{"id":2479,"date":"2008-09-13T12:00:00","date_gmt":"2008-09-13T15:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/no_reino_do_vale-tudo\/"},"modified":"2008-09-13T12:00:00","modified_gmt":"2008-09-13T15:00:00","slug":"no_reino_do_vale-tudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/no_reino_do_vale-tudo\/","title":{"rendered":"No reino do vale-tudo"},"content":{"rendered":"<p><BR>&nbsp;<BR>Era uma vez uma campanha eleitoral. Ela se desenrola num pa\u00eds de faz-de-conta. Na TV, transportes, servi\u00e7o de sa\u00fade, escolas, qualidade do ensino rivalizam com os oferecidos na Su\u00e9cia ou Dinamarca. Sobram sorrisos. Esbanjam-se promessas. Embalados para presente, os candidatos t\u00eam pacto com Deus. Podem tudo.<br \/>\n<BR>Mas existe o pa\u00eds real. Nele vive gente. S\u00e3o pessoas que acordam cedo, ralam o dia inteiro e sabem que o sal\u00e1rio \u00e9 mais curto que o m\u00eas. Uma delas \u00e9 William Lima Machado. Ele dava uma voltinha pela cidade. De repente, n\u00e3o mais que de repente, dois cartazes lhe chamaram a aten\u00e7\u00e3o. Estavam fincados dentro da casa de moradores.<br \/>\n<BR>Num, lia-se &#8220;Esta fam\u00edlia ap\u00f3ia Marta Suplicy&#8221;. Noutro, &#8220;Essa fam\u00edlia ap\u00f3ia Kassab&#8221;. O texto confundiu William. Esta ou essa? Trata-se de uma letra. Mas ela faz a diferen\u00e7a.<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>Olho na pessoa<\/STRONG><BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nEste e esse d\u00e3o n\u00f3 na cabe\u00e7a. Quando empregar um? Quando \u00e9 a vez do outro? O pior \u00e9 que o papel deles \u00e9 bem definido. Eles s\u00e3o parecidos, mas n\u00e3o iguais. Para entend\u00ea-los, lembre-se das pessoas do discurso. Discurso, a\u00ed, significa conversa.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAs pessoas do discurso s\u00e3o as que tomam parte em uma conversa. <BR>Para haver conversa, s\u00e3o necess\u00e1rias tr\u00eas pessoas. Algumas interessantes, outras nem tanto. Quem s\u00e3o elas? Uma que fala (1\u00aa pessoa), uma que escuta (2\u00aa pessoa) e o assunto, que \u00e9 a pessoa de que se fala (3\u00aa).<br \/>\n<BR>Imagine que Paulo telefone para Jo\u00e3o e lhe pergunte se viu o programa eleitoral de ontem. No caso, Paulo fala. \u00c9 a 1\u00aa pessoa. Jo\u00e3o escuta. \u00c9 a 2\u00aa. Do que eles falam? Do programa. \u00c9 a 3\u00aa.<br \/>\n<BR>&nbsp;<BR><STRONG>Cada macaco no seu galho<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nVers\u00e1teis, os pronomes demonstrativos t\u00eam tr\u00eas empregos:<br \/>\n<BR><STRONG>1 \u2013<\/STRONG> <STRONG>indicam situa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><BR>&nbsp;<\/STRONG><br \/>\n<STRONG>este<\/STRONG> &#8212;&nbsp;diz que o objeto est\u00e1 perto da pessoa que fala (eu, n\u00f3s): esta sala (a sala onde a pessoa que fala ou escreve est\u00e1); este livro (o livro que temos em m\u00e3o)<br \/>\n<BR><STRONG>esse<\/STRONG> &#8212; informa que o objeto est\u00e1 perto da pessoa com quem se fala (voc\u00ea, tu): essa sala (a sala onde est\u00e1 a pessoa com quem falamos ou a quem escrevemos)<br \/>\n<BR><STRONG>aquele<\/STRONG> &#8212; afirma que o objeto est\u00e1 longe da pessoa que fala e da pessoa com quem se fala: aquele quadro (o quadro est\u00e1 longe das duas pessoas) <BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>2 \u2013 indicam situa\u00e7\u00e3o no tempo<\/STRONG><BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>este<\/STRONG> &#8212;&nbsp;tempo presente: esta semana (a semana em curso), este m\u00eas (m\u00eas em curso), este ano (ano em curso) <BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>esse<\/STRONG> \/ <STRONG>aquele<\/STRONG> &#8212;&nbsp;tempo passado (esse: passado pr\u00f3ximo; aquele: passado remoto): A\u00e9cio Neves disputou o governo de Minas Gerais em 2002. Nesse (naquele) ano, revelou o talento herdado do av\u00f4.<br \/>\n<BR>Eis um n\u00f3. Como saber se o passado \u00e9 pr\u00f3ximo ou remoto? Depende de cada um. O tempo \u00e9 psicol\u00f3gico. Uma hora com dor de dente \u00e9 uma eternidade. Se for \u00e0 noite, nem se fala. S\u00e3o duas eternidades.<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>3 \u2013 indicam situa\u00e7\u00e3o no texto <\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>este<\/STRONG> &#8212; exprime refer\u00eancia posterior (anuncia-se o fato que ser\u00e1 referido depois): Lula disse esta frase: &#8220;Nossa pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 fazer de conta que podemos crescer&#8221;. <BR>Reparou? A frase \u00e9 anunciada: &#8220;disse esta frase&#8221;. Depois, expressa: &#8220;Nossa pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 fazer de conta que podemos crescer&#8221;.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Esse<\/STRONG> &#8212;&nbsp;indica refer\u00eancia posterior (o fato \u00e9 referido antes; depois, retomado): <BR>&#8220;Nossa pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 fazer de conta que podemos crescer.&#8221; Essa frase foi dita por Lula.<BR>&nbsp;<BR>&nbsp;<BR><br \/>\n<STRONG>E da\u00ed?<\/STRONG><br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\nVoltemos \u00e0 vaca fria. Esta fam\u00edlia ap\u00f3ia? Essa fam\u00edlia ap\u00f3ia? A quest\u00e3o se encaixa no primeiro emprego. O pronome indica situa\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o. Onde est\u00e1 o cartaz? Est\u00e1 na casa da fam\u00edlia. Em outras palavras: est\u00e1 perto da pessoa que fala. \u00c9 a vez do esta. X\u00f4, essa enganador!<BR>&nbsp;<BR>&nbsp;<BR><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Era uma vez uma campanha eleitoral. Ela se desenrola num pa\u00eds de faz-de-conta. Na TV, transportes, servi\u00e7o de sa\u00fade, escolas, qualidade do ensino rivalizam com os oferecidos na Su\u00e9cia ou Dinamarca. Sobram sorrisos. Esbanjam-se promessas. Embalados para presente, os candidatos t\u00eam pacto com Deus. Podem tudo. Mas existe o pa\u00eds real. Nele vive gente. S\u00e3o pessoas que acordam cedo, ralam o dia inteiro e sabem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-2479","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geral"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2479","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2479"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2479\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2479"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2479"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2479"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}