{"id":2675,"date":"2008-10-09T00:00:00","date_gmt":"2008-10-09T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_voo_da_aguia\/"},"modified":"2008-10-09T00:00:00","modified_gmt":"2008-10-09T03:00:00","slug":"o_voo_da_aguia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/o_voo_da_aguia\/","title":{"rendered":"O v\u00f4o da \u00e1guia"},"content":{"rendered":"<p><DIV><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDAD SQUARISI \/\/ <A href=\"mailto:dad.squarisi@@correiobraziliense.com.br\">dad.squarisi@@correiobraziliense.com.br<\/A><A name=\"Save1\"><\/A><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO brasileiro elegeu quase 10% de mulheres. Contradi\u00e7\u00e3o? Parece. Elas s\u00e3o 51,8% dos votantes. Exibem mais diplomas de n\u00edvel superior que os homens. Tiram as melhores notas nos concursos p\u00fablicos. Mas s\u00e3o gatos-pingados no parlamento, assembl\u00e9ias legislativas, c\u00e2maras de vereadores, pal\u00e1cios de governo. O pleito de domingo confirmou a regra.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDizia-se que era discrimina\u00e7\u00e3o. Os partidos pol\u00edticos n\u00e3o dariam oportunidade \u00e0s mulheres. Veio, ent\u00e3o, a lei das cotas. Na lista de postulantes de cada agremia\u00e7\u00e3o, deve haver gente de saia e gente de cal\u00e7as. Existe um percentual m\u00e1ximo (70%) e um m\u00ednimo (30%) de aspirantes de cada sexo a cargos proporcionais. Abertas as inscri\u00e7\u00f5es, cad\u00ea elas? Os partidos n\u00e3o conseguiram completar o n\u00famero de candidatas.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPor que a inapet\u00eancia pelos palanques? As convictas alegam falta de voca\u00e7\u00e3o. As realistas afirmam n\u00e3o ter dinheiro pra sustentar a campanha. As casadas se queixam da indiferen\u00e7a do marido. As desligadas confessam n\u00e3o ter pensado no assunto. As pragm\u00e1ticas declaram ter outras prioridades. As preconceituosas juram que pol\u00edtica \u00e9 coisa de homem. Reuni\u00f5es intermin\u00e1veis, conchavos, negociatas, conversas ao p\u00e9 do ouvido\u2026 Ufa!<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nVale lembrar velha lenda do folclore africano. Uma aguiazinha caiu num galinheiro. Aos poucos, aprendeu o jeito galin\u00e1ceo de ser. Ciscava o ch\u00e3o, comia milho e dormia no poleiro. Com o tempo, desaprendeu o v\u00f4o nas nuvens, o frio das alturas, o sentimento de liberdade. Um dia apareceu ali um homem familiarizado com o v\u00f4o orgulhoso das rapineiras. Informou \u00e0 penosa que ela n\u00e3o era galinha. A coitada se assustou. Disse que altura lhe dava vertigem, que preferia a seguran\u00e7a do ch\u00e3o.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO homem agarrou-a \u00e0 for\u00e7a e a levou ao alto da montanha. Jogou-a no vazio. Foi ent\u00e3o que o pavor, misturado \u00e0 mem\u00f3ria que ainda morava no seu corpo, a fez bater as asas. Pouco a pouco, abriu-se em confian\u00e7a, reconhecendo o espa\u00e7o enorme que lhe havia sido roubado. Descobriu, ent\u00e3o, que n\u00e3o se chamava galinha. Chamava-se \u00e1guia. A hist\u00f3ria dela, como a das mulheres, passa pela acomoda\u00e7\u00e3o e o conformismo. P\u00f5e a nu o medo muito humano da mudan\u00e7a. E escancara o p\u00e2nico de al\u00e7ar v\u00f4o. <\/DIV><br \/>\n<DIV>&nbsp;<\/DIV><br \/>\n<DIV>(artigo publicado em Opini\u00e3o do Correio Braziliense)<\/DIV><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; DAD SQUARISI \/\/ dad.squarisi@@correiobraziliense.com.br &nbsp; O brasileiro elegeu quase 10% de mulheres. Contradi\u00e7\u00e3o? Parece. Elas s\u00e3o 51,8% dos votantes. Exibem mais diplomas de n\u00edvel superior que os homens. Tiram as melhores notas nos concursos p\u00fablicos. Mas s\u00e3o gatos-pingados no parlamento, assembl\u00e9ias legislativas, c\u00e2maras de vereadores, pal\u00e1cios de governo. O pleito de domingo confirmou a regra. &nbsp; Dizia-se que era discrimina\u00e7\u00e3o. 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