{"id":2572,"date":"2008-09-28T00:00:00","date_gmt":"2008-09-28T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_reforma_ortografica_1\/"},"modified":"2015-11-25T19:49:33","modified_gmt":"2015-11-25T21:49:33","slug":"a_reforma_ortografica_1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/a_reforma_ortografica_1\/","title":{"rendered":"A reforma ortogr\u00e1fica 1"},"content":{"rendered":"<p>A reforma ortogr\u00e1fica altera 2% das nossas ricas palavrinhas. \u00c9 pouco. Mas as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas. Alguns aplaudem. Muitos criticam. Os favor\u00e1veis afirmam que as mudan\u00e7as dar\u00e3o unidade \u00e0 l\u00edngua. Os oito pa\u00edses lus\u00f3fonos passar\u00e3o a grafar os voc\u00e1bulos do mesmo jeitinho. Com isso, livros, revistas, jornais, documentos circular\u00e3o com desenvoltura l\u00e1 e c\u00e1.<\/p>\n<p>Os do contra alegam a inutilidade da altera\u00e7\u00e3o. Se o objetivo \u00e9 unificar a grafia, a reforma fracassou. Portugal mant\u00e9m suas diferen\u00e7as. O Brasil tamb\u00e9m. Lisboa &amp; seguidores continuar\u00e3o a escrever acto, facto e Ant\u00f3nio. Bras\u00edlia exibir\u00e1 ato, fato e Ant\u00f4nio. Mais: as mudan\u00e7as s\u00e3o t\u00e3o t\u00edmidas que se perde bela oportunidade de simplificar \u2014 de verdade \u2014 a escrita. Citam o exemplo do h\u00edfen.<\/p>\n<p><strong>O que muda<\/strong><\/p>\n<p>Aten\u00e7\u00e3o, muita aten\u00e7\u00e3o. A reforma \u00e9 ortogr\u00e1fica. S\u00f3 atinge acentos e letras. Pron\u00fancias, concord\u00e2ncias, reg\u00eancias, flex\u00f5es, etc. e tal est\u00e3o fora. N\u00e3o foram nem sequer arranhadas. Postos os pontos nos is, eis as novidades.<\/p>\n<p><strong>Alfabeto<\/strong><\/p>\n<p>O alfabeto engorda. Com a entrada do k, w e y, passa a ter 26 letras.<\/p>\n<p><strong>Trema<\/strong><\/p>\n<p>O trema some. Freq\u00fcente, tranq\u00fcilo, ling\u00fceta, ling\u00fci\u00e7a &amp; cia. passam a se escrever frequente, tranquilo, lingueta, lingui\u00e7a. Aten\u00e7\u00e3o, mo\u00e7ada. N\u00e3o se precipite. A reforma s\u00f3 atinge a grafia. A pron\u00fancia se mant\u00e9m. Mesmo sem o trema, o u da turma hoje tremada se far\u00e1 ouvir.<\/p>\n<p><strong>Acentua\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica<\/strong><\/p>\n<p>Olho vivo! As mudan\u00e7as na acentua\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica s\u00f3 atingem as parox\u00edtonas. As ox\u00edtonas, proparox\u00edtonas e monoss\u00edlabos t\u00f4nicos ficam como dantes no quartel de Abrantes. Eis os toques e retoques:<\/p>\n<p>a. os ditongos \u00e9i, \u00f3i viram ei, oi: id\u00e9ia e j\u00f3ia se escrever\u00e3o ideia, joia<br \/>\nAbra os olhos: s\u00f3 o grampinho das parox\u00edtonas se vai. O das ox\u00edtonas e o dos monoss\u00edlabos t\u00f4nicos permancem firmes e fortes: pap\u00e9is, her\u00f3i, d\u00f3i.<\/p>\n<p>b. o chap\u00e9u do ditongo \u00f4o d\u00e1 adeus: v\u00f4o, aben\u00e7\u00f4o e perd\u00f4o viram vira voo, aben\u00e7oo e perdoo.<\/p>\n<p>c. o circunflexo do hiato \u00eaem que aparece na 3\u00aa pessoa do plural dos verbos ler, ver, crer, dar e derivados bate asas e voa: eles l\u00eaem, v\u00eaem, cr\u00eaem, d\u00eaem, rel\u00eaem &amp; cia. se grafar\u00e3o eles veem, creem, deem, releem.<\/p>\n<p>d. Os acentos diferenciais usados em p\u00ealo, p\u00e9lo, p\u00e1ra, p\u00f3lo, p\u00eara se despedem. As palavras ganhar\u00e3o forma mais leve \u2014 pelo, para, polo, pera.<br \/>\nAten\u00e7\u00e3o, aten\u00e7\u00e3o! Mant\u00e9m-se o chap\u00e9u de p\u00f4de e do verbo p\u00f4r (monoss\u00edlabo).<\/p>\n<p>e. o agud\u00e3o do u t\u00f4nico dos verbos apaziguar, averiguar, arg\u00fcir S.A vai plantar batata na esquina: apazig\u00fae, averig\u00fae, arg\u00faem se grafar\u00e3o apazigue, averigue, arguem.<\/p>\n<p>f. o i e u antecedidos de ditongo perdem o grampo. Fei\u00fara vira feiura.<\/p>\n<p><strong>H\u00edfen<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>A reforma trocou seis por meia d\u00fazia. Mant\u00e9m a confus\u00e3o. O h\u00edfen ser\u00e1 assunto das pr\u00f3ximas colunas.<\/p>\n<p><strong>Quando?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o se precipite. As mudan\u00e7as n\u00e3o t\u00eam data para entrar em vigor. Pelo andar da carruagem, devem come\u00e7ar a valer no ano que vem. Haver\u00e1 per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o de dois anos. De 2009 a 2011 conviver\u00e3o as duas grafias. Provas, concursos, documentos oficiais podem ser escritos \u00e0 antiga ou \u00e0 moderna. Depois, s\u00f3 a nova forma ter\u00e1 vez.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A reforma ortogr\u00e1fica altera 2% das nossas ricas palavrinhas. \u00c9 pouco. Mas as rea\u00e7\u00f5es s\u00e3o muitas. Alguns aplaudem. Muitos criticam. Os favor\u00e1veis afirmam que as mudan\u00e7as dar\u00e3o unidade \u00e0 l\u00edngua. Os oito pa\u00edses lus\u00f3fonos passar\u00e3o a grafar os voc\u00e1bulos do mesmo jeitinho. Com isso, livros, revistas, jornais, documentos circular\u00e3o com desenvoltura l\u00e1 e c\u00e1. Os do contra alegam a inutilidade da altera\u00e7\u00e3o. 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