{"id":2606,"date":"2008-10-02T00:00:00","date_gmt":"2008-10-02T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/em_que_isso_beneficia_o_pobre\/"},"modified":"2008-10-02T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-02T03:00:00","slug":"em_que_isso_beneficia_o_pobre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/em_que_isso_beneficia_o_pobre\/","title":{"rendered":"Em que isso beneficia o pobre?"},"content":{"rendered":"<p><BR>&nbsp;<br \/>\nDAD SQUARISI \/\/ <A href=\"mailto:dad.squarisi@correioweb.com.br\">dad.squarisi@correioweb.com.br<\/A><BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nAssessores pr\u00f3ximos do presidente dizem que Lula \u00e9 ouvinte atento. Sempre que algu\u00e9m lhe apresenta um projeto, ele olha nos olhos do interlocutor, acompanha a exposi\u00e7\u00e3o com interesse e faz perguntas at\u00e9 entender o assunto. Por fim, indaga firme:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u2014 Em que isso beneficia o pobre?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA proposta s\u00f3 avan\u00e7a se tiver resposta convincente. Estranha, por isso, o aval do Planalto \u00e0 reforma ortogr\u00e1fica. As mudan\u00e7as frustram ideais, trazem decep\u00e7\u00f5es e causam preju\u00edzos. N\u00e3o uniformizam a grafia das palavras no mundo lus\u00f3fono. Assim, cai por terra a desculpa de que documentos firmados em organismos internacionais passariam a ser escritos em uma s\u00f3 l\u00edngua (hoje se escrevem no portugu\u00eas do Brasil e no de Portugal). A reforma adotou a flexibilidade. Respeitou as diferen\u00e7as. Assim, os portugueses continuar\u00e3o a grafar sector; n\u00f3s, setor. Eles usar\u00e3o agudo em Ant\u00f3nio e c\u00f3modo. N\u00f3s, circunflexo.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNo mais, as altera\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00edmidas, capengas e incompletas. O acordo tornou de direito o que \u00e9 de fato ao reintroduzir o k, o w e o y no alfabeto. Manteve acentos diferenciais no p\u00f4de e no p\u00f4r. Eliminou o agudo dos ditongos abertos s\u00f3 nas parox\u00edtonas (ideia, joia). As ox\u00edtonas e os monoss\u00edlabos t\u00f4nicos conservar\u00e3o o sinal (her\u00f3i, pap\u00e9is, d\u00f3i). O emprego do h\u00edfen, que poderia ter sido simplificado, conserva a confus\u00e3o. Trocou seis por meia d\u00fazia.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nProcede, pois, a d\u00favida. O presidente fez a pergunta habitual? Talvez n\u00e3o. Se a tivesse feito, os conselheiros o teriam alertado para os preju\u00edzos que a reforma trar\u00e1 sobretudo aos menos favorecidos. N\u00e3o pra um ou outro, mas pra comunidades inteiras. Munic\u00edpios pobres fizeram enorme sacrif\u00edcio pra prover as bibliotecas p\u00fablicas e as escolares de pelo menos um dicion\u00e1rio e uma gram\u00e1tica. Muitos conseguiram p\u00f4r um kit de consulta em cada sala de aula. Agora, o esfor\u00e7o vai pro lixo. Livros did\u00e1ticos que eram reaproveitados ter\u00e3o o mesmo destino. Quem se beneficia do desperd\u00edcio? Com certeza n\u00e3o \u00e9 o pobre. Nem o rico.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n(artigo publicado na editoria de Opini\u00e3o do Correio Braziliense)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; DAD SQUARISI \/\/ dad.squarisi@correioweb.com.br &nbsp; Assessores pr\u00f3ximos do presidente dizem que Lula \u00e9 ouvinte atento. Sempre que algu\u00e9m lhe apresenta um projeto, ele olha nos olhos do interlocutor, acompanha a exposi\u00e7\u00e3o com interesse e faz perguntas at\u00e9 entender o assunto. Por fim, indaga firme: &nbsp; \u2014 Em que isso beneficia o pobre? &nbsp; A proposta s\u00f3 avan\u00e7a se tiver resposta convincente. 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