{"id":2574,"date":"2008-09-28T11:00:00","date_gmt":"2008-09-28T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/redacao_10\/"},"modified":"2015-11-12T11:38:07","modified_gmt":"2015-11-12T13:38:07","slug":"redacao_10","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/redacao_10\/","title":{"rendered":"Reda\u00e7\u00e3o 10"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Diga-diga-diga<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u00c9 hora de escrever a reda\u00e7\u00e3o. L\u00e1pis e papel na m\u00e3o, a gente recebe o tema e faz o planejamento. Define o t\u00f3pico, o leitor, o objetivo, as id\u00e9ias do desenvolvimento. E depois?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPor onde come\u00e7ar? O desafio da primeira frase \u00e9 antigo. Aparece at\u00e9 no livro Alice no Pa\u00eds das Maravilhas, de Lewis Carroll. Lembra-se? Para os de mem\u00f3ria curta, eis o trecho:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO Coelho Branco colocou os \u00f3culos e perguntou:<br \/>\n&#8211;&shy; Com a licen\u00e7a de Vossa Majestade, devo come\u00e7ar por onde?<br \/>\n&#8212; Comece pelo come\u00e7o, disse o rei com ar muito grave &shy; e v\u00e1 at\u00e9 o fim. Ent\u00e3o, pare.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNa resposta, o rei, sabido, traduziu a velha f\u00f3rmula da reda\u00e7\u00e3o. Com outras palavras, ele disse que o texto deve ter tr\u00eas partes. A primeira \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o. A segunda, o desenvolvimento. A terceira, a conclus\u00e3o. Tr\u00eas palavrinhas definem cada uma. \u00c9 o diga-diga-diga.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNa introdu\u00e7\u00e3o, diga o que voc\u00ea vai dizer. Anuncie o assunto ao leitor. Ele tem direito de saber em que vai investir o precioso tempo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo desenvolvimento, diga o que voc\u00ea prometeu dizer. N\u00e3o vale pegadinha. Escreveu? Tem de ler. Se, na introdu\u00e7\u00e3o, voc\u00ea anunciou que vai falar sobre a import\u00e2ncia da l\u00edngua espanhola, ter\u00e1 de levar o assunto at\u00e9 o fim.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNa conclus\u00e3o, diga o que voc\u00ea disse. Encerre o assunto com uma chave de ouro. Lida a \u00faltima frase, o leitor n\u00e3o deve virar a p\u00e1gina para certificar-se de que o texto acabou. Nem o autor precisa escrever &#8220;fim&#8221;, &#8220;the end&#8221; ou &#8220;acabei&#8221;. O texto deve falar sozinho.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nE da\u00ed? Como come\u00e7ar? Comece por uma frase bem interessante. \u00c9 com ela que voc\u00ea vai conquistar o leitor. Seduzido, ele vai morrer de vontade de prosseguir a leitura. A primeira frase pode ser uma pergunta, uma cita\u00e7\u00e3o, uma declara\u00e7\u00e3o, o verso de um poema ou de uma can\u00e7\u00e3o. O importante \u00e9 que esteja relacionada ao tema e permita encaminhar o assunto.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuer um exemplo?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAssunto: l\u00edngua espanhola<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nLeitor: deputados e senadores<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nT\u00f3pico: obrigatoriedade do ensino da l\u00edngua espanhola nos n\u00edveis fundamental e m\u00e9dio<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nObjetivo: demonstrar que n\u00e3o se justifica tornar obrigat\u00f3rio o ensino da l\u00edngua espanhola nos n\u00edveis fundamental e m\u00e9dio<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nIntrodu\u00e7\u00e3o:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNingu\u00e9m duvida do idioma de Cervantes nem de sua utilidade. Al\u00e9m do autor de Dom Quixote, escreveram em espanhol Lope de Vega, Luis de G\u00f3ngora, Garc\u00eda M\u00e1rquez e Jorge Luis Borges. L\u00edngua que mais cresce no mundo, \u00e9 falada hoje por 332 milh\u00f5es de pessoas em dezenas de na\u00e7\u00f5es. Falam-na a maioria dos pa\u00edses vizinhos do Brasil e dos parceiros do Mercosul. Apesar de sua import\u00e2ncia, por\u00e9m, n\u00e3o se justifica a proposta de tornar o ensino do espanhol obrigat\u00f3rio no pa\u00eds. (Folha de S.Paulo)<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nViu? O par\u00e1grafo inicial disse o que o texto vai dizer. O desenvolvimento vai dizer o que a introdu\u00e7\u00e3o anunciou &shy; por que n\u00e3o se justifica tornar obrigat\u00f3rio o ensino do espanhol nas escolas brasileiras. &nbsp;<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG><\/STRONG>&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Teste<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nLeia o par\u00e1grafo. Ele introduz uma disserta\u00e7\u00e3o. Como todo par\u00e1grafo introdut\u00f3rio, deve ter uma senten\u00e7a de abertura que pegue o leitor pelo p\u00e9. \u00c0s vezes ela coincide com o t\u00f3pico frasal. Outras vezes, n\u00e3o. Qual a senten\u00e7a de abertura do texto abaixo?&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&#8220;As feias que me desculpem, mas beleza \u00e9 fundamental.&#8221; Ser\u00e1 a arte como a mulher para Vinicius de Moraes? \u00c9, talvez n\u00e3o seja esta a mais feliz das compara\u00e7\u00f5es. Ainda mais se lembrarmos que as produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas podem representar uma parcela significativa da cultura de um povo. Pode, mais que isso, alterar a hist\u00f3ria de um povo. Se arte pode ser tanto, por que exigir dela apenas uma beleza transit\u00f3ria? Temos de ser mais exigentes. Temos de exigir das produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas a beleza permanente de seus efeitos sociais.&#8221; (S\u00edlvio Botom\u00e9)<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA resposta? Logo, logo. Aguarde.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Diga-diga-diga &nbsp; \u00c9 hora de escrever a reda\u00e7\u00e3o. L\u00e1pis e papel na m\u00e3o, a gente recebe o tema e faz o planejamento. 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