{"id":2776,"date":"2008-10-22T01:00:00","date_gmt":"2008-10-22T03:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/pois_nao_excelencia\/"},"modified":"2008-10-22T01:00:00","modified_gmt":"2008-10-22T03:00:00","slug":"pois_nao_excelencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/dad\/pois_nao_excelencia\/","title":{"rendered":"Pois n\u00e3o, Excel\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><B><br \/>\n&nbsp;<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nO fato \u00e9 conhecido. Mas vale repetir. Quem manda no jornal n\u00e3o \u00e9 o presidente, nem o diretor, nem os editores, nem os rep\u00f3rteres. O dono e senhor da publica\u00e7\u00e3o \u00e9 o leitor. Ele aplaude, critica, acrescenta, exclui, pede mudan\u00e7as, exige satisfa\u00e7\u00e3o. Em suma: manda e desmanda.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nPux\u00e3o de orelha do leitor d\u00f3i muito mais que o do chefe. Reclama\u00e7\u00e3o de assinante \u00e9 levada mais a s\u00e9rio que a do morador do Pal\u00e1cio do Planalto. Pedido de quem nos honra com a prefer\u00eancia \u00e9 ordem. O blog se curva diante de tanto poder e abre espa\u00e7o para as quest\u00f5es de quem o prestigia. Com a palavra, Sua Excel\u00eancia o mandachuva.<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n*<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCarmem Silvana, de Niter\u00f3i, pergunta: &#8220;Sempre soube que, em portugu\u00eas, as palavras s\u00f3 podem ter um acento. Como explicar os dois que aparecem em <I>\u00f3rf\u00e3o<\/I>, <I>\u00edm\u00e3<\/I> e <I>\u00f3rg\u00e3o<\/I>?&#8221;<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nCarmem, s\u00f3 existem tr\u00eas acentos na nossa l\u00edngua \u2014 o agudo (\u00e1gua), o grave (\u00e0quele) e o circunflexo (l\u00e2mpada). O til n\u00e3o \u00e9 acento. \u00c9 sinal de nasalidade. Informa que a vogal \u00e9 nasal, n\u00e3o oral. Compare: <I>Irma, irm\u00e3<\/I>.<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n*<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nRafael Lima, de Pelotas, quer saber: &#8220;Ultimamente tenho visto <I>prof<\/I>\u00ba como abreviatura de professor. O ozinho sobra, n\u00e3o?&#8221; <\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nModismos surgem todos os dias. As abreviaturas n\u00e3o est\u00e3o imunes a eles. Um dos mais recentes atingiu a nobre figura do professor. Os manuais dizem que a abreviatura do mestre \u00e9 <I>prof<\/I>. Mas, por alguma raz\u00e3o alheia \u00e0 vontade do Senhor, come\u00e7am a brind\u00e1-lo com carga adicional. A l\u00edngua detesta redund\u00e2ncia. O masculino n\u00e3o precisa do <B>o<\/B>. O feminino, sim, pede <B>a<\/B>. O plural exige <B>s<\/B>. Compare: <I>professor (prof.), professores (profs.), professora (prof\u00aa), professoras (prof\u00aas); doutor (dr.), doutores (drs.), doutora (dr\u00aa.), doutoras (dras.).<\/I><B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n*<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nLuc\u00edlia N\u00f3brega, de Jo\u00e3o Pessoa, apresenta a quest\u00e3o: &#8220;O emprego das letras mai\u00fasculas e min\u00fasculas me d\u00e1 n\u00f3 nos miolos. Tenho mil d\u00favidas. Uma delas: lei, medida provis\u00f3ria, decreto, portaria ganham inicial grandona ou pequenina?&#8221;<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nDepende. Se estiver especificado o n\u00famero ou o nome do texto, a grandona pede passagem. Caso contr\u00e1rio, s\u00f3 a mixuruca tem vez: <I>Lei 2.412, de 23.3.2004; Medida Provis\u00f3ria 235, de 10.10.2005; Decreto 985, de 13.12.2006; Lei Afonso Arinos, Lei Antitruste, Lei de Fal\u00eancias.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nN\u00e3o abuse. O ato perde a majestade depois da primeira refer\u00eancia: <I>O presidente encaminhou ao Congresso a Medida Provis\u00f3ria 3.852<\/I>. <I>A medida trata do reajuste dos servidores. <\/I><B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n*<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nT\u00e2nia Cruz, de Bel\u00f4, explica por que anda encucada: &#8220;Em an\u00fancios e folhetos, n\u00e3o d\u00e1 outra. Aparece sempre a tal frase `Para maiores informa\u00e7\u00f5es, ligue para o n\u00famero tal\u00b4. O adjetivo me soa esquisito. Estou certa?<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n\u00c9 esquisito mesmo. <I>Informa\u00e7\u00f5es<\/I> n\u00e3o se medem por metro. Por isso n\u00e3o podem ser maiores ou menores como um terreno ou um peda\u00e7o de tecido. Informa\u00e7\u00f5es se adicionam. Melhor: <I>mais informa\u00e7\u00f5es, mais detalhes, mais coment\u00e1rios<\/I>.<br \/>\n&nbsp;<br \/>\n*<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nClairton Silva, de Bras\u00edlia, enfrentou esta: &#8220;Adoro cavalgar. Por isso, me pintou a d\u00favida: eu ando a cavalo. Com a f\u00eamea do cavalo como fica?<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nConvenhamos: ningu\u00e9m anda a \u00e9gua. O jeito \u00e9 mudar de verbo. Em vez de andar, montar. Que tal?<B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n*<br \/>\n&nbsp;<br \/>\nSeverino Cavalcanti, de Olinda, se preocupa com o estilo. Quer tirar proveito de todas as possibilidades que a l\u00edngua oferece. Eis a quest\u00e3o proposta: &#8220;Sei que v\u00edrgula, travess\u00e3o e par\u00eantese podem separar termos explicativos. Empregar um ou outro tem diferen\u00e7a?&#8221;<\/B><br \/>\n&nbsp;<br \/>\nE como! As v\u00edrgulas s\u00e3o neutras. Apenas separam termos ou ora\u00e7\u00f5es. Os travess\u00f5es gritam. Destacam o termo ou a ora\u00e7\u00e3o que isolam. Os par\u00eanteses jogam no time oposto. Desqualificam o termo ou ora\u00e7\u00e3o neles guardadinhos). Compare: <I>Bras\u00edlia, a capital do Brasil, localiza-se no Planalto Central. Bras\u00edlia \u2014 a capital do Brasil \u2014 localiza-se no Planalto Central. Bras\u00edlia (a capital do Brasil) localiza-se no Planalto Central.<\/I><br \/>\n&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; O fato \u00e9 conhecido. Mas vale repetir. Quem manda no jornal n\u00e3o \u00e9 o presidente, nem o diretor, nem os editores, nem os rep\u00f3rteres. O dono e senhor da publica\u00e7\u00e3o \u00e9 o leitor. Ele aplaude, critica, acrescenta, exclui, pede mudan\u00e7as, exige satisfa\u00e7\u00e3o. Em suma: manda e desmanda. &nbsp; Pux\u00e3o de orelha do leitor d\u00f3i muito mais que o do chefe. 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