9 um tal de \u201cfalta 10 minutos\u201d, \u201cfalta cinco dias\u201d, \u201cfalta dois gols\u201d. A coloca\u00e7\u00e3o do sujeito depois do verbo se encarrega de promover o trope\u00e7o. Se mudamos a ordem, a concord\u00e2ncia fica simples como andar pra frente (10 minutos faltam, cinco dias faltam, dois gols faltam). A invers\u00e3o n\u00e3o muda a regra. O verbo, como manda o bom portugu\u00eas, concorda com o sujeito: faltam 10 minutos, faltam cinco dias, faltam dois gols.<\/p>\n<p><strong>Manter<br \/>\n<\/strong>\u201cSe o t\u00e9cnico manter a equipe, o resultado ser\u00e1 previs\u00edvel.\u201d Ops! Se manter? N\u00e3oooooooooo! O futuro do subjuntivo sofre. E n\u00e3o \u00e9 de hoje. A raz\u00e3o do mart\u00edrio se chama semelhan\u00e7a. Em muitos verbos, o futuro tem a cara do infinitivo (se eu cantar, se eu vender, se eu partir). Mas, em alguns casos, a hist\u00f3ria muda de enredo. \u00c9 bom, por isso, saber a forma\u00e7\u00e3o de tempo t\u00e3o sofisticado. Ele nasce do pret\u00e9rito perfeito do indicativo. Mais precisamente: da 3\u00aa pessoa do plural menos o -am final. Assim:<\/p>\n<p>Pret\u00e9rito perfeito: eu mantive, ele manteve, n\u00f3s mantivemos, eles mantiver(am)<\/p>\n<p>Futuro do subjuntivo: se eu mantiver, ele mantiver, n\u00f3s mantivermos, eles mantiverem. Logo: Se o t\u00e9cnico mantiver a equipe, o resultado ser\u00e1 previs\u00edvel.<\/p>\n<h3>Leitor pergunta<\/h3>\n<p><strong>\u00c9 correto usar \u201cmais pequeno\u201d e \u201cmais grande\u201d?<\/strong><br \/>\nRegina Souza, Bras\u00edlia<\/p>\n<p>Sim. Quando se comparam adjetivos, \u00e9 a forma correta: Minha casa \u00e9 mais pequena do que grande. A casa dele \u00e9 mais grande que pequena. Viu? Comparam-se os tamanhos (grande e pequeno), n\u00e3o as casas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> Olhos e ouvidos mant\u00eam-se atentos a grafias e pron\u00fancias. As car\u00edcias ganharam de goleada. 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