{"id":24299,"date":"2023-02-06T07:37:13","date_gmt":"2023-02-06T10:37:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/?p=24299"},"modified":"2023-02-06T07:37:13","modified_gmt":"2023-02-06T10:37:13","slug":"anglicismos-chamam-a-atencao-na-lingua-portuguesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/anglicismos-chamam-a-atencao-na-lingua-portuguesa\/","title":{"rendered":"Anglicismos chamam a aten\u00e7\u00e3o na l\u00edngua portuguesa"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>&#8220;N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil escrever. \u00c9 duro como quebrar rochas. Mas voam fa\u00edscas e lascas como a\u00e7os espelhados.&#8221;<br \/>\nClarice Lispector<\/p><\/blockquote>\n<h3><strong>As penetras<\/strong><\/h3>\n<p>Francisco Mario Feij\u00f3 \u00e9 atento observador das transforma\u00e7\u00f5es por que passa a l\u00edngua. Uma das mudan\u00e7as que lhe chamam a aten\u00e7\u00e3o trata do avan\u00e7o dos anglicismos no nosso idioma. \u00c9 dele a carta que aborda o assunto.<\/p>\n<p>&#8220;Fico a pensar menos nos erros de portugu\u00eas e muito mais no uso indiscriminado de palavras e frases em ingl\u00eas, que, vale ressaltar, n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno apenas no Brasil. No Jap\u00e3o, \u00e9 um verdadeiro horror. Na Fran\u00e7a, constato perplexo, utiliza-se week-end em vez de fin de semaine&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Vemos o nosso porto que de Companhia Docas de Santos passou para Codesp e agora ostenta um nome ingl\u00eas. N\u00e3o poderia ser Autoridade Portu\u00e1ria de Santos e como subt\u00edtulo o tal Santos Port Authority? Assim, um dia teremos talvez o nome Saints Port Authority. J\u00e1 vi placas de ruas, em \u00c1guas de Lind\u00f3ia, sendo traduzidas assim, nem se poupando o nome pr\u00f3prio do local.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Conversadeiras<br \/>\n<\/strong>As l\u00ednguas adoram bater papo. Umas influenciam as outras. Quanto maior o contato, maior a influ\u00eancia. No s\u00e9culo 19, o portugu\u00eas sofreu grande influ\u00eancia do franc\u00eas. Assimilou v\u00e1rias palavras do idioma de Victor Hugo. Abajur, garagem, buf\u00ea, bal\u00e9 servem de exemplo.<\/p>\n<p>No 20, o ingl\u00eas chegou com for\u00e7a total. Falado pela pot\u00eancia planet\u00e1ria, que vende como ningu\u00e9m sua m\u00fasica, seu cinema e sua tecnologia, imp\u00f4s-se como l\u00edngua internacional. O portugu\u00eas incorporou muitos voc\u00e1bulos.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ficou t\u00e3o banalizada que h\u00e1 regras para emprego das estrangeirinhas.<\/p>\n<p><strong>Como lidar com as estrangeiras?<\/strong><\/p>\n<p>1. D\u00ea prefer\u00eancia \u00e0 palavra vern\u00e1cula: pr\u00e9-estreia, n\u00e3o avant-premi\u00e8re; primeiro-ministro (premi\u00ea), n\u00e3o premier; come\u00e7ar, n\u00e3o estartar.<\/p>\n<p>2. Prefira a forma aportuguesada \u00e0 estrangeira: gangue, chique, xampu, recorde, cach\u00ea, butique, buqu\u00ea, u\u00edsque, conhaque, pante\u00e3o, raiom, gim.<\/p>\n<p>3. Se a importada estiver incorporada ao portugu\u00eas em sua grafia original, escreva-a sem grifo ou qualquer destaque: rock, marketing, shopping, show, know-how, software, hardware, smoking, habeas corpus, marine, punk, lobby.<\/p>\n<p>4. Derivados de l\u00ednguas estrangeiras se tornam h\u00edbridos. Mant\u00eam a estrutura original do voc\u00e1bulo e acrescentam os sufixos ou prefixos da l\u00edngua portuguesa: Byron (byroniano), Kant (kantiano), Marx (marxista), kart (kart\u00f3dromo), Weber (weberiano), Thatcher (thatcherismo).<\/p>\n<p><strong>Indignado<br \/>\n<\/strong>Nem s\u00f3 Francisco Mario se indigna com o abuso de estrangeirismos na l\u00edngua. Outros tamb\u00e9m se incomodam. Um deles \u00e9 Marcelo Abreu, que trava guerra impiedosa contra a invas\u00e3o dos anglicismos na l\u00edngua portuguesa. Outro dia, exprimiu a indigna\u00e7\u00e3o com esta lista de penetras desnecess\u00e1rios:<\/p>\n<p>Come\u00e7ar em vez de estartar.<\/p>\n<p>Ajuda em vez de help.<\/p>\n<p>Passatempo em vez de hobby.<\/p>\n<p>Compras em vez de shopping.<\/p>\n<p>Apar\u00eancia em vez de look.<\/p>\n<p>Registro de entrada em vez de check-in.<\/p>\n<p>Registro de sa\u00edda em vez de check-out.<\/p>\n<p>C\u00f3pia de seguran\u00e7a em vez de backup.<\/p>\n<p>Senha em vez de password.<\/p>\n<p>Prazo m\u00e1ximo em vez de deadline.<\/p>\n<p>Etc. e tal.<\/p>\n<p><strong>Grandes navega\u00e7\u00f5es<br \/>\n<\/strong>As grandes navega\u00e7\u00f5es escancararam as portas do mundo. Oba! Os homens come\u00e7aram a viajar mar afora. Conheceram outros povos, que falavam outras l\u00ednguas, que se misturavam \u00e0s dos forasteiros. Ao voltar, os viajantes carregavam novas palavras na bagagem. Tinham, tamb\u00e9m, deixado voc\u00e1bulos por onde passaram. Assim, os estrangeirismos foram ganhando nacionalidades locais.<\/p>\n<h3>Leitor pergunta<\/h3>\n<p><strong>&#8220;Rio recebe mega exposi\u00e7\u00e3o sobre dinossauros&#8221;, escreveu a GloboNews na telinha. A grafia merece nota 10?<\/strong><br \/>\n<strong>Linda Souza, Rio<\/strong><\/p>\n<p>O h\u00edfen \u00e9 castigo de Deus. S\u00e3o tantas regras e tantas exce\u00e7\u00f5es que at\u00e9 o Senhor precisa consultar o dicion\u00e1rio. A GloboNews n\u00e3o foi ao pai de todos n\u00f3s. Deixou de aprender que mega se encaixa na regra da maior parte dos prefixos. Pede o tracinho quando seguido de h ou no encontro de letras iguais: mega-hist\u00f3ria, mega-amizade, mas megaexposi\u00e7\u00e3o, megarreforma, megassal\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As l\u00ednguas adoram bater papo. Umas influenciam as outras. 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