{"id":2654,"date":"2008-10-07T00:05:00","date_gmt":"2008-10-07T03:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/redacao_19\/"},"modified":"2015-11-12T11:52:26","modified_gmt":"2015-11-12T13:52:26","slug":"redacao_19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/redacao_19\/","title":{"rendered":"Reda\u00e7\u00e3o 19"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>A frase sem eco<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQuando o mundo nasceu, as palavras eram delicadas. Uma n\u00e3o trombava na outra. Por isso, reinava a harmonia. N\u00e3o havia eco. Um dia, aconteceu. Eco apareceu na Terra. A bela mo\u00e7a falava sem parar. A voz dela encantava os homens, que ficavam caidinhos de amor. Mas a mo\u00e7a n\u00e3o estava nem a\u00ed. Esnobava a todos.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNuma voltinha pelo shopping, Eco viu Narciso. Foi paix\u00e3o \u00e0 primeira vista. Mas o belo n\u00e3o lhe dava bola. S\u00f3 olhava pra si. Ela, ent\u00e3o, resolveu declarar a enorme paix\u00e3o que nutria por ele. Fez o plano. Estudou a estrat\u00e9gia. Preocupou-se com os pormenores. Mas n\u00e3o chegou l\u00e1. Sabe por qu\u00ea?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nFoi castigo. Eco era muito amiga de Zeus, casado com a ciumenta Hera. Um dia, Zeus conheceu uma gatinha. Eco se encarregou de distrair Hera com belas hist\u00f3rias. Mas a mulher descobriu. Furiosa, puniu-a. Daquele dia em diante, a alcoviteira n\u00e3o falaria mais. Pobrezinha! At\u00e9 hoje, a jovem n\u00e3o diz uma s\u00f3 palavra. S\u00f3 repete a \u00faltima s\u00edlaba das palavras dos outros. \u00c9 o eco da Eco.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nA hist\u00f3ria da ninfa da mitologia grega nos persegue at\u00e9 hoje. Depois dela, ao menor descuido, as palavras perdem a delicadeza. Rimam. \u00c9 um deus-nos-acuda. A rima \u00e9 qualidade da poesia, mas defeito da prosa. \u00c9 o eco.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nComo descobri-lo? \u00c9 f\u00e1cil como andar pra frente. Com aten\u00e7\u00e3o e paci\u00eancia, voc\u00ea elimina todos eles. Leia seu texto em voz alta. Ocorre repeti\u00e7\u00e3o de sons iguais ou semelhantes? Mande-a pras cucuias. Exemplos n\u00e3o faltam:<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nHouve muita provoca\u00e7\u00e3o e confus\u00e3o na reuni\u00e3o do Maranh\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCruz-credo! Com tantos \u00e3os, d\u00e1 pra fazer uma feijoada. X\u00f4! Sem eco, a frase fica assim, pra l\u00e1 de agrad\u00e1vel: Houve muita provoca\u00e7\u00e3o e tumulto no encontro de S\u00e3o Lu\u00eds.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO Plano Real acabou com a infla\u00e7\u00e3o mortal.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nNada feito. O ouvido da gente n\u00e3o \u00e9 lixeira. Vamos ao troca-troca: O Plano Real acabou com a infla\u00e7\u00e3o que mata a economia do trabalhador.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO rigor do calor de Salvador lhe causava mais pavor.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPra fora, eco! Bem-vinda, harmonia: O forte calor da capital baiana lhe causava p\u00e2nico.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVale repetir: n\u00e3o basta ser correta. A frase tem de agradar. A quem? Aos ouvidos. Um dos segredos est\u00e1 na combina\u00e7\u00e3o de palavras e frases. Umas devem conversar com outras sem trope\u00e7os, ecos ou repeti\u00e7\u00f5es. O resultado precisa soar bem. Viva a harmonia.&nbsp;<BR><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n<STRONG>Teste<\/STRONG><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nQual dos per\u00edodos mandou o eco plantar batata no asfalto?<br \/>\n&nbsp;<br \/>\na. O crescimento sem desenvolvimento pode implicar incremento do subdesenvolvimento.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nb. Crescer sem preocupa\u00e7\u00e3o com o desenvolvimento pode implicar mais atraso. &nbsp;<BR>&nbsp;<BR><br \/>\nA resposta? Logo, logo. Aguarde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; A frase sem eco &nbsp; Quando o mundo nasceu, as palavras eram delicadas. Uma n\u00e3o trombava na outra. Por isso, reinava a harmonia. N\u00e3o havia eco. Um dia, aconteceu. Eco apareceu na Terra. A bela mo\u00e7a falava sem parar. A voz dela encantava os homens, que ficavam caidinhos de amor. Mas a mo\u00e7a n\u00e3o estava nem a\u00ed. 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