{"id":2563,"date":"2008-09-25T15:00:00","date_gmt":"2008-09-25T18:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/para_viver_um_grande_amor\/"},"modified":"2008-09-25T15:00:00","modified_gmt":"2008-09-25T18:00:00","slug":"para_viver_um_grande_amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/para_viver_um_grande_amor\/","title":{"rendered":"Para viver um grande amor"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRoberval v\u00ea Suzete \u00e0 sa\u00edda do cinema. N\u00e3o tem d\u00favida. Ali est\u00e1 a mulher que sempre lhe povoou os sonhos. Ela, como ele, com certeza n\u00e3o gosta de boates. Se gostasse, estaria se preparando para a noite.&nbsp;Mas est\u00e1 l\u00e1, \u00e0 sua frente, descansada e serena. Por certo dorme a noite toda.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nConfiante, puxa conversa:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Gostou do filme?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Adorei, suspira ela. Eu tamb\u00e9m <A name=\"Save1\"><\/A>acredito que na vida s\u00f3 existe um grande e \u00fanico amor.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Eu acho a mesma coisa, alegra-se ele.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo dia seguinte, Suzete recebe um buqu\u00ea de rosas vermelhas. Junto, um bilhete: &#8220;<I>Faz pouco tempo que lhe conhe\u00e7o, pois lhe vi s\u00f3 uma vez. Mas j\u00e1 lhe amo de paix\u00e3o. Voc\u00ea quer namorar comigo?&#8221;<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nL\u00edvida, ela devolve as flores com a resposta: &#8220;E<I>u tamb\u00e9m o vi s\u00f3 uma vez, mas j\u00e1 o conhe\u00e7o suficientemente. Sei que n\u00e3o o amo e n\u00e3o quero namorar voc\u00ea nunca&#8221;.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Onde foi que eu errei?, pergunta-se, at\u00f4nito.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nUm amigo ajudou-o a desvendar o mist\u00e9rio. Na pressa pr\u00f3pria dos amantes, Roberval havia trope\u00e7ado na reg\u00eancia dos verbos. De todos os verbos. N\u00e3o h\u00e1 cora\u00e7\u00e3o que resista.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDeixar de viver um grande amor por causa de meia d\u00fazia de preposi\u00e7\u00f5es? N\u00e3o mesmo. O pernambucano apaixonado foi \u00e0 luta. Enfrentou o cap\u00edtulo de reg\u00eancia para descobrir se um verbo \u00e9 transitivo ou intransitivo. Deu-se conta de que os verbos s\u00e3o vol\u00faveis como o cora\u00e7\u00e3o dos homens. Em cada frase, a reg\u00eancia pode mudar.<I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRoberval escreve mal.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRoberval escreve um bilhete de amor.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRoberval escreve para Suzete.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRoberval escreve um bilhete de amor para Suzete.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO mesmo verbo aparece em quatro frases diferentes. Como saber a reg\u00eancia? Existe uma f\u00f3rmula. Use-a sempre que precisar descobrir se o verbo pede ou n\u00e3o complemento:<br \/>\n1. Construa, com o verbo da frase (no nosso caso, \u00e9 escrever), a seguinte f\u00f3rmula: quem escreve escreve alguma coisa a algu\u00e9m. O <I>alguma coisa<\/I> \u00e9 o objeto direto; o <I>para algu\u00e9m<\/I>, o indireto.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n2. Verifique se a ora\u00e7\u00e3o tem uma representante para o <I>alguma coisa<\/I>, para <I>o algu\u00e9m<\/I> ou para<I> ambos<\/I>. Na primeira ora\u00e7\u00e3o \u2013 <I>Roberval escreve mal<\/I> \u2013 n\u00e3o aparecem nem o alguma coisa nem o algu\u00e9m. Por isso, a\u00ed, o verbo <I>escrever<\/I> \u00e9 intransitivo. Na segunda \u2013 <I>Roberval escreve um bilhete de amor<\/I> \u2013 temos o <I>alguma coisa<\/I> (um bilhete de amor), ligado ao verbo sem preposi\u00e7\u00e3o. Logo, o verbo \u00e9 transitivo direto e <I>um bilhete de amor<\/I> \u00e9 o objeto direto.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA terceira \u2013 <I>Roberval escreve para Suzete<\/I> \u2013 apresenta o <I>para algu\u00e9m<\/I> (Suzete). Repare que, entre escreve e Suzete, aparece a preposi\u00e7\u00e3o <I>para<\/I>, que serve de intermedi\u00e1ria entre o verbo e o objeto. Logo, a liga\u00e7\u00e3o entre eles \u00e9 indireta. O verbo, na frase, \u00e9 transitivo indireto e Suzete, objeto indireto.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO verbo da \u00faltima ora\u00e7\u00e3o \u00e9 mais exigente: pede o <I>alguma coisa<\/I> (bilhetes de amor) e o <I>para algu\u00e9m<\/I> (Suzete). Trata-se, pois, de um verbo transitivo direto e indireto.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nOnde Roberval errou? Com certeza em n\u00e3o saber que os verbos <I>ver, conhecer, amar<\/I> e <I>namorar<\/I> s\u00e3o transitivos diretos: quem conhece conhece algu\u00e9m; quem ama ama algu\u00e9m; quem namora namora algu\u00e9m. O pronome pessoal que funciona como objeto direto \u00e9 <B>o<\/B> (masculino) e <B>a<\/B> (feminino). O lhe \u00e9 objeto indireto. Suzete sabia disso? Preste aten\u00e7\u00e3o \u00e0 resposta dela.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRoberval aprendeu a li\u00e7\u00e3o. Descobriu que s\u00f3 poderia viver um grande amor com Suzete (ah!) quando soubesse reg\u00eancia verbal. At\u00e9 hoje, o <I>Dicion\u00e1rio de Verbos e Regimes, <\/I>de Francisco Fernandes, \u00e9 seu livro de cabeceira.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Roberval v\u00ea Suzete \u00e0 sa\u00edda do cinema. N\u00e3o tem d\u00favida. Ali est\u00e1 a mulher que sempre lhe povoou os sonhos. Ela, como ele, com certeza n\u00e3o gosta de boates. Se gostasse, estaria se preparando para a noite.&nbsp;Mas est\u00e1 l\u00e1, \u00e0 sua frente, descansada e serena. 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